Crônicas d’O Escolhido de Deus. Parte Um. Episódio 9: O Escolhido do Diabo

Publicado: 1 de outubro de 2012 por Bill em A Vida
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O diabo não ficou nada nada contente com essa história de escolhido de Deus. Saiu da piscina-praia com cachoeira artificial e controle de termostato e vestiu seu robe predileto, aquele com capuz de Darth Vader. O diabo adorava as representações que o cinema fazia dele. Ligou a TV de 800 polegadas e clicou no ícone de João e a tela mostrou um rosto magro, quadrado, sem vida e queimado pelo sol. Pensou nas preferencias divinas pelo feio e sentiu não pela última vez ódio de Deus. O maldito, sempre o desprezando. Nada do que possui, e o diabo possui muita coisa, merecia a Sua atenção. Tudo bem, tudo bem. O diabo sentou no trono de ferro surrupiado dos sets de Game of Thrones. E pensou. Junto a ele, milhares e milhares de supercondutores zuniram processando o peso do universo em dados hiper-condensados de memória rom do diabo. Seis dias depois e uma lampada acendeu-se sobre a cabeça do demônio  E foi literal. O diabo encomendou a lampada e o suporte da cabeça para reproduzir o efeito dos desenhos animados que ele adorava. Mas hoje o coiote vai pegar o papaleguas, pensou soltando uma risada maligna que fez seus criados pensarem porque trabalhavam praquele homem estranho. O diabo abriu o guarda-roupa matrix e ficou em duvida entre o terno usado por Al Pacino em Advogado do Diabo e uma roupa de plebeu. O diabo se repreendeu. Plebeu já era, o fodido agora é o proletariado. PAM! Alertou seu twitter anacronico: “O fodido do século XXI é a minoria”. Porra, exasperou-se o demo, aí é foda. São tantas minorias! Qual escolher?! O twitter gisele sugeriu: “A moda agora é combinar cores diversas”. Que seja! enfizesmou o diabo e misturou muçulmano  mulher negra e homossexualismo criando um personagem que causaria revolta em qualquer pessoa séria. Viajou pelo espaço e voltou no tempo para encontrar João bebendo sozinho num bar chechelento. O diabo gostou de lá, havia cheiro de urina, cigarro e merda por todo o lugar e ele se lembrou de uma época mais simples.

– então Deus falou contigo, han?

– Que? como vc…?

– Permita-me. Sou Mefistófeles. Coisa-ruim. Capeta. Lucifer. Eu tenho muitos nomes. Para você é amigo. Digo. Ele está brincando com você, está te sacaneando. Ele é um sacana, vai por mim. Coloca toda a responsabilidade sobre seus membros e toca 0 foda-se. Mas aqui vai a verdade, toda a verdade João: Ele não existe.

– Não, claro que não! Assim como eu! Nenhum de nós existe de verdade e essa é toda verdade, mas você já sabia disso, então, pergunto, por que me chamou aqui?

– Porque… – e João se inclina pra frente num sussurro oco quando um dos historiadores na mesa ao lado se pergunta o significado do nada – nós vamos matar Deus.

O diabo engasga com a lingua e demora pra encontra-la.

– Vei – diz entornando a garrafa pela goela – agora a porra ficou séria.

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