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Aconteceu de se encontrarem todos os sete juntos numa sala branca, sem saber porque ou como haviam parado ali.

Disse então uma criança com um ridículo chapéu vermelho depois de um tempo bastante longo de ausências.

Estou com fome.

Imediatamente um prato quente de arroz com feijão, bifes e batatas fritas se projetou a sua frente. O cheiro inundou a sala e o espanto tomou o lugar. Elas se levantaram e foram olhar o fenômeno de perto.

Uma pessoa que usava óculos de grau com hastes vermelhas perguntou:

Diga-me criança, quando disse que estava com fome, pensou neste prato que está a sua frente?

A criança hesitou um momento, e então respondeu:

Sim!

E se lançou sobre o prato comendo o bife com as mãos nuas.

Um outro que estava próximo a pessoa do óculos vermelho, falou:

Eu quero sair daqui.

Mas nada aconteceu.

Então uma voz rouca às costas desses falou:

Talvez, sejam só os desejos mais sinceros que possam ser realizados.

Eles se viraram para voz, a de óculos vermelho perguntou:

Ué, e tu? Porque não se levantou e veio até aqui verificar este negócio?

Ei, ela também não levantou.

Argumentou a voz apontando para uma pessoa que roncava alto.

A pessoa de óculos vermelho não gostou da resposta, disse:

Ora, por acaso não sente curiosidade? O prato surgiu do nada!

 

Tal qual vocês! Até onde eu sei, esse prato é tão curioso quanto vocês, ou eu mesmo…

A voz rouca olhou para as mãos como se nunca as tivesse visto antes e aparentava estar genuinamente espantado.

É verdade! Alguém gritou levando as mãos à cabeça.

Será que estamos mortos?

Todos olharam ao redor. Tudo era branco, tão branco que era impossível discernir o teto do chão ou das paredes, de fato, sequer era possível enxergar coisa alguma que não eles mesmos e suas sombras.

A pessoa de óculos vermelhos esticou os braços horizontalmente, avaliou alguma coisa e disse:

É muito estranho. Há luz neste lugar, mas não consigo detectar a fonte, é como se a luz simplesmente existisse como a escuridão existe e isso é impossível, pois se há luz, há uma fonte.

A pessoa com as mãos na cabeça falou:

Do que importa a física no inferno!

Ei, calma ae! Disse um outro de aspecto robusto com uma camisa vermelha estilo academia.

Quem disse que estamos no inferno? Fale por você! Ora, esse lugar é branco, não é? O céu é branco!

Mas que coisinha mais racista pra se dizer hein, disse uma pessoa não muito maior que a criança.

É verdade, concordou a de óculos vermelhos.

A pessoa com camisa tipo academia sorriu.

Que isso gente, todo mundo sabe que o céu é branco.

Mas se isto é o céu, disse a voz rouca andando de quatro, aonde está deus?

Isto não é o céu, disse a pessoa de óculos vermelhos.

Como você sabe? Perguntou a de mãos na cabeça.

Porque o céu não existe. Se estamos mortos, estamos, pronto.

Mas tem que haver algum propósito, argumentou a de camisa estilo academia

Tem? Ironizou óculos vermelhos.

Claro, interveio aquela que era pouco maior que a criança

olha, eu não gosto muito de você, esse ar de presunção me irrita, o outro nem disfarça o racismo, a criança não para de comer e nem sequer nos oferece uma batatinha, tu só fica de mãos na cabeça enquanto o outro só dorme e…

Todos procuraram pelo último dos sete e encontraram-na já pequeninha como se a sala branca simplesmente se estendesse pelo infinito.

MEUDEUSDOCÉU! – GRITOU COM AS MÃOS NA CABEÇA.

É O INFERNO! O INFERNO EU DISSE! OLHA! NÃO TEM FIM!

E a doida! completou a pouco maior que a criança rindo

Calma, calma! Vamos pensar! Você falou uma coisa interessante. Lembrei de uma peça do Sartre, o inferno são os outros. Talvez este lugar seja realmente o inferno…

A mãos na cabeça começou a chorar, o que fez a criança parar de comer.

Então é isso? Vociferou a camisa estilo academia

Vamos passar a eternidade aqui olhando um para a cara dos outros?

A mãos na cabeça chorava alto e a criança estava começando a querer chorar.

Bom, pelo menos não é o inferno de sartre strictu sensus.

Como assim? Quis saber a camisa de estilo academia.

Nunca leu o inferno são os outros? É que na peça as pessoas são incapazes de fechar os olhos. E são só três também. Ah! E o inferno deles é um hotel que eles nunca conseguem sair porque são incapazes de resolver seus problemas uns com os outros.

Nós somos sete, ou éramos começou a pouco maior que a criança olhando para onde tinham visto a doida se perder na brancura

acho que nós representamos os sete pecados capitais.

Ela apontou para a criança.

A gula.

Apontou para aquela que dormia.

Preguiça.

E eu, o que eu sou? Quis saber a camisa estilo academia.

Luxuria.

E porque?

Af, olha pra tu, aposto como se masturba olhando no espelho.

E desde quando vaidade é luxúria?

Você não é a vaidade, querida.

Ah, é claro, é você né?

Não, é a senhora arrogante de óculos vermelhos descolados.

Isso eu não posso negar, disse a de óculos vermelho

Mas e você, han? Inveja?

Não, to mais pra fúria.

Gente, gente, e eu? E eu?

Tu meu bem é a avareza, só pensa em ti.

A isso, ela abaixou as mãos da cabeça.

Se estamos no inferno mesmo, eu posso te matar sua filha da puta!

Então vem valentona, vem!

Puta não devia ser um xingamento, falou a óculos vermelho para ninguém.

Calma gente, tentou apaziguar a camisa de academia inutilmente porque as duas já estavam trocando socos e se atracando no chão que começava a ser pincelado de vermelho.

A criança então chorou alto e as duas pararam.

Uma delas levou as mãos a cabeça e correu para a criança tentando acalma-la.

Olha, começou a camisa de academia, to pensando aqui. Talvez isto seja um reality show, han? O que vocês acham? Alguém nos drogou e nos colocou aqui.

Ah, claro, porque você adora ser observada né?

Olha, você tá começando a me irritar também.

Ótimo, as duas brancas vão linchar a neguinha, quero novidade!

Espera, meditou a óculos vermelhos. Tem alguns padrões estranhos aqui. Todas nos somos mulheres.

Desculpa, mas você não é mulher, disse a de mãos na cabeça.

Sou o que eu quiser ser. Vejamos, uma transgênero, duas brancas, uma velha e uma halterofilista, três negras e uma criança com síndrome de down, este com certeza não é um reality show!

Tem uns realitys bem bizarros na TV paga.

Mas pra pagar uma produção dessa envergadura? Olha para essa sala! Esses canais underground não tem dinheiro pra pagar um cenário tão gigantesco! E aquele prato surgiu do nada, vocês viram!

Então nós fomos sequestrados por alienígenas! Desesperou-se a mãos na cabeça.

Pode ser, concluiu a óculos vermelhos.

Não, senhora arrogância, você tem razão. Somos um grupo heterogêneo demais. De certa forma, aqui estão representados os grupos mais marginalizados da sociedade. Vamos lá, a gente não tá fazendo nada mesmo, quem sabe existe alguma coisa por trás disso? não foi você quem disse que os personagens da peça não conseguiam sair porque não paravam de brigar? Vamos tentar conversar, então. Eu começo. Meu nome é Dona. Na verdade é Madonna, mas eu odeio esse nome. Foi o machista do meu pai que escolheu, enfim. Sou estudante de direito e sei lá, sou meio doidona, ceis já viram né?

Ok, sorriu a óculos vermelhos. Faltou um pouco de sororidade nas tuas atitudes miga, mas de boa. Eu sou Maria Almeida Alcântara. Sou trans desde que me entendo por gente, assumida desde os 15, quando fugi de casa. Sou formada em História, História da Arte e adoro literatura, tenho três especi, hum, acho que isso não é importante. Sou casada há nove anos, tenho duas filhas maravilhosa, uns vinte cachorros e… é isso.

Sou Vanessa, mas podem me chamar de vanessão, também tenho sobrenome Almeida, engraçado, né? Sou fisiculturista e luto muay thai nas horas vagas. Adoro surfar. E amo séries de TV.

Ah, sou Vitoria Conceição Prado… ann, fui professora de letras na PUC… tenho três filhos… e meu marido morreu no ano passado.

A criança olhava fixamente pro prato vazio.

E você, bebe? Perguntou vitoria.

Cristina, disse ela sem tirar os olhos do prato.

Ok, disse dona

A preguiça continua dormindo, mas pelo jeito parece ser uma moradora de rua. E aquela que foi embora, sei lá, parecia uma mina negra rica.

É, parecia, concordou Vanessão

Então é isso.

Elas ficaram em silencio meditando sobre o que tinham escutado.

Não adiantou porra nenhuma essa merda, falou vitoria.

É, não custava tentar, falou dona.

Escuta, ann, Maria, né? Que que você falou antes? Que eu fui sem soro… como é?

So-ro-ri-da-de. É um conceito sobre uma relação mais amistosa entre as mulheres. Tipo, na primeira oportunidade que tu teve tu já caçou briga com a senhora vitoria.

Ei, foi ela quem veio pra cima de mim!

Ok, então.

Quem merda hein, disse vanessão

Será que a gente vai ficar aqui pra sempre?

A gente podia tentar fazer que nem a doida, arriscou Maria.

Vei, essas horas a bicha ta louca atrás da gente. Olha, o inferno pode ser ruim, mas ficar sozinho eu acho que deve ser muito pior.

Concordo, disse Maria,

Eu também, disse vanessão

Mas eu não, falou vitoria

Eu não gosto de você sua putinha nojenta.

As mãos de dona se fecharam em punhos.

É. Você se acha especial né? Porque está aqui conosco, não é? Acha que é uma de nós? Você é só uma revolucionariazinha brincando no playgroud que nós deixamos você brincar, mas eu vou te dizer uma coisa, escute bem, os pretos são marginalizados por um motivo, imbecil.

E qual é?

Cala a boca, aconselhou Maria para ninguém.

Anda, fala, qual é o motivo?

Porque vocês ainda são símios, só por isso.

Elas se engalfinharam outra vez, e agora dona socava violentamente a boca de vitoria, que ria enlouquecidamente.

Você não pode me matar, sua gorila! Eu sou seu demônio e você é o meu! Nós vamos ficar aqui e dançar pra sempre.

Dona agarrou o crucifixo do pescoço dela e puxou.

Não! Devolve! Devolve!

Você não merece usar isso sua excrota do caralho! Cristo não dizia para amar o próximo?

Você não é meu próximo, imunda! Você esta mais próxima dos ratos do que de mim!

É, disse a voz da preguiça

Essa ideia de proximidade está defasada num mundo globalizado como nosso. Acho que ame o mais distante como você ama a si mesmo fica melhor

Mas você é

Você

É…

Como?

Ah, eu sai andando andando andando… ai vi que não ia dar em nada e tentei voltar, mas nunca consegui achar vocês.

Mas como é possível que você estivesse aí dormindo se você estava aqui com a gente conversando?

Não sei.

A preguiça bocejou longa e vagarosamente e aí, voltou a dormir.

Então espaço e tempo também não fazem sentido aqui, observou Maria.

Acho que nos podemos ser pensamentos, arriscou dona.

Pensamentos? Perguntou Maria.

É, sei lá, somos os desejos reprimidos de alguém.

Ou podemos ser os personagens de um livro como em um mundo de Sofia, falou Maria.

Ah, esse eu li! É verdade, pode mesmo.

Mas e se for, pra que estamos aqui? Perguntou vitoria

Bem, basicamente, a ideia de um livro é passar uma mensagem, disse Maria.

E que mensagem seria essa? Perguntou vanessão.

Ah vei, pode ser qualquer coisa! Disse dona

Não, lembra dos padrões? O nosso grupo dissonante.

Hum, e ai? Vai, tu é a senhora dos livros!

Bem, somos um grupo de pessoas marginalizadas, algumas menos, outras mais…

Talvez seja o lance do amor mesmo.

Hum?

De cristo. O lance que a doida falou. De amar o mais distante.

Ah, é. Mas, se fosse isso já teria acabado né?

Talvez já tenha, mas pra nós é eterno, lamentou vanessão

Se for assim, o pessoal lá da peça do inferno tá até hoje discutindo…

Mas tem uma coisa

O que? – perguntou vanessão esperançosa

Tem um livro do Dostoiévski que se chama o idiota. O idiota é como Jesus cristo seria tratado por nós, os egoístas. O idiota é uma figura amaldiçoada pelo bem, ele é simplesmente incapaz de rejeitar um desejo, por mais perverso ou injusto ou triste que seja. O idiota é a criança!

Hum, um pouco preconceituoso você não acha?

Só na mesma medida de quando a vitoria quis te ofender te chamando de filha da puta.

Dona sorriu e era um belo sorriso.

Então nós só temos que pedir a criança para nos tirar daqui?

Af vei

Falou a voz da preguiça

Sério mesmo? é isso que vocês vão pedir? de tudo que vocês podem fazer pelo mundo, é isso que vocês vão pedir? Preguiça de vocês, viu.

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Um professor de economia em uma universidade estadunidense (pq se não for nos eua não interessa) disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Essa classe em particular havia insistido que o capitalismo realmente funcionava: sem a interferência do governo penalizando os melhores pelo desempenho dos piores,
a sociedade seria mais justa, pois recompensaria os melhores e não o contrário.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento capitalista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.”

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Todas as notas seriam concedidas com base no desempenho individual  de cada aluno e aqueles que se destacassem seriam recompensados por “bônus da classe”. Assim, aqueles que receberem as maiores notas serão recompensados com esses bônus retirados das notas dos outros alunos.

Após calculada a distribuição das notas dentro do novo sistema a média da turma foi “B”, mas verificou-se uma maior disparidade no desempenho geral. Quem estudou com dedicação pulou de alegria, pois além do costumeiro A ganharam um bônus para as provas seguintes, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito descontentes com o resultado, pois todos receberam um “D” já que tinham de recompensar o desempenho superior dos colegas.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos, já que suas notas seriam subtraídas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que não precisavam estudar tanto agora, uma vez que a disparidade das notas aumentou, o bônus seguinte seria proporcionalmente maior. Como resultado, a segunda média das provas foi “D”. E embora os alunos preguiçosos protestassem contra a injustiça do novo sistema, os melhores alunos o defendiam, afinal, estavam sendo recompensados por serem os melhores, mesmo que não precisassem estudar como antes.

Depois da terceira prova, a média geral continuou sendo “D”. Os melhores continuaram recebendo A, mas agora todos os outros alunos receberam “F” para poderem pagar pelo desempenho superior dos melhores, que se acumulava prova após prova. As desavenças entre os alunos, a busca por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, a turma do “F” recusava-se a estudar para beneficiar a turma do “A” e a turma do “A” dizia que a culpa era deles por fazerem corpo mole, pois era só estudar e fazer parte do grupo de elite. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina… Para a total surpresa do grupo “A”.

O professor explicou: “O experimento capitalista falhou porque quando a recompensa se dá em cima do trabalho alheio, o esforço é minimo”. Assim, enquanto os mais ricos tirarem do trabalho de toda a sociedade suas recompensas  e distribuírem os dividendos entre si, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto o exemplo do mundo, em que os países mais ricos são recompensados por bônus retirados dos outros”

1. Você não pode elevar o desempenho global recompensando os mais ricos;

2. Para cada um recebendo sem ter que trabalhar, há milhares trabalhando sem receber;

3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;

4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la;

5. Quando uma pequena parcela da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois o restante da população irá sustentá-la, e quando este restante entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar essa pequena parcela, chegamos ao começo do fim de uma nação.

É o mais puro retrato do Brasil que vivemos.

JÁ DIZIA MARGARET THATCHER, “A CADEIA PRETENDE ENSINAR QUE O CAPITALISMO TEM UMA BASE MORAL E LEGAL E QUE NÃO É SIMPLESMENTE A LEI DA SELVA”.

Ainda bem que o professor não levou o experimento tão longe, né?

(Este Post foi baseado em uma historia vista aqui)

Discordo em vários pontos, mas sobretudo quanto ao perfil do eleitorado brasileiro. Como brasiliense sei muito bem o que é o antipetismo e sei que ele se infiltra diariamente nas casas de milhões de brasileiros pelo jornal nacional. É um erro crasso a meu ver pressupor que a população brasileira é progressista, não é, de jeito nenhum. Votou no lula porque ele se comprometeu em seguir as regras capitalistas e o governo fhc sofria um intenso desgaste. Continuou votando no pt porque identificou significativas melhoras em sua vida, e estou falando de gente que não votou no pt em 2002. É só comparar os mapas eleitorais. Agora uma guinada a esquerda, como quer a militância (eu, inclusive) é no cenário atual impossível. É por isso que os partidos de esquerda em geral se mostram tão insignificantes eleitoralmente, não compreendem o perfil ideológico da população brasileira exemplificada no sr barbeiro. Não entendem que é preciso ir com calma, pq a direita quer derrubar, sempre. Só que agora conta com um desgaste de 10 anos e um lamentável caso de corrupção. Mas ainda que discorde, não deixa de ser uma senhora análise do nosso momento político

Blog da Boitempo

15 03 17 Mauro Iasi LimitesPor Mauro Luis Iasi. 

Um amigo libanês, pintor de primeira e bruxo militante, mostrou-me certa vez uma adaga em uma bainha de prata ricamente trabalhada com uma inscrição em árabe que ele traduziu. A frase alertava ao portador da arma que seria sábio quem não a desembainhasse, mas aquele que o fizesse não usando a arma seria um covarde.

A delicada conjuntura em que nos encontramos está cheia de blefes, o que torna difícil a análise. A direita ameaça com o impedimento da presidente, um ex-presidente ameaça colocar o “exercito” de outros para defender o seu governo, outro ex-presidente tece pendores democráticos e de respeito a legalidade enquanto seu partido conspira na direção oposta.

Como sempre, para superar a borbulha enganosa da aparência, é necessário descer às determinações de classe e aos interesses em jogo.

[TRÊS BLEFES]

O equilíbrio do governo de pacto social sempre foi difícil uma…

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Ninguém podia ver a cor azul até os tempos modernos

Publicado: 4 de março de 2015 por Bill em Tudo Mais

Você está olhando atentamente?

Além do Laboratório

Por Kevin Loria

Fonte: Business Insider Fonte: Business Insider

Esta não é uma história sobre este vestido. Ou, ao menos, não é realmente sobre ele.

É sobre como os humanos vêem o mundo, e sobre como nós temos maneiras de descrever as coisas, mesmo sendo elas tão fundamentais como cores, que muitas vezes nem notamos que existem.

Até pouco tempo atrás na história da humanidade, o “azul” não existia, pelo menos não da maneira como compreendemos ele hoje.

Como o ótimo episódio “colors” do Radiolab descreve, as línguas antigas não tinham uma palavra para descrever a cor azul. Nem em grego, nem em chinês, nem em japonês e nem em hebraico. E, sem uma palavra para a cor, não há evidências de que eles identificavam a cor azul de fato.

Como Nós Percebemos que estava faltando o azul

Na Odisséia, há uma descrição famosa de Homero: “mar cor de vinho”. Mas por…

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Sonho de uma tragédia doméstica

Publicado: 3 de fevereiro de 2015 por Bill em Tudo Mais

Sonhei noite passada que era uma dona de casa. Vocês sabem como é, às vezes a gente sonha um troço muito louco, sem pé nem cabeça, e o que é o mais interessante, tudo é absolutamente normal. Então quando me vi como uma dona de casa atarefada a única coisa que eu conseguia pensar era que por mais que eu esfregasse, jamais eu veria a cor original daquele forno. Nesse sonho eu estava muito ansiosa com alguma coisa, mas não sabia o que era. Toda hora eu olhava pro relógio, olhava pro relógio, e nada. Aí um fllho meu grita: Mãe, começou! Largo tudo e saio correndo, a casa me é completamente estranha mas sei perfeitamente aonde ir. As crianças se afastam prum lado do sofá e me sento, ainda ansiosa. É um programa de culinária! Por um segundo fico espantada demais para anotar, mas rapidamente me recupero e passo a registar cada detalhe: a quantidade de colheres, o tempo, a temperatura e principalmente o preparo, o preparo era o mais importante, porque receita na internet tinha, o programa ensinava a preparar. Chutei o cachorro pra fazer ele calar a porra da boca. Gritei e dei dois tapas nas crianças pra me deixarem ouvir direito. Foi quando aconteceu. O programa foi interrompido por uma noticia urgente, pam pam pam pam pam pam pam. UMA INVASÃO ALIENIGENA! Minha barriga doia de tanto rir! Acho até que me mijei um pouco. Mas a crianças olhavam sérias, e subitamente senti medo. Uma luz azul e um vento monstruoso jorraram pela janela. As crianças gritavam enquanto se agarravam em mim. Eu ainda ria, mas sem saber porque. Então o vento começou a chupar ZZZUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMM, e levou um, depois outro. Em panico, corremos para o banheiro. Ali, ficamos abraçados, chorando, chamando pelos outros. Então fez silêncio, e o vento chupou outra vez e ele foi sugado pela janelinha do banheiro. A janelinha era pequena demais para meu nenem que se despedaçou, só sobrando o bracinho dele na minha mão. Corri pra fora, gritando por eles. Estava escuro lá, embora fosse duas da tarde. E vi a luz azul correndo como a luz da lanterna de um gigante. Corri pra ela. Xingando, amaldiçoando-a. Vi várias outras pessoas que como eu corriam, gritando desesperadas. Vi várias serem esmagadas por aquelas patas monstruosas. Por fim alcancei a luz e um vento gelado me tragou para cima. Aonde? Não sei. Estava em um lugar imenso. Tão grande que minha cabeça dói só de pensar. Um homem vestido com um terno muito bem cortado entrou no salão colossal em que estávamos:

Olá, serei seu instrutor. Por favor, sigam-me.

As mulheres gritavam desencontradas.

Onde estão meus filhos?

O que está acontecendo?

Quem é você?

O que são aquelas coisas enormes?

Meudeusdocéu, onde nós estamos???

O homem de terno se virou e ajeitou os óculos de aros dourados antes de responder:

Vocês foram capturadas por alienígenas cereboríveros. Seus filhos estão mortos, ou estão morrendo. Não se preocupem. Vocês terão outros – ele sorriu. Agora, por favor, sigam-me. Eles não gostam de esperar. Não gostam mesmo, são bem voluntariosos. Enfim, venham, por favor.

Subimos em um esteira que nos arrastou velozmente pelo salão, ao longe, vislumbrávamos as sombras daqueles alienígenas monstruosos se movimentando. Quando a esteira parou, abruptamente, várias mulheres caíram, um até quebrou a perna.

O homem de terno lhe deu um tiro na cara. Pedaços de osso e cérebro encheram minha boca. Eu tentava ajudá-la a se levantar quando ele atirou.

Desculpem. Mas como disse, eles não gostam de atrasos. E isso nos atrasaria. Sinto muito.

Ele sorriu desconcertado.

Agora por favor, façam uma fila, o doutor vai examiná-las.

E então outro homem chegou, este vestindo um jaleco branco. Com um estetoscópio e uma luva de pelica com a qual abria nossas bocas e vaginas, ele nos examinou, uma a uma, com grunidos e gestos de andem logo, andem logo!

Terminado o exame, o doutor foi até o homem de terno e lhe falou ao ouvido, baixinho. O homem de terno sacou sua pistola e deu três tiros. Duas das três mulheres idosas alvejadas morreram imediatamente. A outra, um pouco mais jovem, desatou a correr.

Não faça isso!

Gritava o homem de terno tentando acertá-la, e de fato, acertando. Primeiro com um tiro na perna, depois mais quatro pelo corpo e um na cabeça.

Ele voltou limpando a testa com um lenço.

Por favor, não façam mais isso. Foi… – ele suspirou – desnecessário, extremamente desnecessário.

Ele guardou o lenço e gritou:

Pra esteira! Agora!

Já preparadas, subimos na esteira sentadas, quando ela parou, o doutor foi até um bicho que tinha duas vezes o seu tamanho. Era um tipo de humanóide, super obeso, com a cara deformada, e olhos, bracinhos e perninhas saindo por todo canto do corpo. Quando nos viu ele começou a resfolegar, babando grandes somas de saliva. O doutor puxou essa coisa por uma coleira enquanto o homem de terno pegou a primeira de nós e atirou-a  no chão, a arma apontada para sua cabeça. O doutor deixou a corrente escorrer entre seus dedos e a coisa avançou para a mulher. Ela tentou fugir, mas enquanto os musculosos braços pendiam inertes dos ombros, as centenas de pequenos braços espalhados pelo corpo eram incrivelmente fortes, e a seguravam bem firme.

Não se preocupem, é bem rápido.

Consolou o homem de terno.

Muitas mulheres gritaram de horror quando a coisa que era seu pênis saiu por entre as banhas. Era enorme e descarnado. Caí ajoelhada, sem forças para presenciar aquilo. Levei as mãos aos olhos para cobri-los, mas sentia aqueles milhares de olhos nos encarando, percorrendo de uma para outra, como se não soubessem o que pedir do menu oferecido.

Pelo menos foi rápido mesmo. Quando a coisa gozou, a força da ejaculação foi tão forte que várias gotas de semêm caíram sobre nós.

Várias meninas gritaram quando de suas costas outro pênis surgiu, maior e mais descarnado que o outro.

Não sei se desmaiei ou se essa parte do sonho simplesmente bloqueei, não sei. Quando dei por mim já estava na esteira, sentada, os braços envolta dos joelhos. Muitas mulheres choravam. De repente percebi a coisa crescendo dentro de mim, ela empurrava minhas coxas com força, de modo que tive de esticar as pernas para ver minha barriga inflando com um balão. Ao longo da esteira várias mulheres pareciam estar com 6, 8 meses de gravidez.

Paramos. Agora éramos colocadas em cubículos individuais, bem apertados, como um caixão. Antes de nos fechar lá, o doutor pegou um bisturi e fez um corte horizontal em minha barriga na altura do útero. Dali tirou um casulo rosa transparente em que um bebe deformado balançava. Os inúmeros olhinhos se abriram e me encararam. Pareciam chorar. O doutor fechou o cubículo e tudo ficou escuro e claustrofóbico. Não sei quanto tempo se passou, só sei que estava morrendo. Sentia frio, muito frio e uma dor latejante distante.

Então uma luz amarela jorrou sobre mim. Não podia fechar os olhos, não havia pálpedras para isso! Levei as mãos para cobri-los, mas meus braços haviam sido amputados! Alguma coisa passava correndo por mim. Era outra esteira, mas essa corria a altura do meu quadril e havia uma coisa nela, uma coisa muito fedorenta. A minha direita e esquerda, milhares de mulheres sem braços se curvavam para comer a coisa fedorenta. Muitas vomitavam. Estava desmaiando. Lembro de ter visto as máquinas de sucção lacerando meus mamilos, chupando o leite e o sangue dos meus peitos.

Quando acordo, sinto paz. O tapete é confortável, macio e quentinho. Vejo o programa de culinária na TV e sinto uma sensação incomoda no estomago. É aí que vejo o apresentador pegar um dos meus filhos pelos braços. É o mais velho, mas tem apenas 9 anos, tadinho, está chorando! Ele está minúsculo na palma da mão do apresentador. Ele diz que a carne de novilho é a melhor pela pouca quantidade de músculo. Ele joga meu filho sobre uma tábua de cortar carne e abre o peito dele com uma faquinha. Ele grita, desesperado.

Grito também, grito alucinada, não aguento mais! SOCORRO! SOCORRO!

Eu, sou eu sim, eu mesma me dou um chute e mando que eu cale minha boca, daí dou dois tapas nas crianças para que me deixem ouvir o resto do programa.

O apresentador sorri e diz:

Você não está aqui pela receita. Você sabe a receita. Você está aqui pelo preparo. Eu não sei que tipo de aberração necrófila você é, mas sei este é o seu programa favorito, aqui seu desejo assassino é satisfeito. Minha faca é acompanhada pelos seus olhos ávidos, você quase aplaude quando escorre o sangue pela mesa. Você ama a carnificina requintada. E você lembra do seu filho. O peito aberto fritando no óleo de azeite, temperado com cebolas e pimenta do reino. Ah, aquilo tinha um cheiro muito bom!

A ousadia racista é, Tucana.

Publicado: 17 de outubro de 2014 por Bill em Tudo Mais

A representatividade do asco!

Imprensa Feminista

Por Stephanie Ribeiro

Imagem retirada da página maisaecio.com.br Imagem retirada da página maisaecio.com.br

Fico realmente impressionada com o PSDB, no sentido mais negativo possível, o partido é realmente a representação do Patriarcado e isso é mais  reforçado com suas coligações. Porém nessas eleições eu  estou intrigada como conseguem ser tão racistas, muita coisa me incomoda a ponto de me levar a fazer uma lista, vamos aos fatos:

Negros candidatos.

Raros, são bem raros. A proposito, o partido tem como maioria homens cis, héteros, classe média alta e brancos. Já vi inúmeros folhetos e não vejo negros nesse partido, como raramente vejo mulheres. Só isso já demostra a falta de representatividade, mantida ao longo dos anos, e por incrível que pareça não é difícil achar negros no Brasil, um país onde a maioria da população é negra. Contudo eles são capazes de ir mais além…

Tucanafro.

Com a ideia de “quebrar” a desigualdade, criaram um núcleo…

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Carta aberta de uma gordinha à Marina Silva

Publicado: 23 de setembro de 2014 por Bill em Tudo Mais

Breaking padrões estéticos machistas

Vã Filosofia

Por Camila Moreno

Marina,

está circulando pela internet um vídeo em que a senhora faz uma comparação entre você e a também candidata e presidenta Dilma Rousseff.  Entre as tantas comparações que podem e devem ser feitas entre as duas candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais, você opta por dizer é magrinha, enquanto Dilma é fortinha, exatamente com essas palavras, arrancando risadas e aplausos da plateia.

Camila Moreno Camila Moreno

Lembro com nitidez que a senhora já havia feito essa comparação com Dilma na eleição passada, ao ser perguntada sobre suas principais diferenças.

Dilma é a primeira presidenta da história do Brasil e essa é a primeira eleição com grandes chances de duas mulheres irem para o segundo turno. Uma eleição histórica, certamente.  Histórica porque em um país cercado de machismo por todos os lados; em que as mulheres são menos de 10% no Congresso Nacional; onde embora muitos avanços tenham…

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