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Olá, eu sou o Bill. Sou formado em História pela UnB e estou começando o curso de Direito, também na UnB. No dia 20 de março, domingo, na praça da biblioteca nacional, eu participei de uma reunião e o que eu encontrei lá foi…

eu simplesmente preciso compartilhar com vocês. E não é só a idéia, mas também a forma, sua manifestação prática e por isso muitas vezes inapreensível e imprevisível. E todo esse movimento partiu de um grupo que eu, por puro preconceito, julgava ser impossível que pudesse partir. Impossível.

Pra falar disso, infelizmente, eu preciso falar de mim. Sim, infelizmente. Porque considero absolutamente necessário que vocês entendam as raízes do meu pensamento que acredita nesse movimento difuso, mas de potencial simplesmente inesgotável. Porque como eu tinha dito não é só a idéia, mas a forma com que ela se apresenta. E o horizonte radical e banal – banal! – pra onde ela aponta. Um aviso aos navegantes. A toupeira que só conhece as trevas do mundo subterrâneo quando por acaso se depara com a luz fica imediatamente cega. Então vamos lembrar da primeira frase do Guia do Mochileiro das Galáxias: NADA DE PÂNICO!

Eu sempre fui pobre e só muito recentemente minha família teve acesso a itens mais supérfluos de consumo, como televisões gigantes, geladeiras cabulosas e carros mais ou menos novos, quando não novos, zerinho de fabrica! Mas isso foi só recentemente. 20 anos atrás nossa situação era desesperadora. O pai trabalhava na sab e tinha sido demitido naquele processo de “demissão voluntária” do Fernando Henrique, ou foi do Itamar, não sei, mas foi nessa época ai. Esse pai era alcoólatra e extremamente machista a ponto de obrigar minha mãe a usar calças maiores (e a mãe já era meio gordinha), o tipo de pessoa que quando a esposa puxava os parabéns para uma criança, ele ficava dando beliscões nela em segredo. Vocês já podem imaginar. O pai espancava minha mãe. E um dia ela foi embora. De casa. Mas não das nossas vidas. Foi a mãe quem nos sustentou durante alguns anos. Eu, meu irmão, minha vó e o pai. Minha vó vendia dindin pra ajudar no pão de cada dia. Vocês sabem quanto era o salário mínimo nos anos 90, né? Pois então, era esse salário que sustentava cinco pessoas. Daí quando a mãe podia ficar com a gente no fim de semana, que a gente ia numa festa dos colegas de escola dela, pq ela voltou a estudar, (o pai a tinha proibido de continuar os estudos quando casaram), ta rolando lá a bagaceira do é o tchan e eu digo pra mãe, no meio dos amigos dela: Você ta dançando que nem uma galinha.

Esse é o tipo de pessoa que eu sou. Em essência, alguém que acredita em alguma coisa e é capaz de qualquer coisa por ela, até mesmo renegar a própria mãe. Mas vamos lá.

Passado algum tempo, nós fomos morar com ela, num barraquinho, um puxadinho da casa do meu avô, que morreu recentemente e que por tudo que fez com a minha mãe deve ta ardendo no inferno. Pra não me alongar muito, não vou falar do que ele fez com ela, mas conosco. Em síntese, pra vocês entenderem, meu vô era uma pessoa que saia para trabalhar, 6, 7 horas da manhã e desligava a chave de energia elétrica. Daí, minha mãe saia para trabalhar e eu, meu irmão e minha prima ficávamos sem luz até as 7, 8 ou 9 da noite quando ele voltava. Minha mãe conta, eu não lembro, devo ter bloqueado essa parte porque morro de medo dessas coisas, que ela dormia abraçadinha com a gente porque tinha medo que uma ratazana pudesse cair do teto e comer a gente vivo. Ela via as ratazanas circulando por entre o plástico que revestia as paredes de madeira do barraco.

Então foi essa a minha infância. Não é difícil entender meu ódio pelo mundo. Minha mãe vivia estressada com essa vida de merda, sem poder dar uma vida digna pros seus filhos, trabalhando que nem uma louca pra ganhar uma miséria. Ela sempre estava furiosa e super agressiva. Batia muito na gente.

E eu te entendo, mãe.Te entendo perfeitamente. Se você tivesse colocado um travesseiro na minha cara e me sufocado a noite, eu também entenderia. Você na verdade foi uma guerreira, uma heroína. Isso não apaga seus crimes. Mas é que suas vitimas te perdoam. Eu te amo de todo coração. Desculpa por entender tão tardiamente a senhora.

OK. Tai meu ódio. Minha mãe me batia e eu a amava e não entendia porque ela me batia ao mesmo tempo que entendia sim porque, as vezes, ela gritava que estava ficando LOUCA! Que não agüentava mais, que ela tinha vontade de pegar tudo e ir embora (e fala até hoje, menos, mas fala. Eu mudei, nós mudamos, mas também não foi tanto assim). Eu tinha raiva porque de certa forma eu conseguia compreender, com 11 anos, 12 anos, que se nossa vida fosse um pouquinho mais confortável materialmente a gente não teria todo aquele estresse inflando o barraco. E na adolescência, e mesmo depois, esse ódio se tornou em desprezo total e violento pela democracia. Não só pela minha vida. Eu ainda tinha a empatia de perceber que se tava ruim pra mim, fi, tava muito pior pra uma GALEERAAA. Eu lembro de uma reportagem do ratinho que ele chorava (não sei se por sensacionalismo, enfim) que mostrava uma agreste nordestino, onde o povo da região fazia uma mistura de farinha e barro porque não tinha nada pra comer.

Eu odiava a democracia. Era o véu que fazia a gente ficar quietinho enquanto a excrotidão rolava solta país afora. Eu a desprezava e até hoje isso, em parte, está dentro de mim.

Então, pouco antes de ingressar na UnB, no cursinho, eu era um coxinha de cabo a rabo. Quando saiu o negócio do mensalão e a mídia começou o processo golpista. Globo, tá gente? era praticamente a única fonte de informação que eu tinha. E foi uma lavagem cerebral. Eu lembro que quando saiu a capa da veja com o título: Lulalá e os 40 ladrões, eu recortei o nome dos 40 denunciados e coloquei na parede do meu quarto (parede de reboco, não de madeira, as coisas tinham começado a melhorar). Eu queria lembrar pra sempre do nome dos 40 desgraçados que tinham traído a esquerda e roubado milhões.

Corrupção.

Será que pode existir alguma coisa mais horrível para uma democracia capenga do que a corrupção? Po, já ta uma bosta dos infernos e ainda tem uma galera que rouba???

Não, esses 40 tinham que ser açoitados em praça publica como exemplo, era o que eu pensava, era o que eu desejava, era o que eu queria fazer se pudesse.

Gente, nessa época, no Orkut, eu tava num grupo que se chamava: Sou brasileiro, e já desisti (alusão a propaganda espetacular do primeiro governo lula). Eu não acreditava no Brasil e a bandeira nacional era meu único refugio. Vei, eu simplesmente não sei como esse troço ufanista funciona, mas sei lá, ta escrito ordem e progresso naquele pedaço de pano, e ai vc pensa, ah, se tivesse um pouco de ordem e progresso tava bom. Não sei, o negócio é que eu beijava a bandeira e se encontrasse algum petista defendendo o governo eu ia agredi-lx cabuloso, nunca fui de violência física, mas violência verbal era comigo mesmo. E olha só o meu loop fascista-cristão, eu insulto a pessoa, xingo ela, escrotizo até que ela me dá um soco. Aí, é ela quem ta errada e eu sou superior moralmente. Sim, 100% coxinha. #VemMeteoro.

Mas ai,

#EsperaMeteoro, espera

ai

no segundo semestre de 2007, eu passo de segunda chamada para o curso de História na UnB.

Foi um choque. Pensei que ia encontrar uma galera revolucionária e tals, que nada. Tudo coxinha, pior que eu. Pior que eu, dá pra acreditar? Porque pelo menos eu era pobre e queria fazer alguma coisa. A maioria do povo que encontrei só queria saber de cachaça, mulher e futebol. Falar em política numa mesa de bar para eles era uma heresia. Colei com a galera do serviço social. Ali a política era fulminante. Ia pro bar e discutia sobre o governo lula e a corrupção, a traição da esquerda. Mas eu ainda tinha um ódio sinistro dentro de mim.

Ver gente branca, de olhos azuis, que mora no lago sul, falando que a gente devia pegar em armas e fazer a revolução!? (o que eu achava que era o único caminho possível) foi um choque classista violento demais para os meus pobres horizontes de mundo. Meu raciocínio era bem simplezinho:

vei, como uma pessoa que nunca sofreu o que eu sofri pode querer fazer a revolução?

Quem ela pensa que é?

E caso tenha coxinhas lendo, revolução pode ser uma coisa simples como pôr um basta na corrupção. Uma parada tão utópica quanto o comunismo, mas vamos lá.

Daí que eu comecei a me aproximar mais da galera da História e me entreguei as futilidades da vida universitária. Esquecer política, esquecer o ódio, esquecer dos problemas (que estavam diminuindo consideravelmente, lá em casa por exemplo a parede não era mais de reboco e minha mãe tinha conseguido comprar o primeiro carro de madame dela). O negócio era beber, beber até a morte. Fumar muito, rir muito. Ficar louco.

Recomendo que todo mundo em algum momento da vida se deixe levar por esse frenesi dionisíaco, é pesado? é, mas tem algum role meio mágico nessa parada. Os amigos que fiz ali estão no meu coração até hoje, mesmo os que eu não tenho mais contato.

A gente de vez em quando se reúne para jogar RPG

E falar sobre política, sim! Por horas e horas! (acho que a última foi sobre racismo, muito boa)

Enfim, em algum momento que não sei dizer qual, eu virei petista. Agora eu tinha acesso a uma serie de informações que me eram negadas.

Sabe, vou te dar um exemplo prático do role.

Quando a presidenta Dilma disse que a gravação ilegal revelava que o termo de posse era só para o caso do lula não poder vir a Brasília, pense o seguinte: onde está a trabalhadora e o trabalhador quando ela disse isso?

Tavam trampando, muito provavelmente, elas e eles não puderam ver a integra do discurso.

Daí esses trabalhadores chegam em casa e vêem a maravilha do jornal nacional, Willian bonner editando o discurso da presidenta e claramente debochando da explicação oficial.

Assim, eu particularmente achei uma desculpa bem esfarrapada também, mas qual é o papel de uma concessão pública? servir ao público! Não aos seus interesses privados! É preciso buscar intransigentemente a imparcialidade (eu sei que é impossível, to falando de tentar carai). Só que o sem-vergonha não faz isso! Ele passa a idéia para a trabalhadora e o trabalhador de que a presidenta num tem mais respeito por você e ainda que isso seja verdade, aqui vai:

WILLIAM BONNER NÃO SABE A VERDADE.

Em verdade, ninguém sabe, e o papel de alguém que serve ao publico, e era pra globo, veja só, servir ao público, ela serve aos interesses de seus donos, que podem simplesmente não gostar da cara da presidenta. O papel de uma concessão publica é buscar apresentar os dois (ou vários) lados e permitir que a pessoa forme a sua própria opinião a respeito.
Mas a globo não faz isso. E é um role sistemático. É dessa lavagem cerebral que eu tava falando.

NÃO TEM OUTRO LADO.

Olha ai meu ódio voltando. Mas ele conseguiu se acalmar, e pq? Porque o PT era governo e vei, além de acabar com essa desgraça que era a fome, o PT ainda ampliou o acesso a universidade pública, eu sou prova viva disso, entrei em 2007, criou pasta de igualdade racial, combate a violência domestica, pôs a marina silva no meio ambiente por um tempo, ciro gomes na transposição, gil na cultura e uma centena de coisas mais que não to lembrando agora. Meirmã, nem no sonho mais louco tu poderia sonhar com isso. Mas não foi de imediato, eu fui vendo isso aos poucos. Fiquei cego no inicio, mas se você não entrar em pânico, você acaba se acostumando com a luz.

Então estamos aqui, o golpe costurado em 2006, lá em 2006, ta ai outra vez. Agora eu já conheço história. Conheço a versão que me foi negada conhecer. Agora eu sei, e não é difícil entender porque eles não querem que a gente saiba. Porque é muito fácil você montar paralelos com o cenário atual e 64. fácil, fácil. As crises institucionais, o discurso contra corrupção, o medo do comunismo e seus espantalhos: se na época era cuba, união soviética, china, agora é foro de são Paulo, farcs, unicórnio, enfins.

Os golpistas de hoje aprenderam com 64. Os monopólios de comunicação e a plutocracia jamais permitiriam que os militares comandem novamente (há não ser que haja guerra civil).

E nós?

O que nós aprendemos com 64?

Democracia. Numa sociedade capitalista, são os ricos que detém o poder. São deles os meios de comunicação, são eles, seus filhos e parentes, que ocupam as maiores carreiras do funcionalismo público. Eles governam tudo. Por isso nossa democracia é essa coisinha tão frágil. Mas é democracia. Pense o seguinte. Pelo menos, eles tem o pudor de mover o corpo de um jovem negro para outro lugar porque sabe que isso é errado e ele pode ser eventualmente punido por seu assassinato. Numa ditadura, minha amiga, meu amigo, o jovem negro é deixado lá mesmo, no meio da praça, para que todo mundo veja e entenda o recado. (veja Cidade de Deus de novo). É essa a diferença. É pouca? Sem duvida. Mas é essa que temos e é nela, acredite se quiser, que tudo é possível, tipo, operário presidente da república ou uma mulher torturada pela ditadura militar ser comandante das forças armadas num país extremamente machista. Oxe, dá pra fazer altos roles. E é pela democracia que nós podemos denunciar esse genocídio da juventude negra, o feminicídio, a desigualdade social, etc.

Mas nada se faz, alguém diz entre triste e meio enraivecido comigo.

Mentira. É só que é muito pouco e lento porque é democracia. Democracia numa sociedade absurdamente desigual. Por isso a democracia é difícil, porque os atores tem forças diferentes. Você não tem a mesma força que o neto do Roberto Marinho. Ele tem muito mais poder. Mas uma democracia perseguida com inexorável resiliência pode um dia encontrar uma forma de horizontalizar essas diferenças, distribuindo pesos diferentes para atores diferentes. Quer um exemplo prático? COTAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS (Q pra mim nem é o modelo ideal, pq se se assume que a universidade pública não pode atender todo mundo, então que seja por sorteio, mas foi só um exemplo de como a democracia pode se efetivar sobre forças contrárias poderosíssimas).

Eu reconheço que tenho uma ligação mística com a democracia.

Lembre-se: NADA DE PÂNICO.

Lembra daquele negócio fascista que eu falei de provocar e depois de tomar porrada eu sair como superior? Isso é fundamentalmente cristão. É claro que é uma postura distorcida, mas no seu âmago é a busca da paz. Vc pode me provocar, vai fundo, mas se eu não reagir, independentemente do que vc faça comigo, eu sou melhor que você. Cristo era melhor que todo mundo, porque amava todo mundo e perdoava tudo aquilo que ele considerava errado. Coisas praticamente imperdoáveis para a sociedade da sua época, como o adultério por exemplo (o que é fichinha se vc pensar que os evangelhos afirmam que cristo foi capaz de perdoar os próprios torturadores). E o cara se sacrificou por esse ideal. Porque acreditava no amor de Deus Pai.

Morreu por porra nenhuma.

Deus não existia e a sociedade continuou uma bosta fumegante. Mas ainda que esse Deus católico possa não existir, a idéia de Cristo existe. É ela que ao longo do tempo fez as pessoas humanizarem umas as outras. Ou você acha que um bolsonaro da vida, se não fosse o dogma cristão, teria qualquer pudor de colocar um grilhão num negro e sabe-se lá o que mais? O que o impede de ser mais repulsivo do que ele é, é a moral cristã. Não que ele ame o próximo, esse canalha sequer deve saber o que é amor. Mas é essa moral que impede seus surtos fascistas. Dele e dos seus seguidores.

Não entre em pânico. Você não precisa acreditar nessa minha democracia maluca. Acredite na sua. Que seja sem amor. Se existir o respeito pelas diferenças tá tranqüilo, ta favorável.

Mas preciso dizer, pq eu preciso reencantar o mundo. Eu amo. Eu amo o bolsonaro, (não muito, mas eu tento, juro) porque sinto pena dele. Ele não sabe o que faz.

E esse sentimento em mim é pura democracia. Radical. Visceral. Incondicional. Ridícula. Absolutamente ridícula. Dá até pra imaginar o bolsonaro gargalhando disso.

Mas é ridícula tal qual Dostoievski imaginou o sonho do homem ridículo.

Estou concluindo, mas antes permitam-me uma pequena digressão. Alguém já assistiu formiguinhaz? É um ótimo filme, quase um tratado sociológico e filosófico sobre o individuo e a coletividade que coloca no povão a sustentação da sociedade, mesmo que esse povão possa ser facilmente descartado quando se tem vontade. Mas a melhor imagem motivacional ficou com uma outra animação da época, com o mesmo tema, vida de inseto. Quando um gafanhoto deixa cair uma semente sobre a cabeça de outro gafanhoto e pergunta: doeu? Ao ouvir um “não” risonho, o líder dos gafanhotos despeja milhares de sementes em cima dele, soterrando-o.

No dia 20 de março, domingo, na praça da biblioteca nacional, eu participei de uma reunião e o que eu encontrei lá foi isso. Nós. Juntos. A força. Mas não a turba fascista. Democracia.

O evento era organizado pela Luisa Oliveira e o Franklin Rabelo, dois, para mim, notórios ex-militantes do PSTU. A Luisa eu conheci na ocupação da reitoria e o Franklin por causa do grupo fascista enrustido da UnB no facebook.

Vei, eu comentei com uma amiga: Eu vou nesse evento para ouvir. É a galera do PSTU vei, os caras só querem saber das suas vivencias, democracia zero, super potencial fascista.

E lá, mesmo com toda pressão da militância do PSTU, outras pautas surgiram em defesa da democracia, contra o golpe (que o PSTU acredita que não existe pq para eles é só a direita se estapeando, e pior, o PT por sua história na esquerda ainda desmobiliza as bases, avaliação muito válida). Mas, inacreditavelmente, para o meu preconceito chulo e reducionista da humanidade, a galera aceitou as opiniões contrárias e aceitou construir um movimento juntos.

Olha, vou te contar, to arrepiado até agora.

Pq eu admiro vocês. Vocês são tudo que eu quero ser, mas tenho preguiça. A galera que organiza, que se dispõe a perder o fim de semana, que faz de um tudo pelo que acredita. Vei, se tu coloca democracia num negócio desses, então, não tem limites. Pq o único limite da democracia é a própria democracia.

Democracia pra mim é como aquela montanha de ouro que o tio patinhas mergulha. O dinheiro é o sonho dele. A democracia é o meu. Sei que nada sei, e é por isso que eu preciso te ouvir. Nada me deixa mais feliz do que te ouvir e ver outras pessoas se juntarem para fazer o mesmo. Procurar entender. Talvez discordar. Refletir, quiça profundamente. Ouvir outra vez. Democracia é o nirvana orgásmico pra mim.

E aqui vai o que eu quero propor. É bem banal, mas eu espero q vc pense com um pouco mais de seriedade do que eu mesmo consegui fazer aqui (sou sagitariano, não resisto a piadas).

A frente única tai, decidida lá no dia 20, só que eu quero lançar o conceito de DEMOCRACIA PLENA, RADICAL, VISCERAL, INCONDICIONAL E RIDICULA.

O que é isso, bill? (eita brisa pesada)

Agora todos serão ouvidos (não todos né? Quem quiser falar, a gente não tem a vida toda pra perder numa assembléia).

Oxe, vei, isso ja existe doidão, foi o que rolou lá inclusive.

To ligado, mas a questão aqui é Todos. Numa perspectiva fundamentalista.

A maioria prevalecerá? bem, sim. Mas nós da esquerda sabemos que uma democracia não se faz sem respeito as minorias, as diferenças. E nós somos capazes de viver isso. De colocar isso em pratica. Porque nós respeitamos a democracia.

Dia 20 não me deixa mentir.

Mas ela precisa ser também visceral. Radical. Incondicional. Mas sem ilusões, esta será a democracia mais ridícula de todas. Mas também será a única verdadeiramente plena. É preciso levar a democracia para todos os âmbitos da nossa vida. Como? Eu tenho minha ideia, a gente pode se encontrar e discuti-la, que tal?

Isso foi compartilhado 500 mil vezes no facebook. Não resisti.

12 Páginas de uma Revista Francesa (France Football) que resumem o Brasil em todos os sentidos:

Ok, vamos ver com funciona uma lavagem cerebral. Digo isso pq tenho conhecimento de causa. Já fui fascista de esquerda. Típico produto desta lavagem cerebral. Você passa a odiar o país em que vive, todo mergulhado ele em corrupção, e você, o incorruptível, é o único que vê a VERDADE, e ou se organiza politicamente na oposição com um discurso raivoso ou começa a destruir e a sabotar tudo pq tudo e todos são farinha do mesmo saco, menos vc.

– Apesar do lema brasileiro: “Ordem e Progresso”, o que menos se vê na preparação deste mundial, é Ordem ou Progresso. É claro! Quem escolheu esse lema? É interessante pensar em Ordem e Progresso num dos países mais desiguais do mundo. Ordem para que os pobres não se rebelem e Progresso para que eles tenham esperança.

– A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta. Que Brasil? Há vários brasis. Um deles não gostou nada nada da falta de discussão quanto a sediar um evento caríssimo e fútil. E falo isso como petista.

– A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo. Repito: o brasil é um dos países mais desiguais do mundo, como não ser corrupto quando a própria sociedade promove a corrupção? Se vc acha que ver todos os dias dezenas de pessoas dormindo na rua e continuar indo pro trabalho ou pra escola não é corrupção, eu peço encarecidamente que você reflita sobre esse conceito.

– A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios. Disso não posso falar, sou pobre, nunca precisei ir num cartório na minha vida.

– Tudo se desenvolve a base de propinas. Atire a primeira pedra o país capitalista em que isso não ocorre. O que ocorre é que há uma parcela significativa da classe média que está descontente com o governo e credita os males do país a corrupção desse governo. Quer ver? olha o tópico seguinte.

– Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles. Viu?

– Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada. Ele fala isso pq credita os males do país a “população burra que não tem culpa de ser burra, mas é mesmo assim” que votou no governo lula.

– O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política. Porra, futebol (o esporte em geral) é bem mais legal que política, em que país não é assim? Eu respondo, os países chatos.

– O Brasileiro elege jogadores de futebol para cargos públicos. Isso é piada, né? E Ronald Reagan? não foi jogador, mas era uma celebridade como tal, o que sabia de política? Ora, sei lá, se voto em um candidato é pq me identifico com ele, não é essa a idéia de REPRESENTAÇÃO? Mas esse é o velho discurso de autoridade, como se o fato do cara nunca ter ido a escola o desqualificasse para representar quem quer que seja. NOTA: esse cara obviamente não se sente representado pelo governo lula. 

– Romário (ex-Barcelona) é hoje deputado. Aproveita o descontentamento com a Copa para se auto-promover, mas nunca apresentou um projeto de lei sobre saúde ou educação. Sua meta é dar ingresso da Copa para pobre(como se essa fosse a prioridade para um pobre brasileiro). Romário é um dos deputados mais atuantes da Câmara. Sem mais.

– O Deputado mais votado do Brasil é um palhaço analfabeto e banguela, que faz uma dança ridícula, com roupas igualmente ridículas, e seu bordão é: “pior que está não fica”. É, essa pessoa realmente detesta uma das caras do brasil.

– Em uma das músicas deste palhaço analfabeto ele diz: “Ele é ladrão mas é meu amigo!”, Isso traduz bem o espírito do Brasileiro (http://letras.mus.br/tiririca/176533/ ) Concordo.

– Brasileiros se identificam com analfabetos. Mentira. Eu me identifico, mas quem compartilha isso no face não.

– A carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo. Ah, quem me dera viver na França onde não se tributa consumo, mas renda… ai de mim!

– Mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA. Oi?

– Há um dito popular que diz que “Deus é brasileiro”. Concordo.

– A FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Aparthaid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras. Tipo, venezuela e irã, hum, já deu pra perceber que não foi um jornalista estrangeiro que escreveu esse artigo, né?

– O Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente. É, a FRANÇA, como se EUA e CHINA não fossem contra tb. Quem apoia a candidatura brasileira é a Alemanha, que quer entrar tb, e é a ALEMANHAAAA.

– A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha. (http://www.youtube.com/watch?v=urmR5fXMJu8 Pronto. Virou profeta que nem a presidente.

– Só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição. Desconheço os bastidores da fifa.

Continua…

A questão é a democracia

Publicado: 25 de abril de 2013 por Bill em Tudo Mais
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Eu teria calma antes de julgar esse projeto pois o limite entre Judiciário e Legislativo não é tão evidente assim, ele não brota da natureza nem é enviado por deus, a ocasião do projeto parece bastante oportunista, mas qual não é? Vide o caso recente de discussão sobre maioridade penal.  A discussão agora foi provocada pela decisão do STF de prender imediatamente os deputados condenados no processo do mensalão, decisão essa que não foi unanime, muito pelo contrário, o resultado foi 5 a 4 – quatro ministros entenderam que, apesar da perda dos direitos políticos, caberia à Câmara deliberar sobre a cassação do mandato. Os demais – que venceram a votação – entenderam que a decisão do Supremo é definitiva e não precisará passar por deliberação da Câmara.

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Nesse caso especifico, até onde vai o poder judiciário? Não seria a decisão do povo superior às competências técnicas do judiciário quando é esse povo a razão da existência de tais instituições? Há o pressuposto de que o judiciário deve “proteger o povo de si mesmo”, como no caso da união homoafetiva que muito provavelmente não teria sido aprovada no Congresso, este pressuposto evoca outro que é a ideia de que “o povo” não sabe o que é bom pra ele. Caímos numa questão moral e é nela que devemos basear nossa análise quando o Legislativo deseja a submissão de algumas decisões do STF: o Legislativo tem caráter eminentemente representativo, não seria a ele que caberia a decisão final? Mais: nesse projeto caso haja discordância entre Judiciário e Legislativo, dá-se a consulta popular, então, em última instancia, quem tem o poder é a população. O questionamento desse projeto analisando todas as questões implícitas não é de tão fácil resposta, pois os limites não difusos para não dizer impossível pois o conceito de democracia não comporta a separação de poderes, pois o “governo do povo” é regido pelo povo, então passamos a trabalhar com o conceito de democracia representativa, ok, o povo é representado democraticamente (isso sem falar em ficha limpa, proporcionalidade, etc) mas não uma instancia como o Executivo (apenas parcialmente eleito) e Judiciário (apenas parcialmente eleito e somente indiretamente).

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Tratando especificamente desse projeto, pois as implicações do conceito de democracia na sociedade atual são infinitas, afinal, que democracia queremos? É do povo a palavra final? ou esse povo não está preparado? ou até mesmo nunca estará, será sempre refém de acontecimentos circunstanciais, de paixões, de moralismo, etc? Não é ao povo que a sociedade devia servir?

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Ou uma vez que esse povo não exista, sendo também ele uma invenção assim como o conceito de democracia, a sociedade não deve servir ao brado popular que vincula-se ao desejo da maioria, mas sim equalizar todos os interesses? Seria o Judiciário o palco dessas equações? Sabemos que o senso comum é destrutivo e nem preciso entrar muito em detalhes, basta dizer que para ser comum ele afasta o incomum, o diferente. Mas aí também não seria vivermos sob o regime daquela sociedade preconizada por Platão em A República onde os homens seriam governados por reis filósofos? Quão distantes estamos disso se a última decisão sobre as coisas é do Judiciário?

Ladrão! Preto! Gay! Nordestino!

Ladrão! Preto! Baitola! Nordestino!

Não sei qual é o caminho, mas uma resposta fácil como dizer que o projeto é um golpe deveria pelo menos ser vista com ressalvas e levar a sério essa discussão sobre os poderes, pois nós precisamos  deixar claro para quem, para quê e como a sociedade funciona. Esse projeto é um bom começo, pena que a opinião pública já enterrou o debate.

Ao entrar no Facebook deparei-me com a seguinte imagem:

Um ficha suja...

Um ficha suja…

Por onde começar? País do pão e circo… sim… futebol, samba, bolsa-família, tudo leva a crer que esse é o país da farra e da vagabundice, onde a seriedade fica em segundo plano, em que o povo prefere viver de esmola a trabalhar e que, por consequência, políticos como o da foto (o senador Renan Calheiros, de Alagoas) conseguem se eleger ano após ano, mesmo em meio a enxurrada  de denuncias de corrupção. Mas, deixe sua raiva de lado, esqueça o que a mídia veicula sobre esse político, e sobre os políticos em geral, esqueça disso tudo só até este post terminar, não vai durar muito, prometo, e se ainda assim, depois, você continuar a olhar para essa foto e dela fazer o mesmo juízo, dou minha missão por encerrada e juro nada mais escrever a respeito.

Respire e conte até três.

Abra seu Facebook e veja as imagens compartilhadas a respeito da eleição da presidência do Senado. Olhe para a imagem que abre este post. Leia atentamente. Quem é o culpado pela catástrofe dessa eleição em última e primeira instancia? A última frase da foto responde essa pergunta quase isentando o político de culpa, pois ele é “ficha suja”, nem sequer devia estar lá, se está, não é sua culpa. Escorre pelas beiradas desse discurso um ácido antidemocrático tão cáustico que cega essas ditas pessoas “esclarecidas” sobre um pequeno, mas fundamental pacto da civilização moderna ocidental: o sufrágio universal. Vamos lembrar que somente com a constituição de 1988 o Brasil reconheceu o direito de voto aos analfabetos. O golpe completa em 2014 50 anos e vemos o mesmo discurso acerca da população brasileira “ignorante e burra” demais para votar. A imagem é bem clara, exigi sem rodeios a volta do voto censitário pois pobre não sabe votar. Lê-se claramente que pobre é refém da barriga, pobre é preguiçoso, pobre é burro e isso diz tudo que precisamos saber. Pressupõe esse discurso que uma pessoa educada sabe votar melhor. Mas o que é melhor? Por muito tempo o melhor estava concentrado nas mãos do Rei, ele sabia o que era melhor, o povo acreditava nisso, e os nobres e os clérigos se aproveitavam disso. Mas algo mudou desde então. Alguns começaram a questionar o fato do poder ser de poucos e que esses detinham o saber, a clarividência do “melhor”, onde seus melhores argumentos estavam no fato desse “melhor” ser melhor só para uns bem poucos mesmo.

"Se o povo não tem pão que comam brioches"

“Se o povo não tem pão que comam brioches”

Quem pode guiar-nos para o “melhor”? Platão imaginou uma sociedade governada por filósofos, será? Poderão alguns homens saberem o que é melhor para os outros? Você. Você sabe o que é melhor para si? Quantas decisões são tomadas diariamente e nos arrependemos delas quase no instante em que a tomamos? Quem de nós pode nunca errar? A civilização ocidental não encontrou resposta para isso, mas da dúvida elaborou um modelo, um modelo que serve a todos os homens, sem fazer juízo de valor sobre “melhor” ou “pior”, eis a democracia, uma ideia absolutamente original, e incomoda como estamos a ver, que como prática, tem suas falhas, mas dessas falhas nenhuma delas é a de que um homem detém poder absoluto para dizer o que é ou não, todos seus julgamentos são alvo de julgamento posterior e só assim pode-se imaginar algo próximo a isso que chamamos de justiça. Justiça, leia bem, nem melhor, nem pior, justiça somente. Você deve estar a alvoroçar-se, mas controla sua fúria e diz num timbre que aparenta calmaria: “Mas tudo isso não exclui o fato de que Renan é corrupto”.

É mesmo? Quem é você para o julgar? Pensei cá modestamente que tivéssemos instituições para fazer esse tipo de julgamento, estou errado? Agora você deixa a paciência de lado e expõe-se sem censuras: “São instituições corruptas também! TCU, TJ, todos seus membros são escolhidos pelos corruptos! Todos são corruptos!”

Você só acredita nas instituições quando lhe convém, quando elas prescrevem da sua receita de “melhor”. Com o ficha limpa você pensou que não veria mais esses políticos corruptos, mas eles estão lá e sua única saída é xingar a população de ignorante e burra. É amigo, sinto dizer, mas isso é democracia, não adianta xingar os alagoanos, os baianos, os cearenses  os maranhenses, os piauienses, eles votam em quem quiser e nem sua tentativa tola de impedi-los de votar funciona tão bem quanto acreditava. Aprenda a conviver com isso, pois se você reparar, esse seu discurso de “povo ignorante e burro” chama alguém, uma alguém especial, um líder supremo, um homem que sabe o que é melhor, detentor da justiça e da verdade. Continue a chamar esse homem e quando ele vier não adianta chorar e muito menos pedir para que os burros e ignorantes te salvem, eles serão os primeiros a te atirar à fogueira e rir-se de tu queimando, não esqueça, você fez de tudo para que eles te vissem como inimigo.

Quem é o palhaço?

Quem é o palhaço

Se o palhaço é alguém que provoca risadas, ao olhar para ti, não tenho dúvidas, estou a morrer de rir. É pena, essa risada me entristece.

Ou contra a democracia?

Basta de corrupção. Certo, mas o que fazer?

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/sete-de-setembro-um-dia-de-protesto-contra-a-corrupcao

Quando a Veja (naopense) apóia é porque o negócio, no minimo, tem duas caras. E é exatamente por isso que a Marcha Contra a Corrupção pode disfarçar um discurso anti-democrático. A esmagadora maioria quer que seus políticos sejam honestos, eu quero, você quer, todos querem. Mas pense no contexto. Brasília por exemplo. Quem votou em Jaqueline Roriz? O povão, a periferia, a massa de manobra, pobres coitados que não tiveram acesso a educação de qualidade.

Nós nunca votaríamos numa mulher dessas não é?

http://www.facebook.com/event.php?eid=194166463984479

Ora, se Jaqueline Roriz cometeu algum crime ela será punida. Não por uma CPI que serve a outros propósitos (normalmente serve como vitrine para a oposição, isso vale tanto para o PSDB quanto valeu para o PT), mas será julgada pela corte competente, o STF.

Já me disseram assim: Não adianta, chega lá e os corruptos são absolvidos. Se é assim, por que os protestos não são em frente ao STF? Se você acredita que a maioria dos políticos são corruptos, por que esperar que punam outros corruptos? Porque o que está em jogo não é a corrupção do sistema (quem é rico tem mais chance de se eleger, quem se vende a uma empreiteira também), mas o voto burro do povão. Afinal, se não fosse por esses políticos escolhidos pelo povão como os Rorizes, os Malufs, etc, não haveria porque dessa marcha, não é mesmo?

Cansados de corrupção, estarão de luto pela democracia?

Sei que muita gente bacana foi nessa marcha, mas é preciso refletir sobre o que se fazer a respeito da corrupção. Fechar o congresso então? Impedir pobre de votar? Não, isso é muito anti-democrático não é? Então melhor, criar uma lei impedindo que fichas sujas se candidatem, isso… porque alguns votos são melhores que outros, o povo não sabe votar, então é melhor que se crie uma lei anti-democrática para que o povão não possa votar no Joaquim Roriz outra vez, não é? Roriz de novo não. Todos nós sabemos disso. Mesmo que para isso, tenhamos que deixar a democracia de lado.

O presidente não representa o povo?

Quando Fernando Henrique se reelegeu em 98 fiquei desiludido com a democracia. Puxa, como o povo é burro. FHC só governava para o sudeste, principalmente para São Paulo, e esse povo estupido ainda tem coragem de reeleger um cara desses? Doía a alma acompanhar algumas notícias sobre a seca no semi-árido nordestino, famílias e famílias sobrevivendo com um litro de guarapa e comendo farinha misturada com barro cozido. Conheço esse discurso anti-democrático, porque já estive do outro lado. Ano após ano e os mesmos políticos corruptos. Rancor e desilusão se misturam para formar um sentimento corrosivo chamado fascismo. É, eu já fui fascista, agora eu sei disso. É um momento em que você passa a odiar secretamente as pessoas que você quer salvar. E começa assim, chutando a bunda dos políticos eleitos democraticamente.

 bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido e meio afeminado, flamenguista, mineiro, sagitariano, otaku, metaleiro, sertanejeiro, petista, rabugento, boêmio, tonto, divertido y dulce…. um comunista pero no mucho