A nova e a velha história dos corações

Publicado: 30 de setembro de 2013 por Bill em Tudo Mais

O jovem viajante não sabia ao certo como acontecera, mas ali estavam eles ao seu redor. O jovem sorriu e respondeu a pergunta de uma moça que estava a sua direita.

Ouçam só o que esse jovem tem a contar sobre o amor, a mentira e o eu.

Conta o jovem o caso de Mosca e Dora. Mosca era um rapaz interesseiro que se casou com Dora pela sua fortuna. Dora era uma senhora de 74 anos, pequena e feia. Mosca a detestava. Não podia ver aqueles passinhos de lesma com as costas curvadas, dava-lhe agonia. O lamber constante dos lábios, arre, Mosca se arrepiava só de pensar! Mas Mosca a odiava sobretudo pelas coisas que a velha o fazia sentir. Mosca enojava-se de si. Toda noite Mosca se sentia o lixo mais imundo do mundo ao lado dela. Nunca conseguia dormir. Mosca passava as noites atento a respiração da velha, sobressaltando-se toda vez que o silêncio chegava, chorando toda vez que ouvia a respiração outra vez. Ah! Como Mosca odiava aquilo! Mosca decidiu-se então por não esperar. Certa noite, encheu duas taças de vinho e em uma delas colocou um veneno caseiro. Mas, isso acontece, acontece muito, faltou a ele a coragem que se conquista com os anos e, no último instante, Mosca trocou as taças e ficou observando a velha maldita beber um ótimo e saudável vinho. Desse dia em diante tudo mudou. Mosca passou a enxergar Dora. Espantou-se com a generosidade da velha para com os criados e mesmo desconhecidos. Seus cabelos escassos e muito brancos, a pele manchada e flácida que antes lhe davam asco agora lhe despertava compaixão. O velho hábito de lamber os lábios lhe provocava risos e Mosca se pegou rindo todo bobo. Mosca surpreendeu-se por estar apaixonado. Mas a felicidade de um jovem amante dura pouco. Dora adoeceu e morreu uma semana depois. Absolutamente desolado, quando Mosca leu o testamento em que Dora lhe deixava tudo, Mosca deu um tiro na cabeça. No testamento, Dora contava que uma empregada lhe avisara do vinho envenenado e que, arruinada, Dora decidira tomar o veneno. Mas vira seu amado trocar as taças, Dora então sentiu-se feliz, deus, feliz! Mas a felicidade nessa idade é uma faca de dois gumes e Dora rapidamente se lembrou do que o amado quase fizera e destrocou as taças. Dora não viu no gesto de Mosca amor, mas covardia e decidiu que seria melhor a morte do que um amor estúpido. Ah, pobre Romeu! Dora, orgulhosa como só aqueles de almas muito velhas sabem ser, esperava que seu amado contasse a verdade, assim, de posse do veneno, poderiam fazer-lhe um antídoto, mas o jovem tolo jamais imaginou que a velha soubesse de suas intenções passadas.

Aí, o jovem viajante levanta às lágrimas:

Eis meus amigus como termina a história do amor que mente para si. Perdoem! Perdoem essas almas apaixonadas, que novas ou velhas, feridas! esquecem que estamos juntos!

O jovem então corre, temeroso de que aquelas pessoas acreditem que ele carrega a verdade.

A verdade não está em mim, amigus! Está com vocês! Eu só contei a história que ouvi dos seus corações!

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