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O peso da camisa

por Sócrates

Jogar no Corinthians é diferente. Não é como uma paixão adolescente descartável, tampouco uma daquelas certezas que possuíamos naquela época. É amor inconteste, é a alma gêmea com a qual sonhamos desde que a testosterona toma conta do nosso ser. Jogar no Corinthians é respeitar uma cultura, um povo, uma nação. É ter em conta que em cada segundo de nossas vidas é para servir a uma causa e não para dela usufruir. Jogar no Corinthians é como ser convocado para a guerra irracional e jamais duvidar que ela é a mais importante de todas as que existiram. É ser sempre chamado a pensar como Marx, lutar como Napoleão, rezar como o dalai-lama, doar a vida a uma causa como Mandela e chorar como criança.

Chorar de puros sentimentos, daqueles que arrepiam ao simples tocar da pele. Chorar de raiva inexplicável, quando sabemos que somos mais fracos e impotentes. Jogar no Corinthians é ser como todos os que nos assistem, é sentir a dor lancinante de estar longe dos que amamos, é ter certeza que ali, em campo, representamos muitos que lutam cada segundo para sobreviver no mais inóspito mundo, onde são a todo o momento agredidos, massacrados e cuspidos.

Jogar no Corinthians é ter coragem de enfrentar a massa, de colocar a cara para debater, discutir e explicar. Para jogar no Corinthians, não há espaço para passeios nem relax, o amor ao clube não deixa dormir. É uma honra infinita e, como tal, exige respostas, exclama respeito e compromisso. Jogar no Corinthians é saber o que é ser brasileiro, é alimentar uma família e a si mesmo com um mísero tostão, é andar horas, séculos, milênios em vagões imundos e porcos, sem que uma única voz se levante para nos proteger ou ao menos nos defender. Jogar no Corinthians é ir ao banheiro mais sujo do mundo por amor a uma bandeira.

Essa paixão não permite fugas, esconderijos, falsidades. É necessário ter coragem de representar o que de mais rico nós temos e de apresentar mais que atestado de bons antecedentes. Jogar no Corinthians é possuir uma declaração de honraria, ainda que seja válida por poucas semanas. Não é só suar a camisa, é sangrar até a morte. É parar de respirar quando uma derrota nos derruba sem direito a desfibrilador algum. É nunca rir da desgraça que provocamos (até porque jamais saberemos o tamanho dela).

Jogar no Corinthians é colocar alma e coração antes do bolso ou do futuro, e colar o supercílio com uma cola qualquer quando ele se mete a chorar de dor vermelha. Jogar no Corinthians é adormecer com o filho querido, é sentir o pulsar de seu pequeno coração, é abreviar a dor quando ela se estabelece. É saber o que é a sociedade no pleno sentido da palavra.

Espera-se de quem joga  no Corinthians uma postura altaneira e respeitosa, uma correção de conduta em relação aos anseios do povo que lá os coloca, endeusa, acaricia. Uma nação que tudo oferece aos jogadores que possam retribuir a confiança. Jogar no Corinthians exige um sentimento de brasilidade, de reconhecimento da extrema miscigenação existente nas arquibancadas, em cada mesa de bar, nos ônibus lotados de suor e sofrimento, para que se consiga responder às questões básicas colocadas na camisa alvinegra. Ser corintiano é, como disse o extraordinário Toquinho, “ser um pouco mais brasileiro”. Eu, por outro lado, digo: negros e brancos construindo uma nação.

Nada se compara ao Corinthians nesta terra chamada Brasil. Aqui, japoneses, árabes, mongóis, siberianos, italianos, bolivianos – além dos nordestinos – e até os originários de estados rivais se irmanam, dão-se as mãos, sofrem em comunhão. Gritam em êxtase a cada vitória por menos importante que seja, como se cada vizinho fosse mais que irmão, pai, mãe. Ou, quem sabe, ele seja realmente um representante de suas famílias distantes ou ausentes, inventando uma nova e substituta, formando uma gigantesca rede de genomas humanos com o mesmo DNA. Muitos não entendem a reação da torcida, mas é a que conhece.

Antigamente, se jogavam ovos e tomates nas péssimas apresentações artísticas. Hoje, jogam-se pedras, não nos artistas, e sim na falta de verdade na relação existente. E na instituição protegida pela armadura de um ou mais veículos e da guarda policial.

 

Quanto vale uma camisa?

por Bill

Sou flamenguista e me vi na descrição do Sócrates. De fato, Flamengo e Corinthians tem mais semelhanças do que diferenças. Flamengo e Corinthians: as duas maiores torcidas do Brasil. Seus torcedores  são reconhecidos como os mais pentelhos (não os mais odiados, isso é com os são-paulinos),  aqueles de paixão incondicional, capazes de levar 100 mil para um jogo, de chorar loucamente em uma derrota, de comemorar durante o ano todo a vitória sobre um time rival. Porque somos os melhores e Fla-Flu ou Gavião e Porco é sempre uma emoção daquelas. O Flamengo já viveu seu inferno astral enquanto o Corinthias era campeão brasileiro, agora é vez do timão passar por desgraças. E que infortunio maior não é ver um ídolo abandonar o barco na hora em que mais precisamos dele?

Se Ronaldo iria se aposentar por que não o fez antes? Se ele continuaria caso o corinthias avançasse na Libertadores, então por que não continua agora? Queria que algum reporter tivesse feito a ele essa pergunta a ele na coletiva hj, ninguém fez… estão badando ovo do maior artilheiro em copas do mundo, que para mim não passa de um covarde, que se despede do futebol pisando na camisa da torcida que o amou, porque nós flamenguistas torcemos pela sua derrota desde o inicio, quando nos traiu, treinando em nossa casa, declarando amor a raça rubro-negra e no outro dia vestindo a camisa do corinthians por fidelidade a Nike.

Mas eu cá pensei, talvez a torcida corintiana com esse amor louco (quase tão louco quanto o nosso) possa transformá-lo em um bom jogador (não em uma boa pessoa, uma vez mercenário, sempre mercenário), digo bom jogador, porque o bom jogador é aquele que se apaixona pelo time e eu acreditei que o Ronaldo iria se apaixonar pelo Corinthians… mas quando do primeiro revéz mais sério… aí está ele deixando seus companheiros em situação pior ainda, porque agora serão eles o alvo da raiva da torcida.

Injustiça Ronaldo ser o bode expiatório quando os onze perdem um jogo? Injustiça ser chamado de gordo quando dá o sangue para ficar os 90 minutos em campo?

Primeiro: Ronaldo não faz mais que sua obrigação como jogador profissional credenciado pela FIFA, se não dá conta pede pra sair.

Segundo e mais importante, pode até esquecer o primeiro: Porra, é corintia mano! 

Aquele que ama o clube se torna um herói, pois é capaz de aguentar as piores mentiras, a mais perversa injúria e, ainda assim, continuar jogando, pois sabe que a pior batalha é aquela que não se luta. Sabe que em meio as humilhações, na verdade eles torcem por você embora não admitam. Eles o amam, veneram-no e vão te acompanhar aonde quer que você vá. Ainda que alguns peçam sua saída, há sempre aqueles que desejam sua permanência, pois estes (os mais caros e dignos torcedores) sabem que ruim com ele, pior sem ele. Talento nem sempre é tudo, quem sabe de futebol (de esporte eu diria) sabe que somente onze jogadores podem vencer um jogo. “uma andorinha só não faz verão”.

Quisera eu que Ronaldinho Gaucho não fosse desses mercenários, mas que posso esperar desses jogadores que tendo tudo que se pode ter, e mesmo assim cobram horrores para jogar aqui? PORRA, QUEM AMA SEU TIME SABE! A GNT PAGA PRA JOGAR NO TIME DO CORAÇÃO!!!

 

billo que ele faz? Faz História (literalmente) na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, hetero-gay, otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!