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O gigantesco anjo dos estômagos de chumbo

Publicado: 6 de julho de 2014 por Bill em o Universo
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Ele é grande.

Tão grande quanto alguém pode ser.

Ele é quase deus,

não fosse sua proximidade cínica do diabo.

Ele é bom.

Tão bom quanto alguém pode ser.

E não fosse sua visão amaldiçoada do bem, ele voaria

Mas é um anjo podado com chifres de mentirinha.

Um anjo que tem aversão dos céus.

porque os céus não correspondem a suas vontades angelicais.

mas isso porque ele é bom.

Tão bom quanto alguém pode ser.

e a mesquinharia desse paraíso

tornam dele esse anjo

Amargurado

Que devora tudo, mastiga, trucida, engole, sofre

Oh, meu bom anjo

Encha teu peito de generosidade

os portentosos céus não hão de reconhecelo

Nunca.

Você sabe disso

Você é grande e tudo vê

Veja a tragédia desses corações livres

Perdoai-vos,

eles não se importam com o que fazem

Ah, sim

somos seres da escuridão

e remoemos a desgraça das sombras

sim,

inverno e outono

Não deixe que a luz ofusque seu coração angustiado por essa nossa condição lastimável

lastimável é.

mas,

regojizese

pois somente podados podemos estar aqui

estar aqui

para fazer com que os verdadeiros anjos voem.

Pois eles merecem a graça

que nós havemos de crescer e

depender um dia

desses anjos podados

e gigantes

com estômagos de chumbo

e asas de melancolia.

Espelho da liberdade

Publicado: 18 de setembro de 2013 por Bill em Tudo Mais
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Eu fujo dos espelhos

Nada me provoca mais terror do que

me estranhar

Lembro

quando olho meu reflexo

que minha voz não é a mesma que escuto

que meus olhos não são os mesmos que agora me encaram

que meus gestos longe da harmonia pretendida, são todos absurdos

que minha forma não condiz com meu desejo

que eu não sou Eu

Como falar em liberdade como sinonimo de autonomia se

Eu não existe?

se as palavras que escrevo não foram inventadas por

mim?

se as roupas que uso foram confeccionadas por mãos que sequer conheço?

se a comida que como é um cadáver mutilado e temperado sem qualquer sentimento de remorso?

Escolha? Como posso escolher se minhas opções já forma escolhidas?

se aprendi tudo isso, a não-ser, com os outros?

Mãe, pai, avó, amigos, professores

Vocês não são adultos, não são experientes, não são mestres

São vigias

É importante que Eu não ande de quatro

É importante que Eu não escute palavrões

É importante que Eu não mastigue de boca aberta

É importante que eu aprenda a falar corretamente

Para que os OUTROS possam me ouvir

Que liberdade é essa se não posso falar como bem entendo?

Pode existir liberdade fora de mim?

Pralém do Eu?

Ora, só a morte pode pôr fim ao Eu

Pois a única liberdade possível reside no nada!

Tudo mais é passar da juventude para a vigilância

E que longa vigília será essa?

Só a beira da morte encontraremos as algemas enferrujadas no pulso fendido

Com alívio a morte será recebida

e o silêncio nos tornará livres

pois afirmo

só aqueles que se negam a construir a Torre de Babel poderão gozar de liberdade

pois todo eu que procura ser pelos OUTROS está preso

No fim, você pode escolher entre liberdade e prisão

Entre solidão e amizade

Mas alerto:

Será mesmo você que encara o espelho ou é você o espelho que desafia Eu?