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Olá, eu sou o Bill. Sou formado em História pela UnB e estou começando o curso de Direito, também na UnB. No dia 20 de março, domingo, na praça da biblioteca nacional, eu participei de uma reunião e o que eu encontrei lá foi…

eu simplesmente preciso compartilhar com vocês. E não é só a idéia, mas também a forma, sua manifestação prática e por isso muitas vezes inapreensível e imprevisível. E todo esse movimento partiu de um grupo que eu, por puro preconceito, julgava ser impossível que pudesse partir. Impossível.

Pra falar disso, infelizmente, eu preciso falar de mim. Sim, infelizmente. Porque considero absolutamente necessário que vocês entendam as raízes do meu pensamento que acredita nesse movimento difuso, mas de potencial simplesmente inesgotável. Porque como eu tinha dito não é só a idéia, mas a forma com que ela se apresenta. E o horizonte radical e banal – banal! – pra onde ela aponta. Um aviso aos navegantes. A toupeira que só conhece as trevas do mundo subterrâneo quando por acaso se depara com a luz fica imediatamente cega. Então vamos lembrar da primeira frase do Guia do Mochileiro das Galáxias: NADA DE PÂNICO!

Eu sempre fui pobre e só muito recentemente minha família teve acesso a itens mais supérfluos de consumo, como televisões gigantes, geladeiras cabulosas e carros mais ou menos novos, quando não novos, zerinho de fabrica! Mas isso foi só recentemente. 20 anos atrás nossa situação era desesperadora. O pai trabalhava na sab e tinha sido demitido naquele processo de “demissão voluntária” do Fernando Henrique, ou foi do Itamar, não sei, mas foi nessa época ai. Esse pai era alcoólatra e extremamente machista a ponto de obrigar minha mãe a usar calças maiores (e a mãe já era meio gordinha), o tipo de pessoa que quando a esposa puxava os parabéns para uma criança, ele ficava dando beliscões nela em segredo. Vocês já podem imaginar. O pai espancava minha mãe. E um dia ela foi embora. De casa. Mas não das nossas vidas. Foi a mãe quem nos sustentou durante alguns anos. Eu, meu irmão, minha vó e o pai. Minha vó vendia dindin pra ajudar no pão de cada dia. Vocês sabem quanto era o salário mínimo nos anos 90, né? Pois então, era esse salário que sustentava cinco pessoas. Daí quando a mãe podia ficar com a gente no fim de semana, que a gente ia numa festa dos colegas de escola dela, pq ela voltou a estudar, (o pai a tinha proibido de continuar os estudos quando casaram), ta rolando lá a bagaceira do é o tchan e eu digo pra mãe, no meio dos amigos dela: Você ta dançando que nem uma galinha.

Esse é o tipo de pessoa que eu sou. Em essência, alguém que acredita em alguma coisa e é capaz de qualquer coisa por ela, até mesmo renegar a própria mãe. Mas vamos lá.

Passado algum tempo, nós fomos morar com ela, num barraquinho, um puxadinho da casa do meu avô, que morreu recentemente e que por tudo que fez com a minha mãe deve ta ardendo no inferno. Pra não me alongar muito, não vou falar do que ele fez com ela, mas conosco. Em síntese, pra vocês entenderem, meu vô era uma pessoa que saia para trabalhar, 6, 7 horas da manhã e desligava a chave de energia elétrica. Daí, minha mãe saia para trabalhar e eu, meu irmão e minha prima ficávamos sem luz até as 7, 8 ou 9 da noite quando ele voltava. Minha mãe conta, eu não lembro, devo ter bloqueado essa parte porque morro de medo dessas coisas, que ela dormia abraçadinha com a gente porque tinha medo que uma ratazana pudesse cair do teto e comer a gente vivo. Ela via as ratazanas circulando por entre o plástico que revestia as paredes de madeira do barraco.

Então foi essa a minha infância. Não é difícil entender meu ódio pelo mundo. Minha mãe vivia estressada com essa vida de merda, sem poder dar uma vida digna pros seus filhos, trabalhando que nem uma louca pra ganhar uma miséria. Ela sempre estava furiosa e super agressiva. Batia muito na gente.

E eu te entendo, mãe.Te entendo perfeitamente. Se você tivesse colocado um travesseiro na minha cara e me sufocado a noite, eu também entenderia. Você na verdade foi uma guerreira, uma heroína. Isso não apaga seus crimes. Mas é que suas vitimas te perdoam. Eu te amo de todo coração. Desculpa por entender tão tardiamente a senhora.

OK. Tai meu ódio. Minha mãe me batia e eu a amava e não entendia porque ela me batia ao mesmo tempo que entendia sim porque, as vezes, ela gritava que estava ficando LOUCA! Que não agüentava mais, que ela tinha vontade de pegar tudo e ir embora (e fala até hoje, menos, mas fala. Eu mudei, nós mudamos, mas também não foi tanto assim). Eu tinha raiva porque de certa forma eu conseguia compreender, com 11 anos, 12 anos, que se nossa vida fosse um pouquinho mais confortável materialmente a gente não teria todo aquele estresse inflando o barraco. E na adolescência, e mesmo depois, esse ódio se tornou em desprezo total e violento pela democracia. Não só pela minha vida. Eu ainda tinha a empatia de perceber que se tava ruim pra mim, fi, tava muito pior pra uma GALEERAAA. Eu lembro de uma reportagem do ratinho que ele chorava (não sei se por sensacionalismo, enfim) que mostrava uma agreste nordestino, onde o povo da região fazia uma mistura de farinha e barro porque não tinha nada pra comer.

Eu odiava a democracia. Era o véu que fazia a gente ficar quietinho enquanto a excrotidão rolava solta país afora. Eu a desprezava e até hoje isso, em parte, está dentro de mim.

Então, pouco antes de ingressar na UnB, no cursinho, eu era um coxinha de cabo a rabo. Quando saiu o negócio do mensalão e a mídia começou o processo golpista. Globo, tá gente? era praticamente a única fonte de informação que eu tinha. E foi uma lavagem cerebral. Eu lembro que quando saiu a capa da veja com o título: Lulalá e os 40 ladrões, eu recortei o nome dos 40 denunciados e coloquei na parede do meu quarto (parede de reboco, não de madeira, as coisas tinham começado a melhorar). Eu queria lembrar pra sempre do nome dos 40 desgraçados que tinham traído a esquerda e roubado milhões.

Corrupção.

Será que pode existir alguma coisa mais horrível para uma democracia capenga do que a corrupção? Po, já ta uma bosta dos infernos e ainda tem uma galera que rouba???

Não, esses 40 tinham que ser açoitados em praça publica como exemplo, era o que eu pensava, era o que eu desejava, era o que eu queria fazer se pudesse.

Gente, nessa época, no Orkut, eu tava num grupo que se chamava: Sou brasileiro, e já desisti (alusão a propaganda espetacular do primeiro governo lula). Eu não acreditava no Brasil e a bandeira nacional era meu único refugio. Vei, eu simplesmente não sei como esse troço ufanista funciona, mas sei lá, ta escrito ordem e progresso naquele pedaço de pano, e ai vc pensa, ah, se tivesse um pouco de ordem e progresso tava bom. Não sei, o negócio é que eu beijava a bandeira e se encontrasse algum petista defendendo o governo eu ia agredi-lx cabuloso, nunca fui de violência física, mas violência verbal era comigo mesmo. E olha só o meu loop fascista-cristão, eu insulto a pessoa, xingo ela, escrotizo até que ela me dá um soco. Aí, é ela quem ta errada e eu sou superior moralmente. Sim, 100% coxinha. #VemMeteoro.

Mas ai,

#EsperaMeteoro, espera

ai

no segundo semestre de 2007, eu passo de segunda chamada para o curso de História na UnB.

Foi um choque. Pensei que ia encontrar uma galera revolucionária e tals, que nada. Tudo coxinha, pior que eu. Pior que eu, dá pra acreditar? Porque pelo menos eu era pobre e queria fazer alguma coisa. A maioria do povo que encontrei só queria saber de cachaça, mulher e futebol. Falar em política numa mesa de bar para eles era uma heresia. Colei com a galera do serviço social. Ali a política era fulminante. Ia pro bar e discutia sobre o governo lula e a corrupção, a traição da esquerda. Mas eu ainda tinha um ódio sinistro dentro de mim.

Ver gente branca, de olhos azuis, que mora no lago sul, falando que a gente devia pegar em armas e fazer a revolução!? (o que eu achava que era o único caminho possível) foi um choque classista violento demais para os meus pobres horizontes de mundo. Meu raciocínio era bem simplezinho:

vei, como uma pessoa que nunca sofreu o que eu sofri pode querer fazer a revolução?

Quem ela pensa que é?

E caso tenha coxinhas lendo, revolução pode ser uma coisa simples como pôr um basta na corrupção. Uma parada tão utópica quanto o comunismo, mas vamos lá.

Daí que eu comecei a me aproximar mais da galera da História e me entreguei as futilidades da vida universitária. Esquecer política, esquecer o ódio, esquecer dos problemas (que estavam diminuindo consideravelmente, lá em casa por exemplo a parede não era mais de reboco e minha mãe tinha conseguido comprar o primeiro carro de madame dela). O negócio era beber, beber até a morte. Fumar muito, rir muito. Ficar louco.

Recomendo que todo mundo em algum momento da vida se deixe levar por esse frenesi dionisíaco, é pesado? é, mas tem algum role meio mágico nessa parada. Os amigos que fiz ali estão no meu coração até hoje, mesmo os que eu não tenho mais contato.

A gente de vez em quando se reúne para jogar RPG

E falar sobre política, sim! Por horas e horas! (acho que a última foi sobre racismo, muito boa)

Enfim, em algum momento que não sei dizer qual, eu virei petista. Agora eu tinha acesso a uma serie de informações que me eram negadas.

Sabe, vou te dar um exemplo prático do role.

Quando a presidenta Dilma disse que a gravação ilegal revelava que o termo de posse era só para o caso do lula não poder vir a Brasília, pense o seguinte: onde está a trabalhadora e o trabalhador quando ela disse isso?

Tavam trampando, muito provavelmente, elas e eles não puderam ver a integra do discurso.

Daí esses trabalhadores chegam em casa e vêem a maravilha do jornal nacional, Willian bonner editando o discurso da presidenta e claramente debochando da explicação oficial.

Assim, eu particularmente achei uma desculpa bem esfarrapada também, mas qual é o papel de uma concessão pública? servir ao público! Não aos seus interesses privados! É preciso buscar intransigentemente a imparcialidade (eu sei que é impossível, to falando de tentar carai). Só que o sem-vergonha não faz isso! Ele passa a idéia para a trabalhadora e o trabalhador de que a presidenta num tem mais respeito por você e ainda que isso seja verdade, aqui vai:

WILLIAM BONNER NÃO SABE A VERDADE.

Em verdade, ninguém sabe, e o papel de alguém que serve ao publico, e era pra globo, veja só, servir ao público, ela serve aos interesses de seus donos, que podem simplesmente não gostar da cara da presidenta. O papel de uma concessão publica é buscar apresentar os dois (ou vários) lados e permitir que a pessoa forme a sua própria opinião a respeito.
Mas a globo não faz isso. E é um role sistemático. É dessa lavagem cerebral que eu tava falando.

NÃO TEM OUTRO LADO.

Olha ai meu ódio voltando. Mas ele conseguiu se acalmar, e pq? Porque o PT era governo e vei, além de acabar com essa desgraça que era a fome, o PT ainda ampliou o acesso a universidade pública, eu sou prova viva disso, entrei em 2007, criou pasta de igualdade racial, combate a violência domestica, pôs a marina silva no meio ambiente por um tempo, ciro gomes na transposição, gil na cultura e uma centena de coisas mais que não to lembrando agora. Meirmã, nem no sonho mais louco tu poderia sonhar com isso. Mas não foi de imediato, eu fui vendo isso aos poucos. Fiquei cego no inicio, mas se você não entrar em pânico, você acaba se acostumando com a luz.

Então estamos aqui, o golpe costurado em 2006, lá em 2006, ta ai outra vez. Agora eu já conheço história. Conheço a versão que me foi negada conhecer. Agora eu sei, e não é difícil entender porque eles não querem que a gente saiba. Porque é muito fácil você montar paralelos com o cenário atual e 64. fácil, fácil. As crises institucionais, o discurso contra corrupção, o medo do comunismo e seus espantalhos: se na época era cuba, união soviética, china, agora é foro de são Paulo, farcs, unicórnio, enfins.

Os golpistas de hoje aprenderam com 64. Os monopólios de comunicação e a plutocracia jamais permitiriam que os militares comandem novamente (há não ser que haja guerra civil).

E nós?

O que nós aprendemos com 64?

Democracia. Numa sociedade capitalista, são os ricos que detém o poder. São deles os meios de comunicação, são eles, seus filhos e parentes, que ocupam as maiores carreiras do funcionalismo público. Eles governam tudo. Por isso nossa democracia é essa coisinha tão frágil. Mas é democracia. Pense o seguinte. Pelo menos, eles tem o pudor de mover o corpo de um jovem negro para outro lugar porque sabe que isso é errado e ele pode ser eventualmente punido por seu assassinato. Numa ditadura, minha amiga, meu amigo, o jovem negro é deixado lá mesmo, no meio da praça, para que todo mundo veja e entenda o recado. (veja Cidade de Deus de novo). É essa a diferença. É pouca? Sem duvida. Mas é essa que temos e é nela, acredite se quiser, que tudo é possível, tipo, operário presidente da república ou uma mulher torturada pela ditadura militar ser comandante das forças armadas num país extremamente machista. Oxe, dá pra fazer altos roles. E é pela democracia que nós podemos denunciar esse genocídio da juventude negra, o feminicídio, a desigualdade social, etc.

Mas nada se faz, alguém diz entre triste e meio enraivecido comigo.

Mentira. É só que é muito pouco e lento porque é democracia. Democracia numa sociedade absurdamente desigual. Por isso a democracia é difícil, porque os atores tem forças diferentes. Você não tem a mesma força que o neto do Roberto Marinho. Ele tem muito mais poder. Mas uma democracia perseguida com inexorável resiliência pode um dia encontrar uma forma de horizontalizar essas diferenças, distribuindo pesos diferentes para atores diferentes. Quer um exemplo prático? COTAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS (Q pra mim nem é o modelo ideal, pq se se assume que a universidade pública não pode atender todo mundo, então que seja por sorteio, mas foi só um exemplo de como a democracia pode se efetivar sobre forças contrárias poderosíssimas).

Eu reconheço que tenho uma ligação mística com a democracia.

Lembre-se: NADA DE PÂNICO.

Lembra daquele negócio fascista que eu falei de provocar e depois de tomar porrada eu sair como superior? Isso é fundamentalmente cristão. É claro que é uma postura distorcida, mas no seu âmago é a busca da paz. Vc pode me provocar, vai fundo, mas se eu não reagir, independentemente do que vc faça comigo, eu sou melhor que você. Cristo era melhor que todo mundo, porque amava todo mundo e perdoava tudo aquilo que ele considerava errado. Coisas praticamente imperdoáveis para a sociedade da sua época, como o adultério por exemplo (o que é fichinha se vc pensar que os evangelhos afirmam que cristo foi capaz de perdoar os próprios torturadores). E o cara se sacrificou por esse ideal. Porque acreditava no amor de Deus Pai.

Morreu por porra nenhuma.

Deus não existia e a sociedade continuou uma bosta fumegante. Mas ainda que esse Deus católico possa não existir, a idéia de Cristo existe. É ela que ao longo do tempo fez as pessoas humanizarem umas as outras. Ou você acha que um bolsonaro da vida, se não fosse o dogma cristão, teria qualquer pudor de colocar um grilhão num negro e sabe-se lá o que mais? O que o impede de ser mais repulsivo do que ele é, é a moral cristã. Não que ele ame o próximo, esse canalha sequer deve saber o que é amor. Mas é essa moral que impede seus surtos fascistas. Dele e dos seus seguidores.

Não entre em pânico. Você não precisa acreditar nessa minha democracia maluca. Acredite na sua. Que seja sem amor. Se existir o respeito pelas diferenças tá tranqüilo, ta favorável.

Mas preciso dizer, pq eu preciso reencantar o mundo. Eu amo. Eu amo o bolsonaro, (não muito, mas eu tento, juro) porque sinto pena dele. Ele não sabe o que faz.

E esse sentimento em mim é pura democracia. Radical. Visceral. Incondicional. Ridícula. Absolutamente ridícula. Dá até pra imaginar o bolsonaro gargalhando disso.

Mas é ridícula tal qual Dostoievski imaginou o sonho do homem ridículo.

Estou concluindo, mas antes permitam-me uma pequena digressão. Alguém já assistiu formiguinhaz? É um ótimo filme, quase um tratado sociológico e filosófico sobre o individuo e a coletividade que coloca no povão a sustentação da sociedade, mesmo que esse povão possa ser facilmente descartado quando se tem vontade. Mas a melhor imagem motivacional ficou com uma outra animação da época, com o mesmo tema, vida de inseto. Quando um gafanhoto deixa cair uma semente sobre a cabeça de outro gafanhoto e pergunta: doeu? Ao ouvir um “não” risonho, o líder dos gafanhotos despeja milhares de sementes em cima dele, soterrando-o.

No dia 20 de março, domingo, na praça da biblioteca nacional, eu participei de uma reunião e o que eu encontrei lá foi isso. Nós. Juntos. A força. Mas não a turba fascista. Democracia.

O evento era organizado pela Luisa Oliveira e o Franklin Rabelo, dois, para mim, notórios ex-militantes do PSTU. A Luisa eu conheci na ocupação da reitoria e o Franklin por causa do grupo fascista enrustido da UnB no facebook.

Vei, eu comentei com uma amiga: Eu vou nesse evento para ouvir. É a galera do PSTU vei, os caras só querem saber das suas vivencias, democracia zero, super potencial fascista.

E lá, mesmo com toda pressão da militância do PSTU, outras pautas surgiram em defesa da democracia, contra o golpe (que o PSTU acredita que não existe pq para eles é só a direita se estapeando, e pior, o PT por sua história na esquerda ainda desmobiliza as bases, avaliação muito válida). Mas, inacreditavelmente, para o meu preconceito chulo e reducionista da humanidade, a galera aceitou as opiniões contrárias e aceitou construir um movimento juntos.

Olha, vou te contar, to arrepiado até agora.

Pq eu admiro vocês. Vocês são tudo que eu quero ser, mas tenho preguiça. A galera que organiza, que se dispõe a perder o fim de semana, que faz de um tudo pelo que acredita. Vei, se tu coloca democracia num negócio desses, então, não tem limites. Pq o único limite da democracia é a própria democracia.

Democracia pra mim é como aquela montanha de ouro que o tio patinhas mergulha. O dinheiro é o sonho dele. A democracia é o meu. Sei que nada sei, e é por isso que eu preciso te ouvir. Nada me deixa mais feliz do que te ouvir e ver outras pessoas se juntarem para fazer o mesmo. Procurar entender. Talvez discordar. Refletir, quiça profundamente. Ouvir outra vez. Democracia é o nirvana orgásmico pra mim.

E aqui vai o que eu quero propor. É bem banal, mas eu espero q vc pense com um pouco mais de seriedade do que eu mesmo consegui fazer aqui (sou sagitariano, não resisto a piadas).

A frente única tai, decidida lá no dia 20, só que eu quero lançar o conceito de DEMOCRACIA PLENA, RADICAL, VISCERAL, INCONDICIONAL E RIDICULA.

O que é isso, bill? (eita brisa pesada)

Agora todos serão ouvidos (não todos né? Quem quiser falar, a gente não tem a vida toda pra perder numa assembléia).

Oxe, vei, isso ja existe doidão, foi o que rolou lá inclusive.

To ligado, mas a questão aqui é Todos. Numa perspectiva fundamentalista.

A maioria prevalecerá? bem, sim. Mas nós da esquerda sabemos que uma democracia não se faz sem respeito as minorias, as diferenças. E nós somos capazes de viver isso. De colocar isso em pratica. Porque nós respeitamos a democracia.

Dia 20 não me deixa mentir.

Mas ela precisa ser também visceral. Radical. Incondicional. Mas sem ilusões, esta será a democracia mais ridícula de todas. Mas também será a única verdadeiramente plena. É preciso levar a democracia para todos os âmbitos da nossa vida. Como? Eu tenho minha ideia, a gente pode se encontrar e discuti-la, que tal?

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Isso foi compartilhado 500 mil vezes no facebook. Não resisti.

12 Páginas de uma Revista Francesa (France Football) que resumem o Brasil em todos os sentidos:

Ok, vamos ver com funciona uma lavagem cerebral. Digo isso pq tenho conhecimento de causa. Já fui fascista de esquerda. Típico produto desta lavagem cerebral. Você passa a odiar o país em que vive, todo mergulhado ele em corrupção, e você, o incorruptível, é o único que vê a VERDADE, e ou se organiza politicamente na oposição com um discurso raivoso ou começa a destruir e a sabotar tudo pq tudo e todos são farinha do mesmo saco, menos vc.

– Apesar do lema brasileiro: “Ordem e Progresso”, o que menos se vê na preparação deste mundial, é Ordem ou Progresso. É claro! Quem escolheu esse lema? É interessante pensar em Ordem e Progresso num dos países mais desiguais do mundo. Ordem para que os pobres não se rebelem e Progresso para que eles tenham esperança.

– A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta. Que Brasil? Há vários brasis. Um deles não gostou nada nada da falta de discussão quanto a sediar um evento caríssimo e fútil. E falo isso como petista.

– A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo. Repito: o brasil é um dos países mais desiguais do mundo, como não ser corrupto quando a própria sociedade promove a corrupção? Se vc acha que ver todos os dias dezenas de pessoas dormindo na rua e continuar indo pro trabalho ou pra escola não é corrupção, eu peço encarecidamente que você reflita sobre esse conceito.

– A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios. Disso não posso falar, sou pobre, nunca precisei ir num cartório na minha vida.

– Tudo se desenvolve a base de propinas. Atire a primeira pedra o país capitalista em que isso não ocorre. O que ocorre é que há uma parcela significativa da classe média que está descontente com o governo e credita os males do país a corrupção desse governo. Quer ver? olha o tópico seguinte.

– Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles. Viu?

– Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada. Ele fala isso pq credita os males do país a “população burra que não tem culpa de ser burra, mas é mesmo assim” que votou no governo lula.

– O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política. Porra, futebol (o esporte em geral) é bem mais legal que política, em que país não é assim? Eu respondo, os países chatos.

– O Brasileiro elege jogadores de futebol para cargos públicos. Isso é piada, né? E Ronald Reagan? não foi jogador, mas era uma celebridade como tal, o que sabia de política? Ora, sei lá, se voto em um candidato é pq me identifico com ele, não é essa a idéia de REPRESENTAÇÃO? Mas esse é o velho discurso de autoridade, como se o fato do cara nunca ter ido a escola o desqualificasse para representar quem quer que seja. NOTA: esse cara obviamente não se sente representado pelo governo lula. 

– Romário (ex-Barcelona) é hoje deputado. Aproveita o descontentamento com a Copa para se auto-promover, mas nunca apresentou um projeto de lei sobre saúde ou educação. Sua meta é dar ingresso da Copa para pobre(como se essa fosse a prioridade para um pobre brasileiro). Romário é um dos deputados mais atuantes da Câmara. Sem mais.

– O Deputado mais votado do Brasil é um palhaço analfabeto e banguela, que faz uma dança ridícula, com roupas igualmente ridículas, e seu bordão é: “pior que está não fica”. É, essa pessoa realmente detesta uma das caras do brasil.

– Em uma das músicas deste palhaço analfabeto ele diz: “Ele é ladrão mas é meu amigo!”, Isso traduz bem o espírito do Brasileiro (http://letras.mus.br/tiririca/176533/ ) Concordo.

– Brasileiros se identificam com analfabetos. Mentira. Eu me identifico, mas quem compartilha isso no face não.

– A carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo. Ah, quem me dera viver na França onde não se tributa consumo, mas renda… ai de mim!

– Mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA. Oi?

– Há um dito popular que diz que “Deus é brasileiro”. Concordo.

– A FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Aparthaid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras. Tipo, venezuela e irã, hum, já deu pra perceber que não foi um jornalista estrangeiro que escreveu esse artigo, né?

– O Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente. É, a FRANÇA, como se EUA e CHINA não fossem contra tb. Quem apoia a candidatura brasileira é a Alemanha, que quer entrar tb, e é a ALEMANHAAAA.

– A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha. (http://www.youtube.com/watch?v=urmR5fXMJu8 Pronto. Virou profeta que nem a presidente.

– Só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição. Desconheço os bastidores da fifa.

Continua…

O site do Cara

Publicado: 19 de julho de 2011 por Bill em o Universo
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Lula lança site

No Instituto Cidadania são registradas as atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde sua saída do governo se dedica à construção do futuro Instituto Lula, voltado para causas políticas e sociais no Brasil, África e América Latina.

http://www.icidadania.org

E vamos fazer coro ao movimento #LulaNoTwitter

A ideologia vive

Publicado: 2 de maio de 2011 por Bill em o Universo
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Oposição vive momento de crise de identidade

A “notícia” estampada nos jornais de todo o país anunciava a debandada de boa parte dos deputados e vereadores do PSDB e do DEM para o recém-criado PSD de Gilberto Kassab. Partido esse que sob o comando do prefeito paulista, apóia o governo federal e o governo paulista, postura rejeitada pelo partido que, até pouco tempo atrás, Kassab fazia parte.

Pergunto. Que crise é essa se a oposição há 20 anos governa o estado mais rico do país? Sem falar em Minas, Goiás, etc. O próprio DEM que muitos já anunciavam sua extinção conquistou os governos de Santa Catarina e Rio Grande do Norte, melhor resultado que em 2006 quando ganhou somente no Distrito Federal, que embora abrigue a capital do Brasil tem pouca relevância do ponto de vista eleitoral. Se a vida política se garante sobre resultados eleitorais, a oposição vai muito bem obrigado.

Por que Kassab deixa o DEM quando a legenda vive seu melhor momento desde 2002?

A tal crise vem de outra ordem.

No plano nacional, o PSDB se juntou ao DEM, na época PFL, para formar o bloco parlamentar do governo. Em 94, tudo foi às mil maravilhas, o milagre do plano real brilhava nos olhos da classe média que podia ir às compras tranquilamente desde sabe-se-lá-deus-quando. As eleições de 98 estavam garantidas. Aí começou um movimento que é muito comentado, mas pouco discutido em suas consequências efetivas. O governo aprovou mesmo sob protesto ferozes da oposição a emenda da reeleição para presidente da República. Era o golpe branco de FHC. Um golpe não na oposição ou mesmo na República, alterar a Constituição em seus regimes eleitorais por mais que doa o coração faz parte do jogo. O golpe desferido por FHC atingiu sobretudo seu próprio partido. Há quem apressadamente argumente que o PSDB não tinha um político a altura do ex-presidente e que havia a ameaça do PT. Balela. Em 98 foi oba-oba, o PT nem chegou a fazer sombra ao PSDB. O caso é que Fernando em vez de pensar no futuro do partido, logo, em seu sucessor, decidiu que seria ele a colher os louros  depois que seu governo teve que sacrificar inúmeros investimentos para dar conta do arroucho fiscal que o plano real exigia. Era a hora da bonança e seria ele, Fernando Henrique Cardoso, pseudo-mentor do Plano Real, quem colheria os frutos tão duramente plantados. Foi um desastre. A política implantada mostrou-se incapaz de promover o crescimento econômico, os louros nunca viriam porque a lógica do plano Real mostrou-se perversa até mesmo para seus formuladores. Calcada em redução dos gastos públicos e juros altíssimos, muitos economistas, árduos defensores do Real, tentavam explicar por que o Brasil não podia crescer ainda.

Um assalto na calada da noite. As privatizações marcaram a fogo a memória do brasileiro. 

O problema do PSDB partiu da sua cartilha neoliberal. Uma resposta aparentemente simples dada a extensão da crise, mas é um tremendo engano achar que sua resolução é fácil, justamente porque o problema não é. Se José Serra tivesse comandado a legenda (ele é fraco demais para isso por N fatores), o PSDB teria um perfil bem diferente deste visto agora. Aliás, sem um perfil definido, o partido vive uma crise ideológica (que pode ser traduzida como uma crise de identidade), pois suas crenças mostraram-se erradas. Tal crise não é resultado de três eleições presidenciais consecutivas perdidas, mas simum sintoma de que algo está errado, afinal, o discurso não está convencendo. Convicção, esse é o problema.

Cardoso acreditava na política liberal, ele não acreditava no Brasil.

Para complicar ainda mais a confusão ideológica que o PSDB atravessa, o PT abraçou um espectro considerável dos gentis conservadores ao flexibilizar ou mesmo negligenciar bandeiras históricas do partido como o repúdio aos juros absurdos praticados pelo BC na época (e ainda hoje muito acima da média). Oportunismo, para os mais reacionários; pragmatismo, para os petistas e traição, para os ex-petistas.

Pragmatismo ou traição?

Fato é que essa guinada do PT sob o comando do ex-presidente Lula para a centro-esquerda desnorteou completamente o PSDB muito mais do que não ter uma raiz na sociedade, pois embora ela não tenha sido tão ramificada (ou profunda) quanto a do PT, é preconceito afirmar que não tiveram uma. Tiveram sim, só que bem diferente daquela do Partido dos Trabalhadores. Mas sinceramente, isso não significa muita coisa. As raízes da UDN eram muito profundas e eles também ficaram muito desnorteados quando Vargas nos anos 50 voltou (como ele mesmo prefetizou) “nos braços do povo”, que tal qual o PT (ou seria o contrario?), tinha uma ideologia mais fluida, (dificílima de combater, pois os dogmas são relativizados) e ainda que se possa argumentar que seu governo não era de esquerda, há de se admitir que Getúlio contrariava muitos interesses da direita que convenhamos era (ainda é) muito mais poderosa do que a esquerda.

José Serra na campanha presidencial sabia qual era o melhor caminho para o PSDB, enterrar o passado (esquecer, ou fingir que esqueceu, os erros, isto é, o apoio a política de FHC) e começar tudo de novo. Se tivesse conseguido se eleger, provavelmente quem estaria em crise agora seria o PT. Pegue o artigo do ex-presidente Cardoso tentando mostrar um caminho ao partido, um caminho que respeitasse o seu legado e no entendimento dele, o próprio partido. Já diria minha vózinha “muito ajuda quem não atrapalha”. O PSDB passa por uma crise justamente porque tem em tese uma ideologia social-democrata, mas praticou no governo FHC a liberal-democracia. Aí vem o ex-presidente dizer que deveriam parar de falar para as grandes multidões e se voltar para um público mais restrito, daí a confusão ideológica. Muitos dentro do partido acreditam na social-democracia e viram por 8 anos os petistas governarem do jeito que eles deveriam ter governado. A critica ao artigo do ex-presidente também é partidária. Esquecer o “povão”? Que social-democracia é essa que vira às costas para as massas? O ex-presidente Cardoso insiste em ser lembrado quando já devia ter se despedido da vida política, como ele mesmo fez com suas idéias.

Façamos um exercício mental especulativo. Imaginem que o resultado do segundo turno de 2010 tivesse sido diferente (lembrem-se da pequena diferença do segundo turno). Então veríamos o ex-presidente Lula tentando recuperar o ânimo dos derrotados não é mesmo? Tendo que responder a perguntas do tipo: O pragmatismo funcionou? Por que o ex-presidente Lula do auge de seus mais de 80% de aprovação não conseguiu eleger o sucessor? A tese da direita de que Lula é louco por holofotes iria pesar no debate. Teria o ex-presidente escolhido propositalmente um candidato mais fraco para que sua imagem não fosse eclipsada? Colocar a figura do ex-presidente em xeque, sem dúvida seria o o inicio de uma crise que poderia devastar o partido, já tencionado pela variedade de tendências ideológicas dos seus membros (muitos não engoliram até hoje a escolha de Henrique Meirelles para o BC). Afinal, a opção pela flexibilidade ideológica provou-se errônea. Percebam como o que ocorre com o PSDB é justamente isso, o partido perdeu seu líder ideológico e ficou desnorteado. Muitos dentro do PT fazem cara feia para a política macroeconômica adotada, mas aceitam porque confiam no Lula. Como muitos do PSDB confiaram em Fernando. Só para fechar nossa viagem imaginativa, e fixar uma diferença importante, pense em Lula sendo questionado internamente pela derrota, mas gozando de alto prestígio Brasil afora.

Em 2002, o povo estava insatisfeito com o governo, os próprios tucanos não tinham esperanças de vitória. Em 2006, apostaram no repúdio da população aos sucessivos escândalos de corrupção, deixando a ideologia em segundo plano. O vencedor da disputa interna foi Geraldo Alckmin, um político bem mais identificado com os ideais puritanos da direita do que José Serra. Nas eleições de 2006, o que marcou não foram as acusações de corrupção de Alckmin, mas principalmente sua falta de convicção em defender o legado do governo FHC, sabia que os erros da gestão tucana eram indefensáveis, mas o que fazer? Essa pergunta martelava o rosto de Alckmin nos debates.

Em 89 o PIG (apelido cartunesco dado à mídia conservadora) era capaz de eleger um presidente.

No dia 14 foi ao ar no Jornal Nacional a edição do debate presidencial entre Lula e Collor

Em 2010, José Serra se lança não somente candidato para presidente da República, mas fundador de um novo pensamento no PSDB. Reconhecia os êxitos da gestão petista e considerava que poderia fazer melhor. O que não podia era defender o ex-presidente Cardoso. Se ganhasse, FHC seria enterrado definitivamente. No entanto, Serra não conseguiu desfazer a impressão deixada pelos tucanos no governo federal. A crise do sistema financeiro mundial mostrou que o Estado mínimo bancado pelo FMI e que o PSDB aceitou de bom grado, estava terrivelmente errado. Não que os brasileiros não soubessem disso, mas a crise salientou a diferença abismal que separava os dois governos.

Enquanto FHC some, Lula aparece.

Agora fique atento ao comportamento eleitoral do brasileiro na última eleição diante da seguinte sentença: O neoliberalismo é uma ideologia definitivamente fracassada (pelo menos atualmente). Então a escolha concentra-se em Plínio do PSOL, garantia de Estado forte, mas muito radical para o gosto da maioria; Marina Silva, ex-petista, seu perfil deixa dúvidas quanto ao seu esquerdismo, logo a possibilidade de um Estado fraco; Dilma do (pelo) PT, garantia de Estado forte, mas muitas atitudes denotam sua proximidade com a direita e José Serra, que também é garantia de Estado forte só que não deixa dúvidas do seu vínculo com a direita. Essa foi a cisão nas eleições de 2010.

Abaixo um esquema de como fica o ciclo ideológico brasileiro ultimamente:

Ciclo ideológico dos partidos brasileiros

PV e PMDB agregam diferentes matizes, por isso são de centro, embora isso seja uma simplificação didática e altamente questionável. PT e PSDB são puxados para o centro por conta de seus respectivos candidatos, ainda que tenham uma identificação ideológica diferente destes. Repare na tensão que existe. Enquanto o PT é puxado pela direita, o PSDB é atraído pela esquerda.

Embora o terrorismo religioso tenha conquistado muitos votos para o PSDB, foi o fato de Dilma e Serra terem perfis muito próximos um do outro que provocou o racha eleitoral. Só que a batalha de Serra era muito mais difícil que a de Dilma, enquanto ele tinha que lutar contra o fantasma de FHC, Dilma tinha o escudo enorme e reluzente do ex-presidente Lula, por isso o tucano jogou sujo, aceitando a baixaria que seus aliados insulavam, para que driblasse a desconfiança dos mais conservadores (contingente considerável) com a chantagem ideológica de que ao contrário de Lula, Dilma não teria legitimidade dentro do PT para conter as alas mais radicais. Sem dúvida o grande erro de estratégia de Serra. Ao tentar conquistar o apoio dos conservadores que votaram em Marina, o PSDB polarizou ideologicamente a disputa, que era tudo o que o PT mais queria. Ora, sem mais, era só confrontar os 8 anos do PT com o do PSDB. Até para quem tinha votado em Serra no primeiro turno recuou diante do radicalismo do tucano, afinal, ficou fácil identificar a ideologia dominante no PSDB.

Sem propostas diferentes, o discurso caiu na baixaria

Mas, e agora? Serra sai derrotado da disputa e não tem legitimidade para traçar o caminho a ser seguido pelo partido, embora seja a sua, a idéia mais acertada. Talvez por isso tenha cruzado os braços diante do surgimento do PSD encabeçado por Kassab, legenda que certamente iria enfraquecer a oposição. De duas uma: ou o ex-governador pretende ingressar na legenda para escapar do passado maldito do PSDB ou aproveitar o enfraquecimento da legenda tucana e tomar as rédeas da situação. Um aviso importante para a oposição: Serra conseguiu 40 milhões de votos no segundo turno, mas enquanto FHC era colocado de lado no programa eleitoral do partido, a figura de Lula era no mínimo respeitada quando não enaltecida. Numa análise apressada e descuidada pode parecer personalismo, mas a meu ver Lula é claramente uma escolha ideológica do eleitorado brasileiro. Ironicamente, quando temos um novo partido social-democrata sendo criado, muitos apontam a falência do sistema político brasileiro pelo aspecto unitário de busca eleitoral sem perfil ideológico. Pode ser, mas para mim, tal conclusão é redutora e cínica da realidade. O PSD surge para atender carências ideológicas que DEM e PSDB não são capazes de suprir, seja por vícios ideológicos ou por interesses particulares de alguns caciques. Quando o PDS não se coloca como oposição, é uma posição pragmática sim, mas que não deixa de ser ideológica. Afinal o PT agora representa a social-democracia e para se opor a esse projeto ou você é socialista ou liberal e nós já sabemos, pelo menos no plano nacional, a preferência ideológica do brasileiro.

 

bill, o que ele faz? Faz história, literalmente. É, além de doido, flamenguista, mineiro, sagitariano, petista, boêmio, metaleiro, tonto, divertido y dulce… um comunista pero no mucho. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!

Será?

Henrique de Campos Meirelles

O que a saída de Meirelles da presidência do Banco Central indica a primeira vista é mudança de postura quanto a política econômica. Todos sabem do caráter conservador de Meirelles que na crise tinha sugerido uma política de contenção de gastos para blindar o Governo Federal de uma crise que, apontava certos prognósticos seria a pior desde 1929.

Guido Mantega, ministro da Fazenda (já confirmado no cargo) foi diametralmente oposto, insistiu que os investimentos federais não poderiam ser contidos, pelo contrário deveriam ser ampliados, que os bancos oficiais deveriam aumentar a oferta de credito e que fossem concedidas diversas isenções de impostos para incentivar o consumo.

Nós sabemos em quem o Presidente Lula confiou. Sabemos também que a aposta do presidente foi acertadissíma já que o Brasil foi o último a entrar na crise mundial e um dos primeiros a sair dela. Seguindo a idéia de Meirelles talvez estivéssemos com uma inflação menor, mas certamente estaríamos mergulhados na crise sem perspectivas de melhoras já que o país não dispõe dos vultosos recursos como EUA e UE, mesmo assim, no caso desses últimos em especial Espanha e Itália, países de considerável envergadura econômica passaram por extremas dificuldades e embora a Espanha esteja em situação melhor agora não se pode dizer o mesmo da Itália que ontem derrubou as bolsas européias diante da possibilidade de que não consiga honrar com seus compromissos.

Voltando ao assunto inicial, sabemos que Guido Mantega saiu da crise internacional gozando de invejável credibilidade, já Meirelles ficou manchado por ter dado opiniões que seriam ao que tudo indica desastrosas para a economia nacional. Um fato importante disso é que Dilma compartilha bastante do pensamento econômico do ministro da Fazenda, que acredita no papel fundamental do Estado como fiador do desenvolvimento. Logo, as cartas foram marcadas e Meirelles seria o coringa do baralho se não fosse sua conduta intransigente para com a inegável cumplicidade entre a presidente eleita e Mantega. “Ou ele ou eu” – teria dito Meirelles no famoso ato conhecido como tiro no pé.

Em nota oficial a presidente eleita justificou a escolha de Alexandre Tombini, profissional de carreira do Banco Central, como novo presidente da instituição dando continuidade a política econômica do governo Lula, dando garantias de plena autonomia ao BC.

Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (BC)

Na cena estão em cumprimento simbólico Belchior (sua pasta agora é responsável pelo PAC), Mantega e Tombini. A imagem vale por mil palavras mas resumirei em uma: um tripé. No final das contas Meirelles foi o seu carrasco, a tendência era manter tudo como estava, Guido empurrando para frente, Meirelles tentando frear o ritmo e o presidente pedindo calma aos meninos. Com a posição firme de não aceitar ser contrariado quanto a política monetária, somado ao fato de que Dilma não se dava muito bem com seu conservadorismo ultra-ortodoxo, Meirelles selou seu próprio destino a frente do BC.

Pelo seu histórico Tombini também é muito conservador. A esperança é de que seja menos do que Meirelles e o país possa avançar sem ter que ficar com os pés tão doídos do chinelo apertado.

 

billo que ele faz? Faz História (literalmente) na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, hetero-gay, otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!