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Será?

Henrique de Campos Meirelles

O que a saída de Meirelles da presidência do Banco Central indica a primeira vista é mudança de postura quanto a política econômica. Todos sabem do caráter conservador de Meirelles que na crise tinha sugerido uma política de contenção de gastos para blindar o Governo Federal de uma crise que, apontava certos prognósticos seria a pior desde 1929.

Guido Mantega, ministro da Fazenda (já confirmado no cargo) foi diametralmente oposto, insistiu que os investimentos federais não poderiam ser contidos, pelo contrário deveriam ser ampliados, que os bancos oficiais deveriam aumentar a oferta de credito e que fossem concedidas diversas isenções de impostos para incentivar o consumo.

Nós sabemos em quem o Presidente Lula confiou. Sabemos também que a aposta do presidente foi acertadissíma já que o Brasil foi o último a entrar na crise mundial e um dos primeiros a sair dela. Seguindo a idéia de Meirelles talvez estivéssemos com uma inflação menor, mas certamente estaríamos mergulhados na crise sem perspectivas de melhoras já que o país não dispõe dos vultosos recursos como EUA e UE, mesmo assim, no caso desses últimos em especial Espanha e Itália, países de considerável envergadura econômica passaram por extremas dificuldades e embora a Espanha esteja em situação melhor agora não se pode dizer o mesmo da Itália que ontem derrubou as bolsas européias diante da possibilidade de que não consiga honrar com seus compromissos.

Voltando ao assunto inicial, sabemos que Guido Mantega saiu da crise internacional gozando de invejável credibilidade, já Meirelles ficou manchado por ter dado opiniões que seriam ao que tudo indica desastrosas para a economia nacional. Um fato importante disso é que Dilma compartilha bastante do pensamento econômico do ministro da Fazenda, que acredita no papel fundamental do Estado como fiador do desenvolvimento. Logo, as cartas foram marcadas e Meirelles seria o coringa do baralho se não fosse sua conduta intransigente para com a inegável cumplicidade entre a presidente eleita e Mantega. “Ou ele ou eu” – teria dito Meirelles no famoso ato conhecido como tiro no pé.

Em nota oficial a presidente eleita justificou a escolha de Alexandre Tombini, profissional de carreira do Banco Central, como novo presidente da instituição dando continuidade a política econômica do governo Lula, dando garantias de plena autonomia ao BC.

Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC)

Na cena estão em cumprimento simbólico Belchior (sua pasta agora é responsável pelo PAC), Mantega e Tombini. A imagem vale por mil palavras mas resumirei em uma: um tripé. No final das contas Meirelles foi o seu carrasco, a tendência era manter tudo como estava, Guido empurrando para frente, Meirelles tentando frear o ritmo e o presidente pedindo calma aos meninos. Com a posição firme de não aceitar ser contrariado quanto a política monetária, somado ao fato de que Dilma não se dava muito bem com seu conservadorismo ultra-ortodoxo, Meirelles selou seu próprio destino a frente do BC.

Pelo seu histórico Tombini também é muito conservador. A esperança é de que seja menos do que Meirelles e o país possa avançar sem ter que ficar com os pés tão doídos do chinelo apertado.

 

billo que ele faz? Faz História (literalmente) na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, hetero-gay, otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!

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