No “País do Pão e Circo” quem são os verdadeiros palhaços?

Publicado: 2 de fevereiro de 2013 por Bill em Tudo Mais
Tags:, ,

Ao entrar no Facebook deparei-me com a seguinte imagem:

Um ficha suja...

Um ficha suja…

Por onde começar? País do pão e circo… sim… futebol, samba, bolsa-família, tudo leva a crer que esse é o país da farra e da vagabundice, onde a seriedade fica em segundo plano, em que o povo prefere viver de esmola a trabalhar e que, por consequência, políticos como o da foto (o senador Renan Calheiros, de Alagoas) conseguem se eleger ano após ano, mesmo em meio a enxurrada  de denuncias de corrupção. Mas, deixe sua raiva de lado, esqueça o que a mídia veicula sobre esse político, e sobre os políticos em geral, esqueça disso tudo só até este post terminar, não vai durar muito, prometo, e se ainda assim, depois, você continuar a olhar para essa foto e dela fazer o mesmo juízo, dou minha missão por encerrada e juro nada mais escrever a respeito.

Respire e conte até três.

Abra seu Facebook e veja as imagens compartilhadas a respeito da eleição da presidência do Senado. Olhe para a imagem que abre este post. Leia atentamente. Quem é o culpado pela catástrofe dessa eleição em última e primeira instancia? A última frase da foto responde essa pergunta quase isentando o político de culpa, pois ele é “ficha suja”, nem sequer devia estar lá, se está, não é sua culpa. Escorre pelas beiradas desse discurso um ácido antidemocrático tão cáustico que cega essas ditas pessoas “esclarecidas” sobre um pequeno, mas fundamental pacto da civilização moderna ocidental: o sufrágio universal. Vamos lembrar que somente com a constituição de 1988 o Brasil reconheceu o direito de voto aos analfabetos. O golpe completa em 2014 50 anos e vemos o mesmo discurso acerca da população brasileira “ignorante e burra” demais para votar. A imagem é bem clara, exigi sem rodeios a volta do voto censitário pois pobre não sabe votar. Lê-se claramente que pobre é refém da barriga, pobre é preguiçoso, pobre é burro e isso diz tudo que precisamos saber. Pressupõe esse discurso que uma pessoa educada sabe votar melhor. Mas o que é melhor? Por muito tempo o melhor estava concentrado nas mãos do Rei, ele sabia o que era melhor, o povo acreditava nisso, e os nobres e os clérigos se aproveitavam disso. Mas algo mudou desde então. Alguns começaram a questionar o fato do poder ser de poucos e que esses detinham o saber, a clarividência do “melhor”, onde seus melhores argumentos estavam no fato desse “melhor” ser melhor só para uns bem poucos mesmo.

"Se o povo não tem pão que comam brioches"

“Se o povo não tem pão que comam brioches”

Quem pode guiar-nos para o “melhor”? Platão imaginou uma sociedade governada por filósofos, será? Poderão alguns homens saberem o que é melhor para os outros? Você. Você sabe o que é melhor para si? Quantas decisões são tomadas diariamente e nos arrependemos delas quase no instante em que a tomamos? Quem de nós pode nunca errar? A civilização ocidental não encontrou resposta para isso, mas da dúvida elaborou um modelo, um modelo que serve a todos os homens, sem fazer juízo de valor sobre “melhor” ou “pior”, eis a democracia, uma ideia absolutamente original, e incomoda como estamos a ver, que como prática, tem suas falhas, mas dessas falhas nenhuma delas é a de que um homem detém poder absoluto para dizer o que é ou não, todos seus julgamentos são alvo de julgamento posterior e só assim pode-se imaginar algo próximo a isso que chamamos de justiça. Justiça, leia bem, nem melhor, nem pior, justiça somente. Você deve estar a alvoroçar-se, mas controla sua fúria e diz num timbre que aparenta calmaria: “Mas tudo isso não exclui o fato de que Renan é corrupto”.

É mesmo? Quem é você para o julgar? Pensei cá modestamente que tivéssemos instituições para fazer esse tipo de julgamento, estou errado? Agora você deixa a paciência de lado e expõe-se sem censuras: “São instituições corruptas também! TCU, TJ, todos seus membros são escolhidos pelos corruptos! Todos são corruptos!”

Você só acredita nas instituições quando lhe convém, quando elas prescrevem da sua receita de “melhor”. Com o ficha limpa você pensou que não veria mais esses políticos corruptos, mas eles estão lá e sua única saída é xingar a população de ignorante e burra. É amigo, sinto dizer, mas isso é democracia, não adianta xingar os alagoanos, os baianos, os cearenses  os maranhenses, os piauienses, eles votam em quem quiser e nem sua tentativa tola de impedi-los de votar funciona tão bem quanto acreditava. Aprenda a conviver com isso, pois se você reparar, esse seu discurso de “povo ignorante e burro” chama alguém, uma alguém especial, um líder supremo, um homem que sabe o que é melhor, detentor da justiça e da verdade. Continue a chamar esse homem e quando ele vier não adianta chorar e muito menos pedir para que os burros e ignorantes te salvem, eles serão os primeiros a te atirar à fogueira e rir-se de tu queimando, não esqueça, você fez de tudo para que eles te vissem como inimigo.

Quem é o palhaço?

Quem é o palhaço

Se o palhaço é alguém que provoca risadas, ao olhar para ti, não tenho dúvidas, estou a morrer de rir. É pena, essa risada me entristece.

Anúncios

Comente! Quebre as leis!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s