Marcha Contra a Corrupção?

Publicado: 7 de setembro de 2011 por Bill em o Universo
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Ou contra a democracia?

Basta de corrupção. Certo, mas o que fazer?

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/sete-de-setembro-um-dia-de-protesto-contra-a-corrupcao

Quando a Veja (naopense) apóia é porque o negócio, no minimo, tem duas caras. E é exatamente por isso que a Marcha Contra a Corrupção pode disfarçar um discurso anti-democrático. A esmagadora maioria quer que seus políticos sejam honestos, eu quero, você quer, todos querem. Mas pense no contexto. Brasília por exemplo. Quem votou em Jaqueline Roriz? O povão, a periferia, a massa de manobra, pobres coitados que não tiveram acesso a educação de qualidade.

Nós nunca votaríamos numa mulher dessas não é?

http://www.facebook.com/event.php?eid=194166463984479

Ora, se Jaqueline Roriz cometeu algum crime ela será punida. Não por uma CPI que serve a outros propósitos (normalmente serve como vitrine para a oposição, isso vale tanto para o PSDB quanto valeu para o PT), mas será julgada pela corte competente, o STF.

Já me disseram assim: Não adianta, chega lá e os corruptos são absolvidos. Se é assim, por que os protestos não são em frente ao STF? Se você acredita que a maioria dos políticos são corruptos, por que esperar que punam outros corruptos? Porque o que está em jogo não é a corrupção do sistema (quem é rico tem mais chance de se eleger, quem se vende a uma empreiteira também), mas o voto burro do povão. Afinal, se não fosse por esses políticos escolhidos pelo povão como os Rorizes, os Malufs, etc, não haveria porque dessa marcha, não é mesmo?

Cansados de corrupção, estarão de luto pela democracia?

Sei que muita gente bacana foi nessa marcha, mas é preciso refletir sobre o que se fazer a respeito da corrupção. Fechar o congresso então? Impedir pobre de votar? Não, isso é muito anti-democrático não é? Então melhor, criar uma lei impedindo que fichas sujas se candidatem, isso… porque alguns votos são melhores que outros, o povo não sabe votar, então é melhor que se crie uma lei anti-democrática para que o povão não possa votar no Joaquim Roriz outra vez, não é? Roriz de novo não. Todos nós sabemos disso. Mesmo que para isso, tenhamos que deixar a democracia de lado.

O presidente não representa o povo?

Quando Fernando Henrique se reelegeu em 98 fiquei desiludido com a democracia. Puxa, como o povo é burro. FHC só governava para o sudeste, principalmente para São Paulo, e esse povo estupido ainda tem coragem de reeleger um cara desses? Doía a alma acompanhar algumas notícias sobre a seca no semi-árido nordestino, famílias e famílias sobrevivendo com um litro de guarapa e comendo farinha misturada com barro cozido. Conheço esse discurso anti-democrático, porque já estive do outro lado. Ano após ano e os mesmos políticos corruptos. Rancor e desilusão se misturam para formar um sentimento corrosivo chamado fascismo. É, eu já fui fascista, agora eu sei disso. É um momento em que você passa a odiar secretamente as pessoas que você quer salvar. E começa assim, chutando a bunda dos políticos eleitos democraticamente.

 bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido e meio afeminado, flamenguista, mineiro, sagitariano, otaku, metaleiro, sertanejeiro, petista, rabugento, boêmio, tonto, divertido y dulce…. um comunista pero no mucho

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comentários
  1. Boa noite, Bill,

    Bem, eu manifestei a vontade de comentar e você me incentivou, então agora não é hora de lamentar: vamos metralhar alguns argumentos seus, embora elogiando outros. E a primeira bala vai para… uma evidente contradição no discurso. Para isso, lembremos os mano vei da Grécia, aqueles filósofos ociosos que, entre outras masturbações mentais, traçaram alguns princípios úteis de lógica argumentativa. Vejam bem: a) o Bill diz que a maioria do povo quer políticos honestos, ou seja, é contra a corrupção; b) mas o Bill também alega que a maioria do povo (afinal, o povão, a perifa é maioria, não?) vota mal, por votar em corruptos; c) logo, a contradição entre a e b é evidente, pois não tem como a maioria realmente ser contra a corrupção e corroborar, apoiar políticos corruptos. Então pergunto, Bill, a maioria (não estou falando de nós, ou seja, um grupo acredito privilegiado em termos de acesso a educação e outros bens, como a net, por exemplo; estou falando das classes baixas, dos excluídos, que são realmente a maioria nesse país) realmente é contra a corrução ou é a favor, conivente, aceitando isso como parte de sua cultura político?
    Calma que a metralhadora (da paz, tá galera!) só começou. Um segundo tiro, dentro dessa metáfora portanto, é a respeito do que foi escrito sobre CPI. Pra começo de história, nem houve CPI para o caso da fililha do meu painho, o tio Roriz. A “fia do meu rei” foi julgado por outro órgão da Câmara, o Conselho de Ética. Mas, por outro lado, concordo que CPI, na prática, é meio vitrine e meio pizza mesmo.
    Fora essas críticas (e o comentário já está muito longo, praticamente um artigo), vou resumir os elogios àqueles que penso serem os argumentos que despertam para uma viagem de pensamento bacana – meu cabeça quase pira. O Bill mostra que ainda não entendemos direito, nem sabemos lidar com o fenômeno corrupção, que, longe de ser apanário exclusivo da classe política, permeia toda a sociedade nas menores ações cotidianas. Afinal, quem não queria ter a chance de meter a mão em alguma bufunfa (vale o duplo sentido, hehaus). Tem gente que se vende por 100 reais. Outros por muito menos. O Bill também tem o mérito de revelar que, talvez, os próprios manifestantes não compreendam contra o que lutam. Mas a democracia, se é que estamos numa democracia, está longe de ser ameaçada. Esse ódio secreto de que o Bill fala, travestido em protesto, em marcha, mas também em uma forma meio sutil de arrogância política (bate no peito e diz: “eu sou ilustrado, eu sei votar, diferentemente do povão!”), ainda não tem força, não tem capital pró-fascista. Mas se for para considerar um começo disso, dum facismo, como o Bill quer deixar entender, então eu concordo.
    Ainda assim, eu apoio a marcha, porque eu não faço porra nenhuma e é bacana quem faz, ainda que meio perdidamente. Aqui falou um velho, de 21 anos.

  2. Bill disse:

    Então pergunto, Bill, a maioria (não estou falando de nós, ou seja, um grupo acredito privilegiado em termos de acesso a educação e outros bens, como a net, por exemplo; estou falando das classes baixas, dos excluídos, que são realmente a maioria nesse país) realmente é contra a corrução ou é a favor, conivente, aceitando isso como parte de sua cultura político?

    Respondo, João Vitor

    Você está certo. É uma contradição mesmo. Mas acredito piamente que nós, “um grupo privilegiado em termos de acesso a educação”, não sejamos melhores que o povão, de forma alguma. Esse mesmo povão que votou no Roriz, é o que elegeu Lula presidente do Brasil e boa parte desses nobres “privilegiados” votariam no capeta, mas não votariam no Lula.

    Agora eu pergunto. Se o Roriz e sua corja são culpados de tudo que são acusados, por que não são presos? Se você não acredita nas instituições do seu país, quem está sendo cínico no fim das contas? O povão, ao contrário de nós ‘letrados’ confia na Justiça, talvez por ingenuidade, mas confia.

    Uma coisa é certa, se o Roriz fosse um mal governante, ele não seria eleito, se corrupto ou não, isso no fundo não interessa. Ética, é uma exigência que os desprivilegiados não podem se dar ao luxo de ter.

    Quanto ao julgamento da tia jaque, foi ignorância da minha parte apontar a CPI como órgão competente, é caso para outra instância, mas vc entendeu o que eu quis dizer e nem vou corrigir, como te disse, eu sou muito honesto com as coisas que escrevo, mesmo as erradas.

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