Posts com Tag ‘desigualdade social’

A ideia de desenvolvimento me dá dor de barriga porque, para fazer uma analogia, é como se o desenvolvimento estivesse para um país como a educação está para o vestibular. Infelizmente, é assim que a maioria dos países planejam seu futuro, uma meta medíocre do meu ponto de vista.

É tornar a experiência da vida num evento burocrático. Sério, não sei como vcs não se espantam com isso.

Do jeito que eu vejo as coisas não haveria sistema, não haveria alguma coisa exterior a mim que guiasse minha existência, de certa forma, o capitalismo comporta isso em algumas camadas, e acho que foi exatamente isso que Marx viu quando pensou numa sociedade comunista em que as pessoas não seriam mais governadas, governariam. Não seriam metas de inflação, nem crescimento do PIB as pautas políticas, seria: o que eu vou comer amanhã? Com quem? O dinheiro não é o problema, nem o lucro necessariamente, mas a estrutura colossal criada para a defesa de privilégios que se perpetua, os famosos burgueses que hoje são tanto os donos dos meios de produção quanto uma cúpula burocrática estatal. O socialismo foi uma tentativa de acabar com esses privilégios por uma “ditadura do proletariado”, em que Marx colocou a força como a única forma capaz de se contrapor aos poderes quase que ilimitados desses “burgueses”, vimos que na prática essa ideia produziu coisas tenebrosas, tanto quanto o sistema que se propôs derrubar. E é aí que entra minha inquietação: eu sei que o capitalismo é ruim por conta da defesa desses privilégios, NADA do que vc me dirá irá mudar o fato de que as pessoas nascem materialmente desiguais no capitalismo, e que mesmo quando ao longo da vida se possa subir a pirâmide social, o meu sucesso só legitima a existência do fracasso.

Nós limpamos sua casa, recolhemos seu lixo, fazemos sua segurança, quando vc envelhece limpamos até seu cu, por que nós ganhamos menos?

Nós limpamos sua casa, recolhemos seu lixo, cuidamos dos seus filhos, fazemos sua segurança, quando vc envelhece limpamos até seu cu. Por que nós ganhamos menos?

No entanto, aquilo que Marx pensou como solução ao sistema fracassou estrondosamente, bem, está na hora de pensar outra coisa não? O que? Não sei. Mas uma coisa eu posso dizer que aprendi com Marx, a revolução não se faz pela força.

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Quem acompanha o blog sabe da minha repulsa pela mídia nacional, logo eu não poderia deixar de me manifestar a respeito da cobertura feita da ocupação das favelas do Rio de Janeiro, Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão.

Rio contra o crime, diz a reportagem

Depois da ocupação das favelas do Complexo do Alemão, Renato Machado, do programa Bom Dia Brasil da Rede Globo, anunciava a ‘vitória’ da sociedade, um ‘dia histórico’ da vida dos cariocas. OK. Sem dúvida alguma é um alívio para boa parte dos cariocas saberem que o governo estadual tomou iniciativa quanto a questão do tráfico nos morros. Mas vamos às questões que passam a margem do debate que a televisão como um meio de comunicação de grande alcance poderia oferecer para informar e instruir a população brasileira sobre o que se passa de verdade, o que esse acontecimento significa, quais são suas causas e  consequências, enfim, aprofundar as discussões. Não é isso o que se vê. Muito pelo contrário, a opinião que tenho a respeito é de que esses programas tentam desinformar propositalmente afim de evitar questionamentos quanto a certas atitudes em nome da segurança pública.

Logo de cara podemos estranhar a dicotomia entre bem e mal apresetada. Os traficantes são maus não é mesmo? Nasceram em localidades miseráveis com os mais altos níveis de desemprego e escolaridade do estado do Rio de Janeiro. Seus espelhos de sucesso profissional eram os traficantes que desfilavam com carros importados. Diriam alguns que trabalho de verdade era o do seu pai, pedreiro, pois apesar de ganhar pouco, ganhava honestamente. Na opinião do garoto sem dúvida o pai trabalhava honestamente porque era imbecil covarde demais para tentar algo melhor. Olharia para você e diria inconvenientemente: Para você é fácil ser honesto. O que esse garoto, agora traficante, responderia quando perguntado se ele se considerava mau?

Quantos deles se tornarão traficantes?

Ou um policial do Rio de Janeiro que ganhando 600 reais tem que subir o morro para fazer cumprir a Lei. Esse policial sabe que lá em cima a Lei que ele conhece não vale nada. Essa “Lei” nunca subiu o morro e os favelados tiveram que inventar uma, não seria agora que eles iriam aceitar a nossa. O policial então vê seus amigos comprando apartamentos e carros novos. O que ele reponderia francamente a respeito de honestidade? Ele se consideraria uma pessoa má?

A essa última pergunta talvez o policial até dissesse que sim, mas que isso era irrelevante, pois que ele não tinha opção, pois bondade e mesmo honestidade não desviam balas nem alimentam bocas, que dirá pagar uma escola particular para o filho, comprar uma jóia para a mulher…

Quanto vale a minha vida?

O tráfico não teria prosperado no Rio não fosse a conivência dos policiais. Enquadrar essas pessoas em boas ou más é tão absurdo quanto separá-las em brancos e negros. As definições podem até servir para seus respectivos fins, mas não exprimem de forma alguma a profundidade do tema.

Um estudo do Núcleo de Pesquisa das Violências da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Nupevi-Uerj), em parceria com o Laboratório de Estatística Aplicada da mesma instituição, divulgado no mês passado, apontou que 41,1% das favelas da cidade do Rio de Janeiro estavam sob o controle de grupo milicianos em 2008. Quase metade. Quem é mocinho ou bandido nessa história?

Ainda sem resposta: Quanto vale minha vida?

A mídia, basicamente falando daquela comandada pelos maiores grupos de comunicação como Organizações Globo e Grupo Abril, agi de modo perverso, criminalizando a pobreza, dificultando que sua audiência tenha dados suficientes para formar uma opinião melhor construída, contribuindo para a formulação de diagnósticos falsos e premissas escusas e mesquinhas embasadas em seu rídiculo conceito binário social.

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Finalmente, a comunidade livre

Não podemos deixar de inferir ao final, de que essa conjuntura elaborada pela mídia nativa seja fruto de seus anseios particulares. É mais fácil exterminar os traficantes do que conseguir que seu filho pare de usar drogas. Tá, ok. Ele pode até continuar usando, mas essa droga virá de origem mais confiável pelo menos daqui por diante…

Jovens moradores de bairros nobres do Rio são presos por tráfico de drogas.

 

bill, o que ele faz? Faz História (literalmente) na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, hetero-gay, otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!