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Pela autogestão, Bill e sua experiência como diretor do CAHIS.

Os pequenos atos, gestos por mais insignificantes que possam parecer, contém a essência das relações humanas e, se você reparar, pode dizer muito sobre você e sua interação com o mundo.

by Wikipédia: Autogestão é quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia direta. Na autogestão, não há a figura de um líder (pelo menos não um com poder de minerva), todos participam das decisões em igualdade de condições. Os conceitos de autogestão costumam variar de acordo com a posição política ou social de determinado grupo. O conceito anarquista de autogestão se caracteriza por eliminar a hierarquia e os mecanismos capitalistas de organização envolvidos. Já os conceitos de autogestão empresarial, mantém os mecanismos tradicionais de organização capitalistas. 

Erroneamente, muitas pessoas compreendem autogestão como uma forma totalmente desorganizada de gestão, uma verdadeira bagunça, onde todos falam, poucos ouvem e nada se decide. Em primeiro lugar é preciso encarar este preconceito seriamente. Ainda muito pequenos, aprendemos que não devemos nos meter na conversa dos mais velhos, depois que devemos pedir a palavra antes de falar. Crescemos com a constante hierarquizante dos pais e passamos a naturalizar a autoridade. Esse preconceito tem uma raiz tão profunda, tão profunda, que até mesmo anarquistas dos mais ortodoxos admitem serem utópicos. Esse preâmbulo serve para identificar nossas crenças. Antes de prosseguirmos, pediria que refletíssemos um pouco sobre o assunto.

Será mesmo uma bagunça? Ou são as amarras invisíveis do comodismo?

O CAHIS teve uma experiência de autogestão um tanto quanto trágica. O CA ficou absolutamente abandonado e até vítima de um incêndio criminoso? foi. Deixa eu ver. Hmm. Nesse semestre, o CA também esteve absolutamente abandonado e até vítima de alagamento criminoso? foi. Ora, dessa vez tivemos uma diretoria não? Pois é Bill, uma gestão incompetente da qual você fez parte. Bom, e você? Você viu seu CA ser abandonado, viu uma gestão incompetente e não fez nada? Entrei nessa discussão, para demonstrar quão infrutíferas são essas brigas, ah sim, brigas, porque aqui não há argumentação sobre o que é melhor, mas sobre quem foi o pior.

Essas brigas, na minha humilde opinião, são, sobretudo, resultado desse sistema de gestão, no qual elegemos algumas pessoas para quem, outra vez na minha singela opinião, pôr a culpa. Ora Bill, para que colocar nesses termos? Porque só assim poderemos encarar a autogestão com seriedade, como uma aposta concreta, pensada e não como delírio de uma mente inquieta, dada a desvarios boêmios, comunistas, ou a merda que você quiser chamar para deslegitimar o discurso pró-autogestão. Vamos a um exemplo: CALOURADA.

Convocamos uma assembléia e os estudantes decidiram que o CA devia participar do evento. Bem, acontece que a Calourada precisou de mais dinheiro para a festa acontecer. E em uma reunião urgente de alguns membros da gestão, decidimos que seria melhor tentar salvar o investimento inicial feito pelo CAHIS. A história todos sabemos, a Calourada amargou tanto prejuízo que talvez nem o dinheiro emergencial vejamos novamente.

Alguns dirão: incompetência. Não se tenta remendar barco furado. Outros ainda: e quem deu o direito de tomar uma decisão como essa? Aos meus ouvidos, ambos dizem a mesma coisa. Seja por incompetência ou autoridade, é a legitimidade que está em jogo. Na última assembléia, lembro da Maíra exaltada com o absurdo do caixa do CA ir de 4.000 para 500 reais. Sua indignação obviamente parte da incompetência. Mas quem nos elegeu? Muitos argumentariam exaltados: só havia uma ÚNICA chapa. Não tínhamos escolha! Outros ainda romperiam aos gritos: eu não! Eu anulei meu voto. Vejam como esse sistema sempre impõe o jogo do empurra-empurra. Brigas assim trarão o dinheiro de volta? Então qual é o por quê disso? Acho que nesse ponto devemos refletir mais uma vez antes de continuar.

Peço a reflexão, porque sem um exame cuidadoso dos próprios pensamentos, só ficaremos na retórica e é preciso se chegar as nossas paixões. Acredito piamente que embora nossas palavras sejam puramente racionais, são fachadas ricas e complexas tradutoras dessas paixões. A minha vocês já conhecem, é a autogestão.

Podemos nos embriagar e agir. Podemos também só beber e reclamar no outro dia

Sei que tal principio se fia pela confiança que tenho na capacidade de cada um de vocês. Tento então, demonstrar com essas reflexões, como a argumentação pela eleição de uma diretoria é também ela, uma paixão irrigada pelos pais, pelos professores, pelos colegas maiores ou mais inteligentes ou melhores articulados. Se pudermos identificar essa paixão e refletir sobre ela, aí sim, poderemos discutir francamente e não apaixonadamente.

Continuando. E já estou terminando, juro. Por que o Bill, a Maíra, a Leila, a Isadora, o Sei Lá Mais Quem, por que nenhum de nós pediu que o dinheiro de CA fosse usado para isso ou aquilo? Alguém dirá: mas eu pedi para comprar um sofá. Outro: um som. E mais outro: uma geladeira. E porque não se comprou? Porque foi assim e não daquele jeito? Porque não é você que toma as decisões. Mas calma, não se apresse apontando o dedo para um culpado. A diretoria não toma todas as decisões. Questões de compras para o CAHIS foram levantadas em assembléia. Se você está reclamando porque seu desejo não foi atendido é porque não esteve presente nas assembléias, onde, finalmente, chegamos ao cerne da questão que este texto se propõe defender.

Já falei das decisões circunstancias na parte que mencionei se devíamos ou não salvar a Calourada. Mas as decisões importantes, como aquisições para o espaço físico, posições acadêmicas e estudantis (a ocupação do CAGEA, por exemplo), todas essas decisões são tomadas em assembléias, mas poucos vão e nisso, esses poucos tomam as decisões importantes.

Aí você dirá: Mas Bill, de qualquer forma, na autogestão você também vai sofrer com o baixo quorum. De fato, mas se você não foi a assembléia, qual é o seu direito de reclamar da decisão tomada? Bill, eu trabalho, não tenho tempo de ir a todas as assembléias. Então, digo eu, se pudesse você iria a todas as assembléias? Claro! Você responderá entusiasticamente. Você concorda então que a diretoria parte do principio de que uma vez que não temos tempo para participar de todas as questões pertinentes ao Centro Acadêmico, a diretoria eleita faria esse papel por nós? Se não temos tempo para participar de todas assembléias, como podemos fazer uma autogestão? O caso, é que tendo uma diretoria você também não terá tempo. É a sua paixão por um organismo funcional falando por você ou um disfarce cômodo para mascarar sua responsabilidade?

Dito isto, podemos discutir um modelo de autogestão que atenda nossas necessidades.

OU

 

Só mais uma coisa

Para esclarecer um possível equívoco quanto a minha postura: como alguém pode defender a autogestão e ao mesmo tempo fazer parte da diretoria?

Não é ao mesmo tempo. Primeiro eu defendo a autogestão, depois dela ser derrotada (tenho cá minhas esperanças que dessa vez não será) eu entro em alguma chapa que esteja mais de acordo com meus ideais. Não é uma contradição a meu ver. Acima de tudo eu não quero responsabilizar ninguém, seja pela minha preguiça, falta de tempo ou opção ideológica. Eu podia ficar calado também, mas vocês me conhecem.

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido, flamenguista, mineiro, sagitariano, petista, boêmio, metaleiro, tonto, divertido y dulce… um comunista pero no mucho. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!

Os tsunamis da vida e as raízes da imobilidade

Publicado: 12 de abril de 2011 por Bill em A Vida
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Em certos momentos da vida, precisamos de um tsunami. Ficamos acomodados, entediados, preguiçosos e covardes. Não estou gostando de como as coisas estão indo, mas estou por demais atarefado para me dar ao luxo de me preocupar com algo tão fútil como o meu desagrado.

Então você está sentado, é seu horário de almoço, mas você está sem fome. Espreguiça-se em sua cadeira confortável, sua mesa é grande, você é um cara importante. Tem até ar-condicionado no seu escritório! Há um quadro muito bonito pendurado na parede, você nota. Engraçado como nunca tinha reparado nele. Há uma árvore pintada lá. Se a intenção do artista era pintar uma árvore horrível, ele tinha conseguido com louvor. A árvore era horrível, velha e garranchosa, seca e amarelada. Não posso esquecer de jogar esse quadro fora, você pensa. A hora do almoço já está quase acabando e você continua sem fome. 

Repentinamente, o ar congela, para ser removido por uma ventania que dá lugar a um tsunami daqueles que a gente só viu na televisão. Seu escritório é arrancado do prédio em analogia ao que acontece com sua vida. O quadro com a árvore permanece preso a parede.

As vezes precisamos de um tsunami, porque alguns de nós são covardes demais para se mover por conta própria, ou ainda seja dado a mau-caratismos e acredite que se está ruim para você, está ruim para um bocado de gente e quando questionado sobre tal situação, responda sinicamente: temos que fazer alguma coisa.

Seu codinome é pilantra da silva. Na verdade você pensa: o problema não é meu e nesse caso, você realmente se convenceu que o problema não é seu mesmo. Se você está sentado no seu escritório quando o dia está lindo lá fora, a culpa não é sua! É do mundo! A realidade é o seu escudo, a sua árvore da imobilidade.

Em ambos os casos, seja por covardia, por preguiça ou por sem-vergonhice, você é o principal culpado. Você indigna-se em meio ao turbilhão que varre escritórios, casas, cidades inteiras, árvores gigantescas de imobilismos. Grita furioso para um pseudo-deus, que só existe nessas horas:

Porra! O que você queria que eu fizesse?! Tudo está errado! É fácil você falar sendo a porra de DEUS! Mas eu sou só um qualquer e quem pode fazer alguma coisa de fato ta pouco se fodendo!

E novamente você usa o escudo dos outros para eximir-se da culpa. Você é mestre nisso, aprendeu na melhor escola de todas. Passou a vida toda aprendendo nela. Mas não pode enganar a porra de Deus, afinal, ele sabe aquilo que nem mesmo você sabe, porque é mais que puro fingimento, você realmente acredita do fundo do coração que não pode fazer nada mesmo. E reza, todos os dias, para que um tsunami faça o serviço por você, porque quando ele lhe arrancar tudo, aí não há escolha.

A droga da escolha.

Você tinha a escolha de levantar-se e sair do escritório, mas você tem contas a pagar lhe diz seu bom-senso, perder o emprego não é uma opção. E você não chega nem a tentar. As raízes do seu imobilismo são muito profundas, foram plantadas antes mesmo de você poder andar. A primeira palavra que aprendeu foi não. A negação é uma defesa e essa porra de Deus bem sabe que é a melhor das defesas que existe, afinal foi ele quem inventou. Aí você fica puto, continua rodopiando e grita o mais forte que os pulmões lhe permitem, pois o mundo todo está girando agora e você pode gritar a vontade.

Foi você! Você fez as coisas desse jeito!

Então você lembra que nem acredita na porra desse Deus, que está conversando com a própria consciência, que deve estar puta da vida porque você ficou lá sentado no escritório, esperando pela fome, enquanto ela gritava enlouquecidamente para você se mover. E você chora de indignação, pelo mundo injusto que você mesmo criou dentro da sua cabeça. Se você sobreviver vai ter outra chance, será mais fácil você acha, pois o tsunami destruiu tudo o que se conhece e os sobreviventes vão ter que começar a partir do zero. A chata da consciência, agora consciente de si, cutuca-lhe a têmpora.

É, agora você não pode mais se enganar. Você sabe que sobrou muita coisa, pois nem um OMO da vida é capaz de tirar toda a sujeira.

E você sobrevive, está lá, ajudando a reconstruir o mundo e percebe que depois de muito esforço, o mundo vai ficando do mesmo jeito que estava antes, daquele jeito desagradável, onde as horas de folga são uma chatice. E você olha para os rostos a sua volta, impotência, indiferença, tristeza, conformidade. Há algo errado naquilo tudo, você sabe, todos sabem, mas fazer o quê? As coisas são do jeito que são. E você dorme, cansado.

Em um sonho, que você não vai lembrar quando acordar, você é levado pelo tsunami, pois nem mesmo sonhando você se permite fazer alguma coisa. Você novamente tranca a consciência naquele lugar da sua cabeça que é hermeticamente fechado, onde o quadro com a árvore feia não pode ser removido. Ali, nem mesmo um tsunami, apesar de todo o poder de devastação, pode entrar. Pode perturbar, mas não entrar. Entrar nunca. Não há furacão, terremoto ou tsunami capaz de arrancar as raízes da sua árvore de certezas.

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido, flamenguista, mineiro, sagitariano, otaku, metaleiro, sertanejeiro, petista, rabugento, boêmio, tonto, divertido y dulce…. um comunista pero no mucho.