Em 3 de março de 1967, os militares dão o segundo golpe com a publicação da Lei de Segurança Nacional. Udenistas e afins que pretendiam tomar o poder com o apoio dos militares foram “traídos”. O alto oficialato decide não entregar o governo aos civis por temer uma crise institucional. Assim, para manter a ordem, os militares endurecem o regime. Se antes os estudantes podiam fazer seus protestos, não mais. Greves? Nem pensar. Os jornalistas que atacavam o governo militar, emudeceram. Aqueles que não, foram obrigados a trabalhar na clandestinidade. Os exemplos são muitos, dentre os mais famosos estão O Pasquim e o Última Hora. Mas havia um pequeno jornal paulista, pouco expressivo além da Zona Oeste, que ironicamente se chamava A Expressão. O dono do jornal não era um jornalista, mas um homem que tinha duas paixões na vida: ferrovias e comunicação. Seu Nono já era conhecido pelos seus ousados investimentos ferroviários, mas sua entrega no comando de um jornal foi algo que surpreendeu até mesmo seus amigos mais íntimos. A Expressão, no entanto, ao contrário das suas ferrovias, não ia bem e geralmente dava prejuízo. Diziam que Seu Nono iria a falência em dois anos no máximo. Se seu sonho fracassaria isso é algo que jamais poderemos saber, porque no verão de 67, a redação dA Expressão pegou fogo até o último papel impresso. Foi um golpe doloroso para Seu Nono, que já nos seus mais de 70 anos não tinha mais aquela força juvenil para resistir as intempéries da vida. Talvez, o que tivesse deixado Seu Nono tão triste nos seus últimos meses de vida fosse a pergunta do porquê um jornalzinho do interior, uma simples caduquice sua, tivesse sido alvo de um atentado como aquele.

Seu Nono teve dois filhos. Sempre os levava para passear na sua locomotiva predileta e eles tinham bem guardado consigo a memória do som que a Maria-Fumaça fazia quando subia a colina. Seu Nono também levou os filhos para conhecerem a redação d’A Expressão. E ambos tomaram do pai suas paixões. Assim, quando o pai morreu, seus filhos montaram um sistema de redação coletiva, fragmentada e móvel. O sistema consistia basicamente em correspondências anônimas não remuneradas e impressão irregular. No inicio, participavam os dois filhos do Seu Nono e os antigos jornalistas d’A Expressão. Mas logo depois da primeira edição, começaram a receber pedidos de outros jornalistas querendo participar do projeto. Jornalistas na ativa inclusive, de grandes jornais. Daí, já na segunda edição o jornal adotou um nome: Expresso das Oito e Meia. Uma homenagem as duas paixões do Seu Nono, a velha Maria-Fumaça e seu jornalzinho do interior. Oito e Meia porque a primeira impressão ocorreu numa manhã de domingo às 8:30.

462 edições depois, o Passageiro Nº 1 (codinome do irmão mais velho, herança da ditadura) abandonou o comando do Expresso por divergências  ideológicas com o Passageiro Nº 2. Uma analogia ao processo de redemocratização. Sem um inimigo comum, nem mesmo a lembrança do Maquinista (pseudônimo dado ao Seu Nono) seria capaz de unir os irmãos.

O vale tudo que tomou conta das eleições presidenciais e mais! Entrevista exclusiva com o presidente Sarney e um super especial sobre a redemocratização, contando tudo o que rolou nos bastidores! Pegue sua passagem agora mesmo!

O link aqui: Expresso das Oito e Meia. ed462

Um agradecimento especial às minhas amigas Tálita e Riquelle, por sua inestimável colaboração. Valeu!

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido e meio afeminado, flamenguista, mineiro, sagitariano, otaku, metaleiro, sertanejeiro, petista, rabugento, boêmio, tonto, divertido y dulce…. um comunista pero no mucho.  Você pode até tentar me definir, mas no final sempre ficam três palavras: boa noite bill!

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