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A triste figura

Publicado: 9 de agosto de 2013 por Bill em A Vida
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Como é triste amar. Triste, sim. Triste. Se você é uma pessoa cheia de ideais, se seu coração tem um ímpeto qualquer revolucionário… ah, que triste é amar para ti. Não existe tortura pior que essa, pois a mão que empurra o punhal contra suas costelas é sua… e você sabe disso! Não, não… não diga que pode conciliar seu amor com sua honra, não pode! Basta que o momento surja e, por mais insignificante que seja o confronto, você descartará sua honra com tanta facilidade que nem se dará conta da magnitude do ato perverso que atenta contra ti. Sim, pobre criatura que ama, teu corpo já não mais lhe pertence, você não pode mais controlar seu estado de espirito, não se engane, isso faz de tu um escravo. Escravo. Do mais vergonhoso tipo de escravidão. Daquele tipo que faz você se ajoelhar e rezar, deitar lágrimas, crente que um sinal, apenas um sinal seu, dissipará todos os males! Este é o mais ridiculo dos escravos. Venera e amaldiçoa seu dono, porque o ama, não pode livrar-se dele. É um escravo sem correntes. Um cachorro que se deita a porta ansioso pela chegada do dono, cujo único deleite é lamber-lhe os sapatos. Que triste! Quão triste! Se você tem planos para o futuro, amai e esqueça-os. O futuro, tal qual o passado, não interessam aos amantes, escravos do presente. Escravos da saudade. És uma figura tão deplorável esta que não se intimida com os chutes que lhe são desferidos a boca do estomago, não se importa com os olhares que fogem dos seus, nem tampouco com as palavras que voam como pedras a troçar do seu amor, e tudo porque ama! Tua única felicidade reside no reconhecimento do outro, esquece-vos claro, de que um escravo jamais é merecedor do amor. Por tal, nem todo infeliz ama, mas todo aquele que ama necessariamente é infeliz. Oh, tolo sonhador, engana-te, ludibria-se, reveste tua infelicidade de melancolia para lhe dar ares poéticos! Que mentira quixotesca dirá para si em seguida para suportar essa dor que lhe devassa o peito? Qualquer uma, simplesmente não importa. Esta triste figura é o tripulante desavisado daquele barco que está indo a pique. Agarrar-se-á a qualquer coisa. Triste. Muito triste.

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O amor incondicional do idiota

Publicado: 30 de julho de 2013 por Bill em A Vida
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O amor do idiota pode parecer bastante altruísta a primeira vista, mas não se deixem enganar, não há nada de mais egoísta do que amar incondicionalmente. Deixe-me explicar. O idiota é tão estupido que se alguém comesse o cu dele, ele choraria por perdão e não por ódio! Sua idiotia não tem limites! Ah, deixem-me contar o caso da prostituta. Acontece que uma vez os amigos do idiota, outros idiotas, levaram-no a um bordel. O idiota precisava perder o cabaço. Mas, uma vez a sós com a prostituta, o idiota começou a chorar. Chorar compulsivamente, como uma criança. A prostituta abraçou o idiota acreditando estar na presença de um anjo. A prostituta era uma idiota também. O idiota na verdade chorava por sentir nojo dela. Por pensar nos milhares de homens que despejaram suas porras em cima dela, Por pensar que por mais fundo que a escova fosse em sua carne, aquela mulher ainda estaria suja, impregnada pelo suor masculino. E o idiota chorava por pensar nessas coisas. E imediatamente passou a amar a prostituta. Amar incondicionalmente. Todo dia ia visitá-la. Comprava bombons, flores, brincos, o que achasse pelo caminho. Mas a prostituta já estava se cansando do idiota. Sua presença passou a incomodá-la. Ver o idiota lembrava a prostituta de quem ela era. E a prostituta começou a desfazer do idiota, zombar de seus presentes, troçar do seu amor, fazer com que ele esperasse do lado da porta e pudesse ouvir seus gemidos a cada nova penetração, lembrar-lhe de quem ela era. Uma puta. Na verdade, a prostituta amava o idiota, mas ele não podia fazer parte de sua vida. Simplesmente não podia. E por amor, somente por amor, a prostituta cuspiu na cara do idiota e pediu pra que ele nunca mais a procurasse. Não posso descrever quão destruído ficou o espirito do idiota. Quando todo seu ego se desfez sob o peso da humilhação (o idiota não se esqueceu de que foi rejeitado por uma puta), o idiota deixou de ser idiota. Por um momento ele pode contemplar melancolicamente a inutilidade do amor. Mas uma vez idiota, sempre idiota. Isso só fez com que seu amor aumentasse ainda mais. E hoje o idiota observa seu amor de longe. Não tenho dúvidas quanto a intensidade desse amor. Mas pergunto: que amor é esse que não se compartilha? Não há generosidade nas atitudes do idiota, seu único objetivo é deixar de ser idiota. Por isso que somente um idiota pode amar incondicionalmente o outro. Pena que sejamos covardes demais para viver como um idiota.