Crônicas d’O Escolhido de Deus. Parte Um. Episódio 5: A Pena

Publicado: 10 de janeiro de 2012 por Bill em o Universo
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Deus, Juízes, Vetor ou Pacote de Gelatina de Morango Azulada fez uma coisa que eles não costuma fazer, lembrar. Imagine tentar lembrar de algo que não é passado, é como se o acontecido estivesse acontecendo agora, nesse instante, e você tentasse lembrar do futuro. Os terráqueos humanos chamam a isso de déjà vu. Deus tentavam se lembrar daquela figura simplória com um rústico aparelho pensante baseado em carbono. Típico. Essas criaturas com uma única função dual alimentícia-reprodutora são aquelas com mais propensão a fazer unicamente disso suas vidas. Criam cidades, moedas, sistemas complexos de moral, tudo isso, para no final, comerem e se reproduzirem. Mas os Juízes não podiam adiantar o “veredicto” por mais adiantado que esteja. Ele estremeceram e sua cor meio azulada ficou de uma tonalidade meio ultra-violeta, tentavam lembrar dos lagartões.

Assim consta nos autos do Tribunal Intergaláctico:

PROCESSO 000000000000000024524562532236.000000000245162662621652.0000001565106261621.002626216216 – TIPO 4.2545.587 – RÉU: LAGARTÕES, DEFENSOR: TRONERO MASTOR (apelido Mastinhoo)

VETOR: Vocês são acusados de comer todas as formas de vida do seu Planeta, da sua Galáxia e das Galáxias Adjacentes. Faça a defesa.

TRONERO MASTOR (apelido Mastinhoo): Tínhamos fome.

VETOR: Dada a quantidade absurda ingerida, o aparelho digestivo da sua espécie evoluiu para a quase não digestão dos alimentos, de modo que vocês não mais se alimentavam, só mastigavam a fome. Defesa infudada. Pena…

TRONERO MASTOR (apelido Mastinhoo): Espera, espera, espera! Olha, era uma fome físico-psicológica! Não tínhamos culpa! Se não mastigassemos, morreríamos!

VETOR: Procede. Por isso sua pena será continuar mastigando.

O senhor Tronero Mastor, mais conhecido como Mastinhoo, famoso por ter inventado as 12 maneiras de se mastigar o couve, acabou mastigando toda sua família, seus amigos, seu chefe, seus vizinhos, uma infinidade de desconhecidos (alguns ilustres inclusive, como um famoso e irritante apresentador de TV), teria comido a si mesmo sem dúvida, senão tivesse por fim arrebentado os dentes num momento de desespero. Hoje, seus descendentes nem de longe lembram as formas gigantescas dos lagartões, vagam famintos pelo planeta, ainda sem dentes e sem conseguir parar de mastigar. É de dar pena, talvez por isso suas penas sejam retiradas antes de serem cozidos, assados ou fritos.

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