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O velho não dorme. Um sobrevivente de verdade só dorme desmaiado. Fica de pé, olhando a noite escorrer pela janela gradeada da Casa de Recuperação Vitória em Cristo. Ele gosta de ficar ali e sentir o vento noturno sacudir seus cabelos brancos. De vez em quando chora, noutras ri. As lembranças… as terríveis lembranças só trazem perda. Todas as lembranças são eu. Mesmo agora. O maldito eu. Não fosse o eu eles não poderiam me atingir. Eles… os malditos olhos! E se eu choro, o velho chora, impotente. Eu o vejo agora, segurando a grade da janela com força, rindo, com o rosto coberto de lágrimas numa caricatura do personagem esquizofrênico, ele pensa: Ridículo! Tudo se trata de você!

– Quer um cigarro, velho?

Quem interrompe nossas dores é o menino Lúcio. O velho limpa as lágrimas do rosto, mas se interrompe a meio caminho. Esconder as lágrimas era um cuidado da sua vida ceosa. Não, pensa, Lúcio precisa ver isso. Lúcio se parece com o velho. Lúcio sempre foi um bom menino, mesmo sendo aquele garoto de bochechas grandes e rosadas que está sempre no colo de alguém. Esse bom menino era muito quieto e sabia sorrir corretamente. Lúcio era o típico garoto prodígio. Foi, se não me engano, o primeiro aprovado do vestibular no curso de medicina da USP. Você pode imaginar o ritmo de estudos desse garoto: mais de 10 horas por dia! Esse menino passou mais tempo estudando que dormindo, você acredita? Sua cabeça funciona a mil com triângulos, números e palavras estranhas como autóctones. Com tanta informação não foi difícil para Lúcio chegar a razão deles. Antes da sua casa ser demolida, havia em uma das paredes o cálculo da vida. Existência igual a vida vezes tempo. Simples. Aniquilador. Tudo se resume a vida vezes o tempo. Sim, é simples, nós sabemos disso. Mas você não está vendo, não de verdade. Veja, o conceito de vida é muito simples, é um estado de consciência binário. Vivo ou morto. Assim, sendo 1 ≥ v ≥ 0, podemos quantificar nossa vida numa escala de 0 a 1. Por exemplo. Eu carrego aqui comigo 14 coisas. Então sou v/14. Mas isso sou eu, você pode adicionar o que quiser. Enfim, não interessa. Porque o tempo é sempre xis, e enquanto xis numa equação faz sentido, na vida xis não possui significado algum, isto é, zero. E tudo multiplicado por zero é zero. Isso, nada. Absolutamente nada. Pela matemática, Lúcio foi capaz de enxergar aqueles primeiros olhos, os olhos vazios que dividiram nossa existência. Imagine um sujeitinho muito peludo que tem seus vermes subtraídos por um outro sujeitinho peludo. Esse sujeito sente alguma coisa. Raiva. Tristeza. Decepção. Seja o que for, esse algo é 1. Esse sujeito vira ser quando torna v/1. Lúcio travou. Não havia porque continuar num mundo em que o sentido da existência consiste em dividir a vida. Mas no mundo deles uma engrenagem parada compromete todo o sistema. E todos os olhos caíram sobre Lúcio. Ele foi obrigado a negar. Foi aí que Lúcio começou a fugir. Como muitos, ele encontrou refúgio nas drogas, qualquer droga, mesmo açúcar. Vejo quilos e quilos de açúcar entupindo suas artérias ou qualquer outra porcaria que usasse para fracionar sua vida, quanto mais diluído estivesse menor era a experiência do nada. Mas agora Lúcio é um devoto. Um devoto é o tipo mais detestável de sobrevivente, é aquele olho que espia por uma fresta, um milésimo de segundo apenas, e se arrepende amarga e eternamente por ter olhado. No entanto, apesar de sua mediocridade exasperante, também é aquele por quem mais sentimos compaixão porque são eles as verdadeiras vítimas desse mundo. Repito, porque vocês persistem em não querer me dar ouvidos. Os devotos são as verdadeiras vítimas desse mundo. São como galinhas, aves que não podem voar mesmo tendo asas. Ora, quem pode condená-los? O que nos enoja é o que os motiva: a fé. Então Lúcio passou a chamar “E” de doença, deu-lhe um desses substantivos complicados com sufixo ‘-fobia’ porque o sufixo implica em tratamento, e tratamento em cura. Ah, todo devoto é, no fundo, no fundo, um inocente. Ou “E=0”.

– Obrigado, menino.

Nós, digo, o velho e o menino Lúcio, fumam juntos. Eles gostam de ficar ali, recebendo os primeiros raios de sol pela janela gradeada.

– Esse é o melhor sol do dia, comenta o menino Lúcio.

– É sim, concorda o velho com um aceno de cabeça, e completa: Você sabe que vai me matar, não é?

– Essa conversa de novo?

– Quero prepará-lo.

– Vá se fuder, porra. Sou um fiel servo de Cristo, agora.

– Sim, mas não se pode dizer que os carrascos de Cristo não eram seus adoradores.

– Ok, e por que é que eu ia querer te matar?

– Circunstâncias, você saberá quando a hora chegar.

O menino, um rapaz com seus quase trinta anos, obesidade mórbida, três tipos de câncer, cego, traga o cigarro com força antes de falar.

– Olha, velho, na boa. Você ta maluco, por que não aceita isso?

– É o que eles querem que você acredite, é importante, para mantê-lo vivo.

– É? E por que “eles” – Lúcio levanta os dedos para fazer o sinal das aspas  – iriam querer me manter vivo se sou só um problema pra eles?

– Ora, não banque o tolo pois a tolice de verdade não é cínica. Você sabe, sabe disso melhor do que eu, faz parte do propósito deles. Ouça, muitas pessoas morrem nesse mundo, muitas estão morrendo agora, agora mesmo, quem é você nisso tudo? Não, não, não faça essa cara, não faça que nem eles, você se parece com eles, mas não é, sabe disso. Você quebrou o ovo de um ganso, mas é uma galinha. Eles não podem reconhecer seu pensamento galináceo. Não podem. O pensamento deles é perfeito, uniforme. Não podem aceitar uma rasura como você. Porque não existem rasuras nesse mundo. Você é um número irreal. É um problema simplesmente, e um problema precisa ser resolvido ou, pelo menos, isolado. Mas deixá-lo morrer não, isso seria como reconhecer a existência do insondável, do xis, então, a dúvida: O que os olhos tanto vêem? Qual é o propósito desse deus se não for absoluto? A sua morte é uma declaração de cegueira do deus deles, enquanto sua vida é um teste de fé.

– Velho., vejo Lúcio segurar meu rosto com as duas mãos bem firmes, as marcas da sua última ceia me encarando com rancor. Ouço-o dizer que esse é o caminho da morte quando diz: Você é completamente maluco. Ele larga meu rosto, dá uma última tragada e joga o cigarro ainda aceso pela janela.

O velho eu cai de joelhos, cansado. Sim, eu sou louco. E esse é o caminho da morte. O velho pendura-se a janela para poder se levantar, termina seu cigarro e caminha para o refeitório aos passos de um moribundo. Lá, encontra os mais variados tipos de sobrevivente. Desespera-se pela maioria, são devotos, quase todos. Há um silêncio assustador no refeitório permeado por momentos de intensa gritaria. Explico. Apesar de ser possível ouvir os três ventiladores no teto girando suas pás, é preciso falar alto para ser ouvido, assim, a gritaria começa logo que o primeiro sobrevivente chega e pede seu café. “Um café, por favor”. Eles fingem não ouvi-lo e talvez esse fingimento seja tão honesto que eles de fato não o escutem de verdade. “UM CAFÉ, PELAMOR DE DEUS!”, aí o café é servido, com um sorriso. Não se esqueça do sorriso. É assim que você pode identificá-los. PRÓXIMO. Silêncio. GRITARIA. Silêncio. GRITARIA. SILÊNCIO. O velho entra na fila.

– Não vai tapar os ouvidos, velho?

Esta é Amanda. Amanda não gostaria que falasse de seus atributos físicos, porque consideraria isto machista. Amanda não gosta de ser vista como mulher, isto no sentido da identidade, como se ao dizer “mulher” você soubesse quem é Amanda. “A utilização cultural dos sexos parece servir unicamente para inferiorizar a mulher diante do homem. Mas isso, claro, só faz sentido porque nosso deus é feminista”. Amanda é uma feminista de formação. Aos 50, levava uma aposentadoria tranquila lecionando História como convidada em várias universidades do país até sua última ceia, um prato de violências tão brutais que ela ficou paraplégica. Amanda é uma fugitiva. Como todo bom sobrevivente, ela desenvolveu uma teoria muito interessante para legitimar sua fuga. Diz que somos personagens de uma história que pretende explorar a questão da existência colocando-nos em situações-limite. Para ela, nada mais somos que os pensamentos de um deus que tenta expiar as desgraças que o atormentam ao mesmo tempo em que há a crença mal formulada de que se pode passar qualquer lição valiosa para o mundo. Assim, todas essas nossas angustias e sofrimentos são apenas elementos de uma narrativa inspirada nas mais bizarras tolices cristãs dostoiévskianas. Mas o mais importante é que o enredo baseia-se em uma espécie de competição. Aquele de nós que chegar a uma conclusão satisfatória para ele, porá ponto final à história. Perguntei a ela se essa era sua conclusão. Sim, respondeu, mas parece que não sou a personagem principal da história. Amanda está sempre interessada no que o velho faz porque acha que ele é a personagem principal dessa história.

– Não vou tapar os ouvidos. Eu cansei de fugir.

– Todo sobrevivente diz isso. Sempre significa outra forma de fuga. Palavras suas., comenta Amanda a partir de um caderninho vermelho de páginas quase pretas.

– De novo isso?

– Claro. Estou documentando. É histórico isso, sabia? Você ri, mas eu vejo a dor no seu sorriso, senhor.

– Você vê? O que você vê, Amanda?

– Vejo a personificação da identidade cristã, os sonhos de uma humanidade esfacelada, alguns farelos que reluzem ao sol, cheios, não, transbordantes de esperança, é lindo, trágico, ridiculamente cômico em sua coragem cafona, é o velho discurso do amor, dos dentes tortos e sujos às mãos enrugadas e trepidantes. Neste cenário barbaramente simplório, vejo o coração deste mundo bater mais alto.

– Você devia anotar as coisas que diz também.

Amanda encara o velho por um momento e então se lembra de anotar o que ele acabara de dizer. Chega a vez do velho na fila. Ele quer café com leite, mas não grita por café com leite. Eles fingem não vê-lo, então o velho estica a mão para se servir.

– VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO., diz um deles. DIGA O QUE VOCÊ QUER E EU LHE SERVIREI.

– Eu disse, mas vocês estão surdos para tudo o que dizemos.

– OI? COMO É?

– Escutem, irmãos!, o velho se vira para o refeitório. Ouçam essa oração, é um canto que irá falar aos seus corações.

– Ei velho! O que você está cochichando aí? Saí da frente, estamos com fome!

– O seu estômago pode esperar, amigo, isso é importante., Amanda grita empinando sua cadeira de rodas para frente do velho. Ouçam! Ouçam!

Há um deus que rege nossas vidas, que nos diz o que fazer, o que comer, que hora levantar e que hora deitar. É o tempo e o tempo somos nós. Esse deus possui mil olhos, vigilantes, sedentos. Olhos que me encaram agora, sim, vocês. Vocês são os olhos desse deus, sua voz e sua mão pesada. Por que estamos aqui? Não são essas paredes que nos seguram, somos nós!

– FILHO! FILHO!, este é o pastor B. VOCÊ ESTÁ POSSUÍDO POR UM DEMÔNIO! DESÇA DAÍ, OUÇA A RAZÃO!

– Que razão, pastor? A sua? Esse deus não é real, sinta! É absurdamente simples. Dispa-se de qualquer vontade, não deseje nenhuma explicação racional, aceite o NADA, simplesmente porque nada faz sentido. É só uma escolha. Uma aposta no vácuo. Uma única verdade fundamental: não existe verdade. Somos surdos para o universo. Deus é só um grito desesperado diante do silêncio., alguém grita lá no fundo do refeitório. Isso, prossegue o velho, mas pense comigo, se não existe verdade, se nada existe, podemos fazer tudo, inclusive a verdade, ouçam! O poder só existe quando estamos juntos em espírito, quando minha voz toca seus ouvidos. São Vocês, Vocês são Deus. Vocês são Jesus Cristo. Isso, Jesus que significa Juntos e Cristo que quer dizer Muitos, Milhares e Infinitos. Houve uma época que Muitos se levantaram. Todos eles se achavam deus e reuniram-se para salvar o mundo. Morreram os coitados. Todos eles. Foram crucificados pelo cu ao contrário do que diz nossa candura histórica hipócrita. Era um sinal, o cu.

– CHEGA! TIREM-NO DAÍ! AGORA!

Ordena a senhora A., fundadora e gerente da Casa de Recuperação Vitória em Cristo. É quando um milhão de mãos agarram o velho e o jogam no chão do refeitório. O velho sente o peito esvaziar-se quando um ou dois joelhos esmagam suas costas. De baixo o velho observa com espanto seus irmãos tomando o café da manhã tranquilamente como se tudo aquilo fosse a coisa mais banal do mundo. O velho chora. E começa a rir.

– Vejam irmãos! Muitas são as mãos que me seguram! Vejam, está diante de vocês! Estendam suas mãos e verão, são vocês, seus olhos! Lembrem-se, os mesmos olhos que salvam são os olhos que condenam. Lembrem-se, Juntos, Muitos foram assassinados! Esse deus matou suas irmãs e irmãos também, assim como tias, tios, avós e pais e mães! Matou seus filhos e os filhos deles também! E depois queimou! Queimou tudo porque corria o boato de que eles podiam se levantar do tumulo!

– FAÇAM ELE CALAR A BOCA!

– Nunca se viu pira maior na história! Sua fumaça parecia vir de um vulcão! O céu ficou negro por três primaveras e aquela foi a noite mais longa da história do mundo! Não se pôde dormir direito com o cheiro da morte! Esse inverno acabou despertando os outros, que olhavam para o céu negro espantados com suas lágrimas!

– Larguem ele seus trogloditas!, Amanda avança sobre os homens que estão sobre o velho. Ela acerta a cadeira na cabeça de um deles, que se levanta furioso. O pastor B intervém pedindo calma. A senhora A tenta puxar Amanda para longe da confusão, mas ela se vira e morde a mão da mulher.

– ELA TAMBÉM ESTÁ POSSUÍDA, PASTOR!

– PARE MINHA FILHA!, o pastor B grita se interpondo entre Amanda e o velho.

– Saia da frente, pastor! Estão machucando ele!, quando o pastor se vira, Amanda aproveita para passar por ele, mas o pastor logo percebe seu movimento e segura a cadeira, que vira com a força, derrubando Amanda.

– Vamos, Amanda, mostre para eles a sua força, a força de deus! esguicha o velho.

– Não posso! Amanda grita, o rosto coberto de lágrimas.

– Você pode! Sabe que pode!

Amanda se lembra dos seus filhos, lembra do marido torturando-os. Amanda diz pra si mesmo que essas lembranças não são suas. É uma ficção tudo isso e o velho é a chave! Então Amanda estica os braços e solta um urro enorme que muitos diriam depois que foi algo como EU POSSO TUDO NESSA PORRA! ou NADA EXISTE NESSA PORRA!, ela dobra os joelhos e cambaleante, põe-se de pé. O pastor joga as mãos sobre a cabeça de Amanda e começa a rezar um pai nosso. Ela cai de joelhos.

O velho ia gritar alguma coisa, mas a chave de braço que aperta seu pescoço finalmente deixa seus pulmões vazios e ele desmaia.

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Um momento de liberdade

Publicado: 4 de setembro de 2013 por Bill em Tudo Mais
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Sou o libertador dos espíritos

Ouçam bem

vou repetir:

Sou o libertador dos espíritos

Sou,

estou convicto disto

Calma lá

Liberdade não é uma palavra que se fala

Nem que se escreve

Nem qualquer coisa que se concretize

Liberdade não é uma palavra

Liberdade é uma cuspida

ou um grito

ou um riso

ou um choro inconsolável

Pois então

Sou o libertador dos espíritos chorosos inconsoláveis

Não porque sou dotado de qualquer habilidade especial

Muito pelo contrário

Sou tão estupido quanto a maioria de vocês

Sou o libertador

Porque

Não tenho a pretensão de libertar ninguém

Aliás,

rio-me todo disso

A ponto de chorar inconsolavelmente

Como poderia eu libertar?

Eu?

Eu sou mesquinho e egoísta

Prefiro a solidão,

pois a noite é infinitamente mais acolhedora que a liberdade

Só posso ser o libertador dos espíritos

Porque

Quando seus corpos tateiam minha existência

espantam-se

E o espantamento é a única forma genuína de liberdade

Quando se é criança se é livre

Verdadeiramente livre

Pois não engolimos o choro diante de uma palmada

Rimos sem a censura da ofensa

Abraçamos sem temer amar

Andamos de quatro pois não nos preocupamos com o olhar dos outros

Mas nos esforçamos a ficar de pé

Por eles

Por nós

Contemple a liberdade de uma criança

São olhos arregalados para o mundo, para nós

Caminhe junto da criança e enrole sua língua

Diga bê-a-bá e dirá liberdade

Sou o libertador dos espíritos envelhecidos chorosos inconsoláveis

Quem me dera ser uma criança e estar cagando pra liberdade

e pra vocês

Vida de Cão

Publicado: 5 de julho de 2013 por Bill em A Vida
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Ontem eu me vi como cachorro, mas não foi como um cachorro que vê por olhos humanos, mas olhos caninos que vêem um homem. Estava sentado em um banco, assim, sem fazer nada, esperando, dali a pouco me surge um cachorro. No inicio não lhe dei qualquer importância, mas o cachorro se sentou a minha frente e ficou me encarando. Então fui tomado por aquele sentimento de assombro. O cachorro a minha frente já tinha sido o Meu cachorro… Billi. Tem tanto tempo… Não recordo o que sucedera a ele, simplesmente desaparecera, mas… ali estava ele, disso eu tinha certeza. Era Billi. Agora velho, magro e maltratado. Fiz assim com a mão para que ele se aproximasse e para minha surpresa o cachorro deu um pulo em mim, por muito pouco não lhe acertei a fuça no susto, mas por sorte percebi sua língua áspera e quente nas costas da minha mão e entendi que ele só estava feliz demais para se conter. Mas o malcheiro era insuportável e logo tive que espantá-lo. Fiquei ali de novo, sentado, sem nada pra fazer, e agora com remorso. Mas então surge uma moça pela rua com vestido rosa apertado que me faz sentir um arrepio pelo pescoço: eu já vi aquela pessoa! E então ela sorri e nem sei como já estou abraçando e beijando Marina, uma grande amiga dos tempos de faculdade.

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Quão irônica a vida pode ser?? Dali a pouco percebo que Marina tenta me dispensar, nossos assuntos ficam girando e girando sem chegar em local algum, vejo claramente seus olhos se encherem de tédio. Sou um fardo. Não somos mais amigos. Percebo que ela ainda tenta me fazer um agrado, me passa o telefone que sei que é de mentira, diz que foi bom me ver. Dou-lhe um último abraço, sei que é o último, preciso lhe dizer o quanto ela foi importante na minha vida, que… mas então noto seu olhar de desconforto, e… receio… Marina acha que vou tentar alguma coisa, um beijo talvez… eu bem que poderia faze-lo só de birra, não posso… a lembrança de outrora ainda é muito forte… estou chorando. Marina se apieda ao mesmo tempo que se enoja, deves pensar que esta não é a postura de um homem. Percebo com horror que amo Marina, que me sento todos os dias naquele banco porque no fundo desejava um dia reencontra-la! terá Billi feito o mesmo comigo? Oh, pobres criaturas essas que nascem para amar! Amor é dor! Marina vai embora. Fico sentado limpando o ranho do nariz, quando outra moça belíssima vira a rua, outra amiga sumida! Abano meu rabo e corro até ela, na esperança de que ela demore para me enxotar e tudo bem, tudo bem, sou um cachorro! Vivo para amar!

A inequação da vida

Publicado: 2 de julho de 2013 por Bill em Tudo Mais
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Essa é a última peça que Ele vai me pregar,

percebam a sutileza do seu movimento:

eu O criticarei ao mesmo tempo que lhe dou razão,

MAS NUNCA SE ESQUEÇAM QUE É A LOUCURA E NÃO A RAZÃO QUE GUIAM ESSE MUNDO.

Ele vai pintar a razão com pinceladas frenéticas e cores malucas,

para confundi-los, isto,

porque sua mente perversa adora a mentira,

Ele acha que a mentira pode leva-los a verdade… que verdade?

Eu.

Eu sou a verdade.

A verdade é que só existem mentiras.

Eu sou prova disso.

Percebem?

Estou dizendo loucuras e delas vocês irão entrever uma mente sadiamente criativa,

lucidamente caótica,

trágica.

Ele dirá que todos os poetas são loucos. Quer me fazer poeta.

Crê que a loucura é sinônimo de razão, de razão verdadeira,

MAS A VIDA NÃO É UMA EQUAÇÃO!

Ele transforma a minha vida nisso para dar razão a Ele,

mas Ele é LOUCO!

Eu também!

Eu+ELe=Nós

Tragédia de um homem gordo.

Publicado: 11 de junho de 2013 por Bill em A Vida
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Joss não sabia porque tinha esse nome. Ele nunca perguntou. Joss era assim, irritado com tudo. Com todos. Joss era emburrado, vivia de cara azeda pra cima e pra baixo, você perguntava o que ele tinha e ele respondia aos berros:

NADA, PORRA! NADA!

A maioria das pessoas achava que Joss se comportava daquela forma por ser gordo. Não pela gordura em si, mas pelas constantes humilhações que a gordura fazia o pobre coitado passar. Quando Joss ouvia isso dizia:

Quando criança ser gordo é bonito, te incentivam a comer o tempo todo, a cada colherada engolida bate-se palmas, bochechas são apertadas e beijos melados são dados. Você come e come para ser amado! Um dia então, subitamente, a colher é guardada junto dos garfos, a palma vira um punho, as bochechas param de doer e os beijos tornam-se lembranças melosas de um tempo outro.

Joss era um rapaz muito revoltado com o mundo que se expressava por meio de metáforas infantis.

Sim, sou um gordo vestido de azul com um grande pirulito na mão. Quer chupar?

Joss não sabia brincar. Joss era muito inteligente para brincar. Desde criança se recusava a brincar com as outras crianças e se lhe davam qualquer tipo de brinquedo no aniversário, ele arremessava o presente na parede. Foi por isso que a família de Joss o internou. Era impossível viver com Joss. Diziam que Joss podia fazer qualquer coisa com qualquer um.. Quando Joss ouvia isso ele começava a rir, rir descontroladamente, rir tanto que sua barriga começava a doer e precisavam desmaiá-lo para que ele não sufocasse de tanto rir. Joss sabia a verdade. Era evidente. Descobrira assim que se viu consciente do mundo. Ainda criança apercebeu-se da cegueira dos outros. Esta foi sua desgraça. Ao afastar-se da iniquidade, Joss fechou-se em si mesmo, criando uma camada sobre a outra, camadas que soldaram o homem gordo. Joss deixou de existir, a gordura era seu escudo contra o mundo. Joss era um tolo. Por se achar forçado a algo, Joss fazia o contrário. Não deste mundo, para este mundo. As mensagens que vinha de lá ele fingia não ouvir, no banho, costumava tapar os ouvidos e cantar e cantar alto e forte o mais alto e o mais forte que pudesse até que a garganta começasse a sangrar e os pulmões fossem torcidos. Quando alguém entrava no banheiro e encontrava Joss assim perguntava: Ficou louco de vez, gordo? E Joss respondia:

Estou tentando não ficar!

Joss descobriu que comer faziam as vozes se calarem. Foi assim que Joss se tornou o homem gordo. Por tentar esquecer-se da verdade, Joss engordou. E perdido, lá no meio de tudo, Joss foi feliz. Só isso. Mas um dia, no internato, Joss encontrou Erica, uma maluquinha que achava que falava com os pássaros. Erica chamava Joss de “O Grande Pássaro da Verdade”. Joss iluminou-se, pela primeira vez na vida encontrou alguém que também via, com quem podia falar sobre a coisa. E Joss há muito se torturava por isso, somente com muito esforço controlava-se para não gritar ao acordar:

SEUS IDIOTAS! VOCÊS NÃO VÊEM COMO TUDO ISSO É INÚTIL!!??

Pobre Joss. Um tolo. Está escrito que a tragédia se abaterá sobre todos os homens gordos. Joss sabia disso. Joss era um tolo. Erica não acreditava em Joss. Pelo contrário. Erica zombava de Joss. Erica odiava homens gordos. Erica tinha nojo de homens gordos. Erica realmente detestava homens gordos e não fazia ideia do porquê. Mas Joss demorou para perceber as verdadeiras intenções de Erica. Joss amava Erica, não queria, mas amava. Eu dizia a ele.

DEIXE-A! ELA SÓ VAI TE TRAZER SOFRIMENTO SEU IDIOTA!

E Joss me respondia baixinho:

Foda-se.

Foi somente naquele dia, naquela tarde, quando o sol pinta as coisas de vermelho sangue que Joss viu quem Erica era. Erica tinha desenhado no quadro negro um circulo. Todos riram daquilo. Todos acharam que se tratava de uma figura geométrica que imitava a condição de Joss e, embora não estivessem muito longe da verdade, o que afligia Joss era que aquilo simplesmente não significava nada.

ABSOLUTAMENTE NADA.

NADINHA DE NADA.

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A soberba de Joss foi sua ruína. Ele contou a Erica a verdade e está escrito que todo aquele que contar a verdade será tido como um idiota, UM IDIOTA!, pior do que louco. Joss sabia disso. Joss desafiou isso. Joss se fudeu.

Naquela tarde de sangue, Joss se jogou sobre o quadro, chorando que nem uma criancinha enquanto tentava apagar o circulo da verdade. E então, Joss tomou sua decisão. Antes da última gota de sangue cair dos céus, Joss pegou uma faca de cozinha e cortou suas banhas, da barriga, das costas, dos braços, das bundas, das coxas, das bochechas. Cortou tudo. Vestiu um casaco, pôs o capuz e correu para o refeitório para contar a Érica. Chegou lá gritando e esse foi seu único outro momento de felicidade durante toda a vida:

EU CONSEGUI ERICA! CONSEGUI!!

E quando seus olhos se encontraram, ele abriu o casaco e seus órgãos pularam para o chão. Joss morre sorrindo. Joss sabia a verdade. Joss sabia o que Eu queria. Tudo o que Eu queria era Joss vivo. Mas esta história se anuncia por tragédia e esta é nossa tragédia. A trágica vida desse homem gordo cruza com a nossa, e então? Será que simplesmente comemos e comemos para nos calar?

Joss contava que este mundo é uma criação toscamente inspirada em Dostoiévski por uma alma atormentada pelas mais bizarras tolices que o outro mundo já viu. Que a vida de Joss na verdade é uma tentativa de expiação das desgraças que atormentam a condição humana ao mesmo tempo em que há a crença mal formulada de que se pode  passar qualquer lição valiosa para as pessoas do outro lado desta tela. Ah! Nosso Deus é um tolo, sentenciaria Joss. Diga que vamos viver e imediatamente nos projetamos para a morte de peito nu. Joss sabia a verdade. Está escrito. Aqui.