Sonho de uma tragédia doméstica

Publicado: 3 de fevereiro de 2015 por Bill em Tudo Mais

Sonhei noite passada que era uma dona de casa. Vocês sabem como é, às vezes a gente sonha um troço muito louco, sem pé nem cabeça, e o que é o mais interessante, tudo é absolutamente normal. Então quando me vi como uma dona de casa atarefada a única coisa que eu conseguia pensar era que por mais que eu esfregasse, jamais eu veria a cor original daquele forno. Nesse sonho eu estava muito ansiosa com alguma coisa, mas não sabia o que era. Toda hora eu olhava pro relógio, olhava pro relógio, e nada. Aí um fllho meu grita: Mãe, começou! Largo tudo e saio correndo, a casa me é completamente estranha mas sei perfeitamente aonde ir. As crianças se afastam prum lado do sofá e me sento, ainda ansiosa. É um programa de culinária! Por um segundo fico espantada demais para anotar, mas rapidamente me recupero e passo a registar cada detalhe: a quantidade de colheres, o tempo, a temperatura e principalmente o preparo, o preparo era o mais importante, porque receita na internet tinha, o programa ensinava a preparar. Chutei o cachorro pra fazer ele calar a porra da boca. Gritei e dei dois tapas nas crianças pra me deixarem ouvir direito. Foi quando aconteceu. O programa foi interrompido por uma noticia urgente, pam pam pam pam pam pam pam. UMA INVASÃO ALIENIGENA! Minha barriga doia de tanto rir! Acho até que me mijei um pouco. Mas a crianças olhavam sérias, e subitamente senti medo. Uma luz azul e um vento monstruoso jorraram pela janela. As crianças gritavam enquanto se agarravam em mim. Eu ainda ria, mas sem saber porque. Então o vento começou a chupar ZZZUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMM, e levou um, depois outro. Em panico, corremos para o banheiro. Ali, ficamos abraçados, chorando, chamando pelos outros. Então fez silêncio, e o vento chupou outra vez e ele foi sugado pela janelinha do banheiro. A janelinha era pequena demais para meu nenem que se despedaçou, só sobrando o bracinho dele na minha mão. Corri pra fora, gritando por eles. Estava escuro lá, embora fosse duas da tarde. E vi a luz azul correndo como a luz da lanterna de um gigante. Corri pra ela. Xingando, amaldiçoando-a. Vi várias outras pessoas que como eu corriam, gritando desesperadas. Vi várias serem esmagadas por aquelas patas monstruosas. Por fim alcancei a luz e um vento gelado me tragou para cima. Aonde? Não sei. Estava em um lugar imenso. Tão grande que minha cabeça dói só de pensar. Um homem vestido com um terno muito bem cortado entrou no salão colossal em que estávamos:

Olá, serei seu instrutor. Por favor, sigam-me.

As mulheres gritavam desencontradas.

Onde estão meus filhos?

O que está acontecendo?

Quem é você?

O que são aquelas coisas enormes?

Meudeusdocéu, onde nós estamos???

O homem de terno se virou e ajeitou os óculos de aros dourados antes de responder:

Vocês foram capturadas por alienígenas cereboríveros. Seus filhos estão mortos, ou estão morrendo. Não se preocupem. Vocês terão outros – ele sorriu. Agora, por favor, sigam-me. Eles não gostam de esperar. Não gostam mesmo, são bem voluntariosos. Enfim, venham, por favor.

Subimos em um esteira que nos arrastou velozmente pelo salão, ao longe, vislumbrávamos as sombras daqueles alienígenas monstruosos se movimentando. Quando a esteira parou, abruptamente, várias mulheres caíram, um até quebrou a perna.

O homem de terno lhe deu um tiro na cara. Pedaços de osso e cérebro encheram minha boca. Eu tentava ajudá-la a se levantar quando ele atirou.

Desculpem. Mas como disse, eles não gostam de atrasos. E isso nos atrasaria. Sinto muito.

Ele sorriu desconcertado.

Agora por favor, façam uma fila, o doutor vai examiná-las.

E então outro homem chegou, este vestindo um jaleco branco. Com um estetoscópio e uma luva de pelica com a qual abria nossas bocas e vaginas, ele nos examinou, uma a uma, com grunidos e gestos de andem logo, andem logo!

Terminado o exame, o doutor foi até o homem de terno e lhe falou ao ouvido, baixinho. O homem de terno sacou sua pistola e deu três tiros. Duas das três mulheres idosas alvejadas morreram imediatamente. A outra, um pouco mais jovem, desatou a correr.

Não faça isso!

Gritava o homem de terno tentando acertá-la, e de fato, acertando. Primeiro com um tiro na perna, depois mais quatro pelo corpo e um na cabeça.

Ele voltou limpando a testa com um lenço.

Por favor, não façam mais isso. Foi… – ele suspirou – desnecessário, extremamente desnecessário.

Ele guardou o lenço e gritou:

Pra esteira! Agora!

Já preparadas, subimos na esteira sentadas, quando ela parou, o doutor foi até um bicho que tinha duas vezes o seu tamanho. Era um tipo de humanóide, super obeso, com a cara deformada, e olhos, bracinhos e perninhas saindo por todo canto do corpo. Quando nos viu ele começou a resfolegar, babando grandes somas de saliva. O doutor puxou essa coisa por uma coleira enquanto o homem de terno pegou a primeira de nós e atirou-a  no chão, a arma apontada para sua cabeça. O doutor deixou a corrente escorrer entre seus dedos e a coisa avançou para a mulher. Ela tentou fugir, mas enquanto os musculosos braços pendiam inertes dos ombros, as centenas de pequenos braços espalhados pelo corpo eram incrivelmente fortes, e a seguravam bem firme.

Não se preocupem, é bem rápido.

Consolou o homem de terno.

Muitas mulheres gritaram de horror quando a coisa que era seu pênis saiu por entre as banhas. Era enorme e descarnado. Caí ajoelhada, sem forças para presenciar aquilo. Levei as mãos aos olhos para cobri-los, mas sentia aqueles milhares de olhos nos encarando, percorrendo de uma para outra, como se não soubessem o que pedir do menu oferecido.

Pelo menos foi rápido mesmo. Quando a coisa gozou, a força da ejaculação foi tão forte que várias gotas de semêm caíram sobre nós.

Várias meninas gritaram quando de suas costas outro pênis surgiu, maior e mais descarnado que o outro.

Não sei se desmaiei ou se essa parte do sonho simplesmente bloqueei, não sei. Quando dei por mim já estava na esteira, sentada, os braços envolta dos joelhos. Muitas mulheres choravam. De repente percebi a coisa crescendo dentro de mim, ela empurrava minhas coxas com força, de modo que tive de esticar as pernas para ver minha barriga inflando com um balão. Ao longo da esteira várias mulheres pareciam estar com 6, 8 meses de gravidez.

Paramos. Agora éramos colocadas em cubículos individuais, bem apertados, como um caixão. Antes de nos fechar lá, o doutor pegou um bisturi e fez um corte horizontal em minha barriga na altura do útero. Dali tirou um casulo rosa transparente em que um bebe deformado balançava. Os inúmeros olhinhos se abriram e me encararam. Pareciam chorar. O doutor fechou o cubículo e tudo ficou escuro e claustrofóbico. Não sei quanto tempo se passou, só sei que estava morrendo. Sentia frio, muito frio e uma dor latejante distante.

Então uma luz amarela jorrou sobre mim. Não podia fechar os olhos, não havia pálpedras para isso! Levei as mãos para cobri-los, mas meus braços haviam sido amputados! Alguma coisa passava correndo por mim. Era outra esteira, mas essa corria a altura do meu quadril e havia uma coisa nela, uma coisa muito fedorenta. A minha direita e esquerda, milhares de mulheres sem braços se curvavam para comer a coisa fedorenta. Muitas vomitavam. Estava desmaiando. Lembro de ter visto as máquinas de sucção lacerando meus mamilos, chupando o leite e o sangue dos meus peitos.

Quando acordo, sinto paz. O tapete é confortável, macio e quentinho. Vejo o programa de culinária na TV e sinto uma sensação incomoda no estomago. É aí que vejo o apresentador pegar um dos meus filhos pelos braços. É o mais velho, mas tem apenas 9 anos, tadinho, está chorando! Ele está minúsculo na palma da mão do apresentador. Ele diz que a carne de novilho é a melhor pela pouca quantidade de músculo. Ele joga meu filho sobre uma tábua de cortar carne e abre o peito dele com uma faquinha. Ele grita, desesperado.

Grito também, grito alucinada, não aguento mais! SOCORRO! SOCORRO!

Eu, sou eu sim, eu mesma me dou um chute e mando que eu cale minha boca, daí dou dois tapas nas crianças para que me deixem ouvir o resto do programa.

O apresentador sorri e diz:

Você não está aqui pela receita. Você sabe a receita. Você está aqui pelo preparo. Eu não sei que tipo de aberração necrófila você é, mas sei este é o seu programa favorito, aqui seu desejo assassino é satisfeito. Minha faca é acompanhada pelos seus olhos ávidos, você quase aplaude quando escorre o sangue pela mesa. Você ama a carnificina requintada. E você lembra do seu filho. O peito aberto fritando no óleo de azeite, temperado com cebolas e pimenta do reino. Ah, aquilo tinha um cheiro muito bom!

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