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12 Páginas de uma Revista Francesa (France Football) que resumem o Brasil em todos os sentidos:

Ok, vamos ver com funciona uma lavagem cerebral. Digo isso pq tenho conhecimento de causa. Já fui fascista de esquerda. Típico produto desta lavagem cerebral. Você passa a odiar o país em que vive, todo mergulhado ele em corrupção, e você, o incorruptível, é o único que vê a VERDADE, e ou se organiza politicamente na oposição com um discurso raivoso ou começa a destruir e a sabotar tudo pq tudo e todos são farinha do mesmo saco, menos vc.

– Apesar do lema brasileiro: “Ordem e Progresso”, o que menos se vê na preparação deste mundial, é Ordem ou Progresso. É claro! Quem escolheu esse lema? É interessante pensar em Ordem e Progresso num dos países mais desiguais do mundo. Ordem para que os pobres não se rebelem e Progresso para que eles tenham esperança.

– A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta. Que Brasil? Há vários brasis. Um deles não gostou nada nada da falta de discussão quanto a sediar um evento caríssimo e fútil. E falo isso como petista.

– A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo. Repito: o brasil é um dos países mais desiguais do mundo, como não ser corrupto quando a própria sociedade promove a corrupção? Se vc acha que ver todos os dias dezenas de pessoas dormindo na rua e continuar indo pro trabalho ou pra escola não é corrupção, eu peço encarecidamente que você reflita sobre esse conceito.

– A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios. Disso não posso falar, sou pobre, nunca precisei ir num cartório na minha vida.

– Tudo se desenvolve a base de propinas. Atire a primeira pedra o país capitalista em que isso não ocorre. O que ocorre é que há uma parcela significativa da classe média que está descontente com o governo e credita os males do país a corrupção desse governo. Quer ver? olha o tópico seguinte.

– Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles. Viu?

– Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada. Ele fala isso pq credita os males do país a “população burra que não tem culpa de ser burra, mas é mesmo assim” que votou no governo lula.

– O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política. Porra, futebol (o esporte em geral) é bem mais legal que política, em que país não é assim? Eu respondo, os países chatos.

– O Brasileiro elege jogadores de futebol para cargos públicos. Isso é piada, né? E Ronald Reagan? não foi jogador, mas era uma celebridade como tal, o que sabia de política? Ora, sei lá, se voto em um candidato é pq me identifico com ele, não é essa a idéia de REPRESENTAÇÃO? Mas esse é o velho discurso de autoridade, como se o fato do cara nunca ter ido a escola o desqualificasse para representar quem quer que seja. NOTA: esse cara obviamente não se sente representado pelo governo lula. 

– Romário (ex-Barcelona) é hoje deputado. Aproveita o descontentamento com a Copa para se auto-promover, mas nunca apresentou um projeto de lei sobre saúde ou educação. Sua meta é dar ingresso da Copa para pobre(como se essa fosse a prioridade para um pobre brasileiro). Romário é um dos deputados mais atuantes da Câmara. Sem mais.

– O Deputado mais votado do Brasil é um palhaço analfabeto e banguela, que faz uma dança ridícula, com roupas igualmente ridículas, e seu bordão é: “pior que está não fica”. É, essa pessoa realmente detesta uma das caras do brasil.

– Em uma das músicas deste palhaço analfabeto ele diz: “Ele é ladrão mas é meu amigo!”, Isso traduz bem o espírito do Brasileiro (http://letras.mus.br/tiririca/176533/ ) Concordo.

– Brasileiros se identificam com analfabetos. Mentira. Eu me identifico, mas quem compartilha isso no face não.

– A carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo. Ah, quem me dera viver na França onde não se tributa consumo, mas renda… ai de mim!

– Mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA. Oi?

– Há um dito popular que diz que “Deus é brasileiro”. Concordo.

– A FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Aparthaid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras. Tipo, venezuela e irã, hum, já deu pra perceber que não foi um jornalista estrangeiro que escreveu esse artigo, né?

– O Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente. É, a FRANÇA, como se EUA e CHINA não fossem contra tb. Quem apoia a candidatura brasileira é a Alemanha, que quer entrar tb, e é a ALEMANHAAAA.

– A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha. (http://www.youtube.com/watch?v=urmR5fXMJu8 Pronto. Virou profeta que nem a presidente.

– Só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição. Desconheço os bastidores da fifa.

Continua…

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Buuu

Publicado: 17 de setembro de 2011 por Bill em Tudo Mais
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Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

– É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

– A nova classe média nos descaracterizou?

– Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada…

– Buuu para o Lula, então?

– Buuu para o Lula!

– E buuu para o Fernando Henrique?

– Buuu para o… Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!

– Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

– Sim. Não. Quer dizer…

– Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

– Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

– Por quê?

– Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

– Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

– Acho, mas…

Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

Luis Fernando Veríssimo, pelo Estadão

É sério, saiu pelo Estadão mesmo, ói o link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,buuu,711779,0.htm

Em 3 de março de 1967, os militares dão o segundo golpe com a publicação da Lei de Segurança Nacional. Udenistas e afins que pretendiam tomar o poder com o apoio dos militares foram “traídos”. O alto oficialato decide não entregar o governo aos civis por temer uma crise institucional. Assim, para manter a ordem, os militares endurecem o regime. Se antes os estudantes podiam fazer seus protestos, não mais. Greves? Nem pensar. Os jornalistas que atacavam o governo militar, emudeceram. Aqueles que não, foram obrigados a trabalhar na clandestinidade. Os exemplos são muitos, dentre os mais famosos estão O Pasquim e o Última Hora. Mas havia um pequeno jornal paulista, pouco expressivo além da Zona Oeste, que ironicamente se chamava A Expressão. O dono do jornal não era um jornalista, mas um homem que tinha duas paixões na vida: ferrovias e comunicação. Seu Nono já era conhecido pelos seus ousados investimentos ferroviários, mas sua entrega no comando de um jornal foi algo que surpreendeu até mesmo seus amigos mais íntimos. A Expressão, no entanto, ao contrário das suas ferrovias, não ia bem e geralmente dava prejuízo. Diziam que Seu Nono iria a falência em dois anos no máximo. Se seu sonho fracassaria isso é algo que jamais poderemos saber, porque no verão de 67, a redação dA Expressão pegou fogo até o último papel impresso. Foi um golpe doloroso para Seu Nono, que já nos seus mais de 70 anos não tinha mais aquela força juvenil para resistir as intempéries da vida. Talvez, o que tivesse deixado Seu Nono tão triste nos seus últimos meses de vida fosse a pergunta do porquê um jornalzinho do interior, uma simples caduquice sua, tivesse sido alvo de um atentado como aquele.

Seu Nono teve dois filhos. Sempre os levava para passear na sua locomotiva predileta e eles tinham bem guardado consigo a memória do som que a Maria-Fumaça fazia quando subia a colina. Seu Nono também levou os filhos para conhecerem a redação d’A Expressão. E ambos tomaram do pai suas paixões. Assim, quando o pai morreu, seus filhos montaram um sistema de redação coletiva, fragmentada e móvel. O sistema consistia basicamente em correspondências anônimas não remuneradas e impressão irregular. No inicio, participavam os dois filhos do Seu Nono e os antigos jornalistas d’A Expressão. Mas logo depois da primeira edição, começaram a receber pedidos de outros jornalistas querendo participar do projeto. Jornalistas na ativa inclusive, de grandes jornais. Daí, já na segunda edição o jornal adotou um nome: Expresso das Oito e Meia. Uma homenagem as duas paixões do Seu Nono, a velha Maria-Fumaça e seu jornalzinho do interior. Oito e Meia porque a primeira impressão ocorreu numa manhã de domingo às 8:30.

462 edições depois, o Passageiro Nº 1 (codinome do irmão mais velho, herança da ditadura) abandonou o comando do Expresso por divergências  ideológicas com o Passageiro Nº 2. Uma analogia ao processo de redemocratização. Sem um inimigo comum, nem mesmo a lembrança do Maquinista (pseudônimo dado ao Seu Nono) seria capaz de unir os irmãos.

O vale tudo que tomou conta das eleições presidenciais e mais! Entrevista exclusiva com o presidente Sarney e um super especial sobre a redemocratização, contando tudo o que rolou nos bastidores! Pegue sua passagem agora mesmo!

O link aqui: Expresso das Oito e Meia. ed462

Um agradecimento especial às minhas amigas Tálita e Riquelle, por sua inestimável colaboração. Valeu!

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido e meio afeminado, flamenguista, mineiro, sagitariano, otaku, metaleiro, sertanejeiro, petista, rabugento, boêmio, tonto, divertido y dulce…. um comunista pero no mucho.  Você pode até tentar me definir, mas no final sempre ficam três palavras: boa noite bill!

O site do Cara

Publicado: 19 de julho de 2011 por Bill em o Universo
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Lula lança site

No Instituto Cidadania são registradas as atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde sua saída do governo se dedica à construção do futuro Instituto Lula, voltado para causas políticas e sociais no Brasil, África e América Latina.

http://www.icidadania.org

E vamos fazer coro ao movimento #LulaNoTwitter

A ideologia vive

Publicado: 2 de maio de 2011 por Bill em o Universo
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Oposição vive momento de crise de identidade

A “notícia” estampada nos jornais de todo o país anunciava a debandada de boa parte dos deputados e vereadores do PSDB e do DEM para o recém-criado PSD de Gilberto Kassab. Partido esse que sob o comando do prefeito paulista, apóia o governo federal e o governo paulista, postura rejeitada pelo partido que, até pouco tempo atrás, Kassab fazia parte.

Pergunto. Que crise é essa se a oposição há 20 anos governa o estado mais rico do país? Sem falar em Minas, Goiás, etc. O próprio DEM que muitos já anunciavam sua extinção conquistou os governos de Santa Catarina e Rio Grande do Norte, melhor resultado que em 2006 quando ganhou somente no Distrito Federal, que embora abrigue a capital do Brasil tem pouca relevância do ponto de vista eleitoral. Se a vida política se garante sobre resultados eleitorais, a oposição vai muito bem obrigado.

Por que Kassab deixa o DEM quando a legenda vive seu melhor momento desde 2002?

A tal crise vem de outra ordem.

No plano nacional, o PSDB se juntou ao DEM, na época PFL, para formar o bloco parlamentar do governo. Em 94, tudo foi às mil maravilhas, o milagre do plano real brilhava nos olhos da classe média que podia ir às compras tranquilamente desde sabe-se-lá-deus-quando. As eleições de 98 estavam garantidas. Aí começou um movimento que é muito comentado, mas pouco discutido em suas consequências efetivas. O governo aprovou mesmo sob protesto ferozes da oposição a emenda da reeleição para presidente da República. Era o golpe branco de FHC. Um golpe não na oposição ou mesmo na República, alterar a Constituição em seus regimes eleitorais por mais que doa o coração faz parte do jogo. O golpe desferido por FHC atingiu sobretudo seu próprio partido. Há quem apressadamente argumente que o PSDB não tinha um político a altura do ex-presidente e que havia a ameaça do PT. Balela. Em 98 foi oba-oba, o PT nem chegou a fazer sombra ao PSDB. O caso é que Fernando em vez de pensar no futuro do partido, logo, em seu sucessor, decidiu que seria ele a colher os louros  depois que seu governo teve que sacrificar inúmeros investimentos para dar conta do arroucho fiscal que o plano real exigia. Era a hora da bonança e seria ele, Fernando Henrique Cardoso, pseudo-mentor do Plano Real, quem colheria os frutos tão duramente plantados. Foi um desastre. A política implantada mostrou-se incapaz de promover o crescimento econômico, os louros nunca viriam porque a lógica do plano Real mostrou-se perversa até mesmo para seus formuladores. Calcada em redução dos gastos públicos e juros altíssimos, muitos economistas, árduos defensores do Real, tentavam explicar por que o Brasil não podia crescer ainda.

Um assalto na calada da noite. As privatizações marcaram a fogo a memória do brasileiro. 

O problema do PSDB partiu da sua cartilha neoliberal. Uma resposta aparentemente simples dada a extensão da crise, mas é um tremendo engano achar que sua resolução é fácil, justamente porque o problema não é. Se José Serra tivesse comandado a legenda (ele é fraco demais para isso por N fatores), o PSDB teria um perfil bem diferente deste visto agora. Aliás, sem um perfil definido, o partido vive uma crise ideológica (que pode ser traduzida como uma crise de identidade), pois suas crenças mostraram-se erradas. Tal crise não é resultado de três eleições presidenciais consecutivas perdidas, mas simum sintoma de que algo está errado, afinal, o discurso não está convencendo. Convicção, esse é o problema.

Cardoso acreditava na política liberal, ele não acreditava no Brasil.

Para complicar ainda mais a confusão ideológica que o PSDB atravessa, o PT abraçou um espectro considerável dos gentis conservadores ao flexibilizar ou mesmo negligenciar bandeiras históricas do partido como o repúdio aos juros absurdos praticados pelo BC na época (e ainda hoje muito acima da média). Oportunismo, para os mais reacionários; pragmatismo, para os petistas e traição, para os ex-petistas.

Pragmatismo ou traição?

Fato é que essa guinada do PT sob o comando do ex-presidente Lula para a centro-esquerda desnorteou completamente o PSDB muito mais do que não ter uma raiz na sociedade, pois embora ela não tenha sido tão ramificada (ou profunda) quanto a do PT, é preconceito afirmar que não tiveram uma. Tiveram sim, só que bem diferente daquela do Partido dos Trabalhadores. Mas sinceramente, isso não significa muita coisa. As raízes da UDN eram muito profundas e eles também ficaram muito desnorteados quando Vargas nos anos 50 voltou (como ele mesmo prefetizou) “nos braços do povo”, que tal qual o PT (ou seria o contrario?), tinha uma ideologia mais fluida, (dificílima de combater, pois os dogmas são relativizados) e ainda que se possa argumentar que seu governo não era de esquerda, há de se admitir que Getúlio contrariava muitos interesses da direita que convenhamos era (ainda é) muito mais poderosa do que a esquerda.

José Serra na campanha presidencial sabia qual era o melhor caminho para o PSDB, enterrar o passado (esquecer, ou fingir que esqueceu, os erros, isto é, o apoio a política de FHC) e começar tudo de novo. Se tivesse conseguido se eleger, provavelmente quem estaria em crise agora seria o PT. Pegue o artigo do ex-presidente Cardoso tentando mostrar um caminho ao partido, um caminho que respeitasse o seu legado e no entendimento dele, o próprio partido. Já diria minha vózinha “muito ajuda quem não atrapalha”. O PSDB passa por uma crise justamente porque tem em tese uma ideologia social-democrata, mas praticou no governo FHC a liberal-democracia. Aí vem o ex-presidente dizer que deveriam parar de falar para as grandes multidões e se voltar para um público mais restrito, daí a confusão ideológica. Muitos dentro do partido acreditam na social-democracia e viram por 8 anos os petistas governarem do jeito que eles deveriam ter governado. A critica ao artigo do ex-presidente também é partidária. Esquecer o “povão”? Que social-democracia é essa que vira às costas para as massas? O ex-presidente Cardoso insiste em ser lembrado quando já devia ter se despedido da vida política, como ele mesmo fez com suas idéias.

Façamos um exercício mental especulativo. Imaginem que o resultado do segundo turno de 2010 tivesse sido diferente (lembrem-se da pequena diferença do segundo turno). Então veríamos o ex-presidente Lula tentando recuperar o ânimo dos derrotados não é mesmo? Tendo que responder a perguntas do tipo: O pragmatismo funcionou? Por que o ex-presidente Lula do auge de seus mais de 80% de aprovação não conseguiu eleger o sucessor? A tese da direita de que Lula é louco por holofotes iria pesar no debate. Teria o ex-presidente escolhido propositalmente um candidato mais fraco para que sua imagem não fosse eclipsada? Colocar a figura do ex-presidente em xeque, sem dúvida seria o o inicio de uma crise que poderia devastar o partido, já tencionado pela variedade de tendências ideológicas dos seus membros (muitos não engoliram até hoje a escolha de Henrique Meirelles para o BC). Afinal, a opção pela flexibilidade ideológica provou-se errônea. Percebam como o que ocorre com o PSDB é justamente isso, o partido perdeu seu líder ideológico e ficou desnorteado. Muitos dentro do PT fazem cara feia para a política macroeconômica adotada, mas aceitam porque confiam no Lula. Como muitos do PSDB confiaram em Fernando. Só para fechar nossa viagem imaginativa, e fixar uma diferença importante, pense em Lula sendo questionado internamente pela derrota, mas gozando de alto prestígio Brasil afora.

Em 2002, o povo estava insatisfeito com o governo, os próprios tucanos não tinham esperanças de vitória. Em 2006, apostaram no repúdio da população aos sucessivos escândalos de corrupção, deixando a ideologia em segundo plano. O vencedor da disputa interna foi Geraldo Alckmin, um político bem mais identificado com os ideais puritanos da direita do que José Serra. Nas eleições de 2006, o que marcou não foram as acusações de corrupção de Alckmin, mas principalmente sua falta de convicção em defender o legado do governo FHC, sabia que os erros da gestão tucana eram indefensáveis, mas o que fazer? Essa pergunta martelava o rosto de Alckmin nos debates.

Em 89 o PIG (apelido cartunesco dado à mídia conservadora) era capaz de eleger um presidente.

No dia 14 foi ao ar no Jornal Nacional a edição do debate presidencial entre Lula e Collor

Em 2010, José Serra se lança não somente candidato para presidente da República, mas fundador de um novo pensamento no PSDB. Reconhecia os êxitos da gestão petista e considerava que poderia fazer melhor. O que não podia era defender o ex-presidente Cardoso. Se ganhasse, FHC seria enterrado definitivamente. No entanto, Serra não conseguiu desfazer a impressão deixada pelos tucanos no governo federal. A crise do sistema financeiro mundial mostrou que o Estado mínimo bancado pelo FMI e que o PSDB aceitou de bom grado, estava terrivelmente errado. Não que os brasileiros não soubessem disso, mas a crise salientou a diferença abismal que separava os dois governos.

Enquanto FHC some, Lula aparece.

Agora fique atento ao comportamento eleitoral do brasileiro na última eleição diante da seguinte sentença: O neoliberalismo é uma ideologia definitivamente fracassada (pelo menos atualmente). Então a escolha concentra-se em Plínio do PSOL, garantia de Estado forte, mas muito radical para o gosto da maioria; Marina Silva, ex-petista, seu perfil deixa dúvidas quanto ao seu esquerdismo, logo a possibilidade de um Estado fraco; Dilma do (pelo) PT, garantia de Estado forte, mas muitas atitudes denotam sua proximidade com a direita e José Serra, que também é garantia de Estado forte só que não deixa dúvidas do seu vínculo com a direita. Essa foi a cisão nas eleições de 2010.

Abaixo um esquema de como fica o ciclo ideológico brasileiro ultimamente:

Ciclo ideológico dos partidos brasileiros

PV e PMDB agregam diferentes matizes, por isso são de centro, embora isso seja uma simplificação didática e altamente questionável. PT e PSDB são puxados para o centro por conta de seus respectivos candidatos, ainda que tenham uma identificação ideológica diferente destes. Repare na tensão que existe. Enquanto o PT é puxado pela direita, o PSDB é atraído pela esquerda.

Embora o terrorismo religioso tenha conquistado muitos votos para o PSDB, foi o fato de Dilma e Serra terem perfis muito próximos um do outro que provocou o racha eleitoral. Só que a batalha de Serra era muito mais difícil que a de Dilma, enquanto ele tinha que lutar contra o fantasma de FHC, Dilma tinha o escudo enorme e reluzente do ex-presidente Lula, por isso o tucano jogou sujo, aceitando a baixaria que seus aliados insulavam, para que driblasse a desconfiança dos mais conservadores (contingente considerável) com a chantagem ideológica de que ao contrário de Lula, Dilma não teria legitimidade dentro do PT para conter as alas mais radicais. Sem dúvida o grande erro de estratégia de Serra. Ao tentar conquistar o apoio dos conservadores que votaram em Marina, o PSDB polarizou ideologicamente a disputa, que era tudo o que o PT mais queria. Ora, sem mais, era só confrontar os 8 anos do PT com o do PSDB. Até para quem tinha votado em Serra no primeiro turno recuou diante do radicalismo do tucano, afinal, ficou fácil identificar a ideologia dominante no PSDB.

Sem propostas diferentes, o discurso caiu na baixaria

Mas, e agora? Serra sai derrotado da disputa e não tem legitimidade para traçar o caminho a ser seguido pelo partido, embora seja a sua, a idéia mais acertada. Talvez por isso tenha cruzado os braços diante do surgimento do PSD encabeçado por Kassab, legenda que certamente iria enfraquecer a oposição. De duas uma: ou o ex-governador pretende ingressar na legenda para escapar do passado maldito do PSDB ou aproveitar o enfraquecimento da legenda tucana e tomar as rédeas da situação. Um aviso importante para a oposição: Serra conseguiu 40 milhões de votos no segundo turno, mas enquanto FHC era colocado de lado no programa eleitoral do partido, a figura de Lula era no mínimo respeitada quando não enaltecida. Numa análise apressada e descuidada pode parecer personalismo, mas a meu ver Lula é claramente uma escolha ideológica do eleitorado brasileiro. Ironicamente, quando temos um novo partido social-democrata sendo criado, muitos apontam a falência do sistema político brasileiro pelo aspecto unitário de busca eleitoral sem perfil ideológico. Pode ser, mas para mim, tal conclusão é redutora e cínica da realidade. O PSD surge para atender carências ideológicas que DEM e PSDB não são capazes de suprir, seja por vícios ideológicos ou por interesses particulares de alguns caciques. Quando o PDS não se coloca como oposição, é uma posição pragmática sim, mas que não deixa de ser ideológica. Afinal o PT agora representa a social-democracia e para se opor a esse projeto ou você é socialista ou liberal e nós já sabemos, pelo menos no plano nacional, a preferência ideológica do brasileiro.

 

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido, flamenguista, mineiro, sagitariano, petista, boêmio, metaleiro, tonto, divertido y dulce… um comunista pero no mucho. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!