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Vc e o romantismo

Publicado: 22 de maio de 2013 por Bill em A Vida
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Qualquer pessoa que marque um encontro com um estranho em um desses sites de relacionamentos é um idiota.

O dito cujo não tem nem a capacidade de dizer um olá ao sexo oposto quanto mais convidálo para sair, somente o anonimato lhe dá forças para enfrentar tal empresa.

Ah sim, enfrentar.

Não se enganem, para esse tipo de pessoa, um encontro, por mais banal que seja, é o Juízo Final.

Não, não, não estou exagerando. Já fiquei sabendo de gente que deu um laço no pescoço apavorado com o primeiro encontro. Já vi, isso eu vi mesmo, gente cair de cama na mesma situação.

Vc vê aquela pessoinha vindo na sua direção e nem desconfia que as costas se curvam sob o peso da gigantesca estrutura de aço moldada ao corpo.

Este rapaz, ou esta moça, logo começam a conversar, ainda que fale como tentando disfarçar o fato de  ter acabado de correr uma maratona.

Vc se impressiona com a rapidez com que puxam conversa, em gritante contraste com a evidente postura largamente tímida.

Vc, claro, logo se entediará.

Seu parceiro só sabe falar de si mesmo, justamente o contrário do que você esperava encontrar quando fez a inscrição naquele site.

Vc olha para o seu encontro e recebe seu sorriso.

Vc pensa em quanto as pessoas podem ser solitárias e idiotas.

Vc olha ao redor e encontra um casal próximo a sua mesa, entre um certo desconforto e excitamento, percebe que enquanto trocam beijos e caricias, um deles não tira os olhos de você. Mais além um rapaz está sozinho bebendo uma cerveja, quando ele percebe seu olhar, saca o celular e finge conversar com alguém, vc vê ele fingir divertimento, ira, tristeza e depois se levantar ainda triste ao telefone. Ele olha para você em desafio. Encostado a uma pilastra, um casal se beija, estão no escuro, mas vc pode ver pela expressão do rapaz que ele está loucamente excitado e ela, hmm, ela parece estar escutando unhas de aço rasgarem um quadro negro. Há quanto tempo estarão assim? Será que já se conheciam? Quando ela vai contar a ele que tem vaginismo? É quando um outro casal chama sua atenção, são gays, um está rindo bem alto e o outro está prestes a chorar e isso, vc percebe, movendo sua bunda sobre a cadeira, é um fato corriqueiro, para onde quer que vc olhe, as pessoas não parecem falar a mesma língua, é como se deus tivesse acabado de por ao chão a torre de babel.

E é assim.

As pessoas são solitárias porque não se entendem e não se entendem pq são idiotas.

Vc vira para o seu encontro e se desespera porque ele ainda está sorrindo.

Nem tenta esconder sua felicidade… ele realmente venera minha companhia sem saber o que penso dele.

Por simples provocação vc deixa o garfo cair para velo correr a seus pés como um cachorrinho.

Esse imbecil fará de tudo para me agradar.

Vc sorri maliciosamente.

E ele responde com um sorriso maior ainda, transpirando inocência.

Vc percebe que ele agora está sem armadura.

Imediatamente vc é tomado por um misto de arrependimento e repulsa,

de si e dele.

O sorriso do seu encontro continua luminoso,

ele simplesmente não faz idéia

do que se passa

em sua

cabe

ça.

Vc se irrita, levanta e pede licença para ir ao banheiro,

lá,

vc começa a chorar e pensa que é por essa atitude arrogante que nunca encontrará alguém.

Vc enxuga bem os olhos e volta, determinado.

Vc é homem.

Homens não choram.

Ainda mais por tolices como essas.

Mas sua mesa está vazia.

Vc se larga na cadeira, come uma batata, pega o celular e desabafa com um interlocutor imaginário:

Como sempre, eu estraguei tudo. Eu sou um idiota!!! Com medo da rejeição, eu rejeito, acredito que assim me machuco menos… Quão idiota as pessoas podem ser??!!

Eu respondo.

A tolice não tem limites. Nem o romantismo.

A Pessoa Certa

Publicado: 31 de outubro de 2010 por Bill em A Vida, Tudo Mais
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“O sucesso do casamento é muito mais do que encontrar a pessoa certa; é uma questão de ser a pessoa certa.” – B. R. Bricker

 

O elemento mais comum no imaginário amoroso das pessoas do séc. XXI
é, talvez, o da “pessoa certa” ou “the one”. Estou cansado de ouvir
frases assim: “Ainda não encontrei a pessoa certa” ou
“Será ele o cara certo para mim?”. A “pessoa certa” para quem, para o
quê? Para o grande “eu”, foco de nossas atenções. Para a
importantíssima “minha felicidade”, claro.

 

Quase lá…

A pessoa certa é aquela cujos atributos se acoplam perfeitamente com
todos os nossos desejos, hábitos, vícios e peculiaridades. Se sou
carente, quero um superprotetor traumatizado (traído da última vez que
ficou ausente). Se gosto de vinho, adoraria um homem que seja quase um sommelier. Se sou fascinado por peitos, uma mulher tábua não me serviria.

Se vc pensar assim meu amigo, o seu horizonte será assim…

 

Vai chorar agora?

Tal lógica seria perfeita em um mundo intocado pela impermanência. O
problema é que nossas preferências, hábitos e desejos mudam a todo
instante. Já tivemos nossas fases gastronômica, carente, acadêmica,
cultural, caseira… E assim fomos trocando de parceiros. A situação a
que chegamos hoje é simples de resumir: além das relações líquidas, as
que tentam ser duradouras dificilmente escapam de situações de traição,
adultério e muita, muita dor.

O que aconteceria se invertêssemos essa lógica? Se, em vez de procurarmos pela pessoa certa, tratássemos de ser a pessoa certa?

A lógica do oferecer

Uma boa metáfora para contrastar as duas abordagens: se estiver em
dúvida entre duas pessoas, não escolha a mais engraçada, mas a que ri
de suas piadas. Ou seja, não escolha a que tem mais a lhe proporcionar,
e sim aquela que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.

Não tenha medo de amar

Jogue-se.

Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple
seu próprio corpo e faça surgir beleza dele. Em vez de ficar esperando
por alguém inteligente, apenas distribua sua inteligência para qualquer
um. Seja a pessoa certa, sem esperar resultados ou retribuições de
qualquer tipo.

Se você é mulher, não busque olhares. Irradie aquilo que você não
precisa de espelhos para ter a existência confirmada. Se é homem, não pense que o amor é aquilo que você recebe. Seu amor é aquilo que você oferece. Isso ninguém tira, isso você leva junto para onde for, essa eu aprendi da maneira mais escrota de todas: se apaixonando.

Reconhecendo a impermanência (sem fugir ou ignorá-la), podemos amar
com liberdade. Renunciamos a realização de nossos impulsos neuróticos,
largamos os ganchos e oferecemos nossas habilidades para o deleite de
nosso parceiro. Na verdade, é isso que sempre desejamos, sem saber como
realizar.

Após um fim de namoro dolorido, nossa felicidade não surge quando
descobrimos que podemos ser amados novamente. Sentimos a vida pulsar
apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa. É a capacidade
para o amor que nos alegra. Nossa felicidade não vem do outro tanto
quanto vem de nossa própria potência inata de amar e produzir
felicidade em todas as direções.

O amor livre como um antídoto ao adultério

Algumas pessoas que já me ouviram falar em “desvincular o amor do amado”, ao propor algo que às vezes o que chamo de amor livre,
reagem com um desconforto e defendem a fidelidade monogâmica – como se
“amor livre” significasse poligamia ou justificasse o adultério. Acusam-me de contradição. Oras… pelo
contrário, uma pessoa só trai porque se sente incapaz de reconstruir o
amor, curar a relação, sentir-se viva novamente diante do outro e,
assim, fazê-lo renascer diferente. Já comentei antes: traição é antes uma ofensa a si mesmo do que ao seu parceiro.

 

Eu só quero suas mãos… nada mais

 

Na verdade, o amor é livre de fixações, livre de personagens, livre
até mesmo dos parceiros que os manifestam. Se depender dos
condicionamentos que o trazem à tona, ele terminará quando o casal
afundar. Mas o amor oferecido não cessa, não é mesmo? Ele é amplo,
vasto, todo abrangente. O amor recebido, este sim cessa.

Qual não é nossa surpresa quando percebemos que, logo após o fim,
seguimos com a potência de trazer felicidade ao outro? O amor não cessa
pois ele é essa abertura ao outro, essa capacidade de oferecer,
oferecer, oferecer. Se podemos sempre oferecer, é sinal que sempre
temos amor, mesmo quando parece que ele nos foi arrancado de dentro do
peito.

 

Recado para os homens

Faça-me um favor. Descubra logo que você pode conquistar e amar
qualquer uma. Porque eu sei que embaixo dessa crosta de mal incontida brucutez há um ser incrivelmente sensível, sendo a única diferença para os gays a escolha sexual. Seja você rico ou pobre, feio ou bonito, você tem tudo o
que é necessário para fazer qualquer mulher feliz. Basta liberar seu
amor, sem fixações, hesitações ou dúvidas. Enquanto não perceber que
seu amor é livre, você continuará testando-o com várias. Enquanto
sentir seu amor acabar, você terá de dormir com outras garotas para
resgatar sua potência vital.

Pare de chorar por um colo. Ofereça um colo à alguém. Doe-se.

Esse é um conselho que eu demorei para entender…

Uma
vez solto, canalize tudo em apenas uma mulher (a menos que você
realmente consiga fazer duas felizes sem causar complicações, o que
hoje duvido ser possível em nossa sociedade). Depois, tome cuidado para
não confundir foco com fixaçãoSeu amor nunca será dela para que sempre seja dela, momento a momento, em um processo incessante de escolha e liberdade.

Assim que você vincular seu amor a ela, ele parecerá surgir de fora
e você o sentirá como vindo dela para você. É nesse momento que você
pára de oferecer, ou seja, pára de amar. Quando a relação acabar, você
terá a certeza de que ela levou seu coração, apagou o Sol e deixou a
sala vazia, sem amor algum. É esse o outro lado da “pessoa certa”.

 

Sugestão para as mulheres

De uma vez por todas, sinta-se inteira como sendo o amor que você busca nos olhares e espelhos do mundo. Você já é aquilo que espera ouvir de um homem. Você
já está na ilha paradisíaca de seus sonhos, abraçada e acariciada com
declarações de amor. No momento em que você sente que precisa de amor,
a carência inunda seu corpo até o ponto em que você precisará de outro
olhar para voltar a ser bela.

Para você também: seu amor nunca será dele para que seja sempre
dele. Enquanto você transpirar amor por todo lado, terá o que oferecer
e portanto poderá ser totalmente dele. No instante, porém, que você
precisar dele para respirar, você não mais conseguirá oferecer e terá
de exigir o amor dele.

Você se lembra dos momentos em que mais foi feliz e aberta? Na
maioria deles, havia um outro em cena? Sem querer, vinculamos todas
essas sensações a uma ou outra pessoa. Se elas deixarem de proporcionar
essas sensações, você será obrigada a buscar um outro que resgate todas
as alegrias e toda a beleza que você já vivenciou. Um outro homem que
veja beleza em você e movimente tudo aquilo que você desconfia da
existência mas não sabe bem como encontrar.

Durante essa busca por amor, você fará muitos homens sofrer. O
primeiro vai olhar e revelar beleza. O segundo revelará ainda mais. O
terceiro a levará para locais que os dois primeiros nunca sequer
vislumbraram. O quarto finalmente a fará mulher. O quinto ensinará
todos os prazeres do sexo. O sexto…

Até quando? Quando chegará o “The
One”?

 

Permita-se um abraço. Às vezes o amor está mais perto do que se imagina…

 

Sinta agora seu corpo, inspire sua beleza, deite-se sobre a
certeza de que você já é mulher. Totalmente, inteiramente,
deliciosamente mulher. Como a face feminina do amor, ofereça-se ao
mundo de corpo e alma.

Já mencionei que acredito no casamento aqui. Casamento como algo sério (SÉRIO), para se construir um amor e não encontrar a pessoa certa. Viva e deixe que ela/ele chegue até você. Permita-se. É esse meu desejo para todos os casais. Homens e mulheres completos,
um oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém
nunca quis ou pediu. Amor necessário é horrível. Amor bom é igual arte: inútil, completamente descartável… e belo.

 

Uhhhhmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!

 

 

 

bill, o que ele faz? Faz História na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, quase-gay (não fosse sua tão vexada essencialidade heterossexual), otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!

 

A Troca de Papéis

Publicado: 21 de setembro de 2009 por Bill em A Vida
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A Troca de Papéis: As mulheres estão se
masculinizando enquanto os homens fazem as unhas.

Enquanto você
ergue o seu coração eu tento esconder o meu…

Nas últimas
décadas deste século, assim como nas últimas décadas do século passado –
períodos de grande mudança socio-econômica no país, o fenômeno da
desestabilização das fronteiras simbólicas entre os sexos pode ser facilmente
percebido. São inúmeras as referências ao “fim dos tempos”, ao caos
que se aproxima com homens se afeminando e mulheres se masculinizando, com a
maior visibilidade do homossexualismo e da prostituição, com a liberação
sexual, com a AIDS, etc. Há insegurança quanto ao futuro, medo de uma possível
androginia generalizada, de uma bissexualização de toda humanidade. O que dizer
a respeito das manifestações de inquietação e até indignação frente a Fernando
Gabeira em tanga de crochê, ou diante de Leila Diniz grávida, de
biquíni, num completo desrespeito à “instituição da maternidade”?

As reações da
época, no geral, eram manifestas através de expressões do tipo “Aonde nós
vamos parar?!” ou mesmo “É o fim do mundo!!”. E a imprensa neste
período, principalmente os jornais feministas e as revistas femininas são
especialmente sensíveis a estas transformações nos papéis sexuais.

Este medo é
causado pela desestabilização das fronteiras simbólicas entre os sexos, ou
seja, pela alteração nos padrões de masculinidade e feminilidade vigentes. Essa
desestabilização ocorre quando os papéis socialmente construídos para o homem e
para a mulher em uma determinada sociedade se modificam e chegam até a se
confundir, tornando os limites entre o tipicamente masculino e o tipicamente
feminino quase que imperceptíveis. Ora, se já não se pode mais diferenciar o homem
da mulher e vice-versa, qual será o futuro da humanidade?

Vale ressaltar que
quando me refiro a papéis ou padrões de comportamento masculino e feminino,
estou falando de imagens, de discursos normativos, de estereótipos socialmente
construídos sobre o que é ser homem e o que é ser mulher em um determinado
contexto, e não sobre a mulher ou o homem como categorias universais, OU SEJA
BRUNA, falo do 4º personagem da professora do Hiury: a sociedade.

E de como esses
papéis são imagens de uma dada sociedade em um período específico, são também
passíveis de transformações conforme esta sociedade se altera.

Seria
inimaginável, há cem anos, pensar em uma mulher de cabelos curtos, de calças
jeans (unissex), trabalhando e se expressando livremente no espaço público como
faz o homem, tal como é a imagem feminina largamente difundida a partir dos anos
70 pela imprensa brasileira, principalmente pelas revistas femininas como
Cláudia, Mais, Nova e Desfile; seria também impensável um homem com cabelos
longos, roupas coloridas, brincos, cuidando de uma criança ou cozinhando.

Socorro Maria da
Penha!!!

Mas, e o
feminismo? Em que as reivindicações feministas e o movimento de emancipação da
mulher desestabilizaram as fronteiras simbólicas construídas entre os sexos?
Vários autores que abordam o tema da alteração nos padrões de identidade sexual
concordam que o feminismo com suas reivindicações de igualdade entre homens e
mulheres e com sua crítica à sociedade patriarcal burguesa contribuiu, e muito,
para as crises das identidades sexuais.

Na medida em que o
movimento feminista colocou em questão a ordem social-patriarcal vigente e
buscou a igualdade das mulheres frente aos homens, ele acabou por questionar
também as noções de masculinidade e feminilidade. Seria o homem, como até então
se achava, superior à mulher, mais inteligente, mais racional, mais prático?
Seria a mulher só beleza, maternidade, submissão, docilidade e afeto? Tudo isso
a partir das primeiras reivindicações feministas no início do século e
posteriormente com o “movimento feminista organizado” nos anos 70, passou
a ser questionado, e a mulher (em especial a feminista) não mais se enquadrou
nesta antiga imagem de feminilidade, passando a procurar então uma nova
identidade para si.

O próprio homem,
na medida em que vê a emancipação feminina e sua entrada no espaço público, que
antes do feminismo era por excelência masculino, passa então a se questionar e buscar,
ele também, redefinir-se, tendo em vista a nova imagem feminina que surge – o
“Marlboro Man” dá lugar ao “soft man” – um sacrilégio,
claro.

Alguns trabalhos
recentes vêm discutindo este tema mostrando como as alterações sociais e
culturais causadas pela modernidade, pelo feminismo, pelo homossexualismo em
evidência e por muitos outros fatores abalam as identidades sexuais, fazendo
com que a sociedade revele seu medo diante da quebra das demarcações entre os
sexos.

Eu não posso amar.
Não posso amar. Não posso…

O feminismo,
ainda, além de colocar em xeque a masculinidade, acaba por (voluntária ou
involuntariamente) desorganizar as referências da feminilidade. Na busca de uma
nova identidade feminina que fuja dos estereótipos de inferioridade frente ao
homem, as feministas acabam por serem vistas (e até mesmo incorporar tal
imagem) como não-femininas, como não-mulheres, ou a ‘mulher-macho’.

Quais as imagens
tipicamente femininas do nosso tempo? Que mulher é essa, que
compõe, estuda, trabalha, cuida da família, educa os filhos, quer votar, faz greve
dos ventres, prostitui-se, torna-se musa modernista, é anarquista e
melindrosa? Ou melhor, que mulheres são estas? Qual a identidade da
mulher brasileira?

Difícil delimitar.

Ei cuidado aí
mulher… vai com calma pô…

Em 1994, a cantora Rita Lee
lança a música “Todas as Mulheres do Mundo”, que se inicia com a
frase “Elas querem é poder” e tem o sugestivo refrão:

“Toda mulher
quer ser amada

Toda mulher quer
ser feliz

Toda mulher se faz
de coitada

Toda mulher é meio
Leila Diniz.”

De lá para cá, o
que aconteceu com a mulher brasileira? Será que elas querem mesmo é poder, que
são todas “meio Leila Diniz”? Difícil dizer…

Os homens, agora,
querem ser vistos enquanto um dos gêneros e não mais como o Homem – ser
universal. Esta crise de masculinidade, aqui no Brasil, deixa-se transparecer
em artigos de revistas femininas e de jornais feministas. O artigo do
economista Aloízio Mercadante demonstra essa perda da identidade sexual
masculina e a conseqüente crise de masculinidade pela qual os homens passaram
pós-feminismo:

Ei, Lenny, essa é
pra vc:

“(…) E nós
homens? A identidade de ‘ser homem’ nos estreitos limites que o machismo nos
impõe não nos transforma em opressores e oprimidos? Tem sido difícil amar
nesses tempos, e impossível crescer afetivamente na camisa de força do machismo.

(…) Ser macho é
pobre, é triste, é cinza. Quando nossa imagem de macho se vê ameaçada é um
pavor tão incrível que só podemos virar ‘lobisomem’ – meio homem, meio bicho.
Então somos capazes de bater, espancar e com uma certa freqüência até matar ‘a
mulher que amamos’.

Na Torre de Babel
da intelectualidade, os instrumentos de poder e de dominação já se sofisticaram.
Como não conseguimos admitir o desejo de nossas companheiras por outro, matamos
afetivamente e o desprezo dá

lugar à violência
física. A alternativa? Tem sido a falsa segurança das gaiolas de ouro que
asseguram nossos casamentos, e que em regra tem transformado a possibilidade de
uma relação a dois em um marasmo afetivo sem qualquer poesia. (…) Que
privilégios são esses que nos fazem estrangeiros no mundo feminino? Não dá mais
para responder com piadinhas e gracejos às tentativas de reconstruirmos nossas
identidades – homens e mulheres. E assumirmos a afetividade, carinho, sensibilidade,
não creio que seja assumirmos nosso lado mulher, não creio que ternura tenha
que ser monopólio de ‘ser mulher’.

O feminismo tem
apontado esses problemas, mas muitas vezes nos ameaça e não nos transforma.
Temos estado paralisados, atônitos diante da vontade de crescer e se libertar
das mulheres. Mas também temos algo a dizer, há que assegurá-lo.”

MERCADANTE,
Aloízio. “Ser macho é cinza”, in Mulherio, n. 07. São Paulo,
jul.-ago. 1982.


Será que há algo
de mais inquietante à masculinidade do que Fernando Gabeira desfilando
em tanga de crochê, ou mesmo a atitude irreverente e liminar (entre o
homossexual e o heterossexual) de Caetano Veloso? Por que o homem que se mostra
sensível é gay?

Por que temos que
provar a todo instante nossa masculinidade?

 

E aê? Tá afim?

O Homem que não
pode ser homem. Que paradoxo é esse? Que novo homem é esse que se ergue no
horizonte do séc. XXI?

Ao longo das eras
temos nos escondido sob suas saias. São elas nossas mestras, é do seu seio
nosso primeiro alimento. É a ela que dirigimos nossas primeiras palavras. Do
seu apoio damos os primeiros passos e seguimos sós. Nós as escravizamos porque
temos consciência de seu poder. O feminismo veio destruir séculos de opressão à
identidade feminina. Mostrar que independente de gêneros, somos todos humanos. A pergunta que se faz agora é:


Nós, homens, podemos chorar agora?

bill, o que ele faz? Faz História na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, quase-gay (não fosse sua tão vexada essencialidade heterossexual), otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!

 

O Casamento

Publicado: 11 de setembro de 2009 por Bill em A Vida, Tudo Mais
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O Casamento: Uma instituição falida? Ou nossa sociedade é moralmente corrupta para sustentá-la?

Por Bill



Cada vez que penso sobre isso,
imagino minha velhice ao lado de alguém que eu, acima de tudo, admire.
É o meu amor. Nela reside minhas qualidades e meus defeitos, pq ela
também é parte de mim. É o seu toque em momentos solitários. Sua voz em
momentos sombrios. Seu despertar que me faz querer viver, pq sei que
estará comigo. Minha companheira. Eu te amo. Ainda nem te conheço, mas
sei que está aí. Quem sabe algum dia leia isso e saiba, que assim como
eu sei que é você, também você saiba, que sou eu. Quer casar comigo?


Willian Pereira do Nascimento Martins e Souza Barra. Poema premiado pelo concurso de poesias do ALUB.

Ficou lindo neh? Eh, eu dou show. E a modéstia...


Assim eu vejo o casamento.
Conversando com uma amiga eu resumi: casamento é coisa séria. Talvez a
frase não faça juz a seriedade que eu pretendi passar. Casamento é
coisa
SÉRIA. Não. Ainda não dá.

Não falo de Deus, festa, família,
amigos, despedida de solteiro, e todas essa porcarias. Falo de alguém
que vc vai escolher porque encontra nessa pessoa alguém para passar o
resto de seus dias. Aí entra meu conceito de casamento, o qual se
identifica com aquele aceito pela Igreja católica e a evangélica.
Casamento envolve eternidade. É para sempre. Nossa sociedade hoje
encara isso como algo retrógrado. Nada dura para sempre, dizem. Nessa
cultura de twitter o que vale é a pressa com que se vive a vida, pq se
entende por intensidade algo que seja necessariamente veloz. Um
absurdo, do meu ponto de vista.


Se você não parar um pouco vai perder o que acontece ao seu redor… 

Assim vemos o mundo hoje


FIDELIDADE:

Um ponto de conflito. Vou falar de uma
experiência pessoal. Porque o mundo é assim, nós vemos as coisas da
maneira que queremos olhar. Logo, o que estou escrevendo aqui, poderá
ser para muita gente um amontoado de estrume. Sem titubear. Meu
relacionamento durou cerca de 2 anos e meio. Eu a amava. E acredito,
ela também. Ela odiava traição. Eu não. Eu entendia já naquele tempo,
que traição era algo eficaz para combater o desgaste de um
relacionamento
. Ambas as partes,
já cansadas um do outro encontravam em outras pessoas subsídios para
lembrar pq estavam juntos. pq se amavam. “
O depressivo encontra na felicidade a razão de ser depressivo.”

Felicidade, é algo insurpotável.


Já vi muitos casais viverem muito bem, com os dois tendo casos extra-conjugais esporádicos. Nada definitivo. Até o momento que um descobre. NOTA: mesmo já tendo traído também. A descoberta da traição muitas vezes é algo imperdoável. Para homens principalmente. Mas o número de mulheres que adotam essa postura é cada vez maior.

A questão aqui que se levanta, é o
alicerce fundamental do casamento: o respeito. Trair, até então nada
demais. Desde que seu companheiro não descubra
. E aí temos dois argumentos:

1. Você faltou com o respeito com o seu companheiro, porque ele não aceita traição.

2. Você faltou com respeito consigo mesmo, porque sabe que ele não aceita traição.

Ou seja, caso o parceiro não concorde
com relacionamentos extra-conjugais, ele vai encarar isso como uma
traição. TRAIÇÃO PORRA. Você traiu sua confiança. Faltou com o
respeito. Seu casamento acabou.

Voltando a minha experiência. Ela não
aceitava a “traição”. Logo, na minha visão, eu jamais deveria trai-la,
ou eu estaria faltando com respeito a pessoa que eu amo. No entanto,
ela não tinha confiança em mim. Ou seja, ela não me conhecia tão bem
quanto achava que conhecia. Mesmo sem eu nunca traí-la, nosso
relacionamento terminou. Ela não tinha confiança em mim. Ela me faltou
com respeito. Claro, não foi só isso, mas nosso relacionamento baseado
nisso, estava fadado ao fracasso.

Novamente podemos fazer conjecturas
disso. Confiança nem sempre se acenta na verdade. Verdade é algo que
pode ser construído. Assim, se vc trai seu companheiro e ele não sabe,
hipoteticamente, vc não está traindo. Pois se assume que traição seja
algo que deva ser palpável. Só assim a pessoa se sentirá traída. Perceba, no entanto, como a verdade pode ser algo totalmente abstrato. No meu caso por exemplo não houve traição, sob nenhuma circunstância, mas ela acreditava que sim, logo, ela tornou isso verdade. Paradoxalmente, o cara que trai não está traindo e eu estava… pode?

Em outro plano, de
acordo com o segundo argumento, mesmo que seu companheiro não veja a sua traição você estará traindo a si mesmo. E isto
inevitavelmente, se vc ama seu parceiro, vai acabar minando seu
relacionamento. Gradativamente. Mas vai. A verdade aqui, então deixa a barreira invisivel que separa o casal, e vai naquilo que os une. O respeito não permite que vc traia a pessoa amada.

O casamento é a união entre o que vc ama com o que vc quer. Nós
tratamos o casamento como algo passível de ser destituído. É a
banalização do divórcio. Você não mais medita sobre o casamento, vc só
casa.


Um dia vc acorda e bum! Está casado…


Um brother meu falou o seguinte: Você casa sabendo que vai separar. Minha resposta? Então por que casar cara pálida?

Hoje, nós temos contratos nupciais em que atestamos normas para um eventual divórcio.

“É oportuno esclarecer que o pacto deve ser
estabelecido antes do casamento, conforme o próprio nome informa
“antenupcial”. É que, uma vez celebrado o casamento, não há
possibilidade de alterar o Regime de Bens. Mesmo que ambos, marido e
mulher, o queiram, nada pode ser feito, o pacto é imutável.”

Mas que tipo de casamento é esse, que já assina seu testamento antes mesmo de seu nascimento?

Muitas pessoas não acreditam no casamento. Fato é, que o número de pessoas casando vem diminuindo. Sinônimo de descrença ou maturidade? De acordo com a legislação brasileira, basta dois anos juntos para que se inicie um divócio com comunhão de bens. Acredito que tal maturidade se creditada, remeta a uma questão mais financeira do que qualquer outro motivo.
Na outra ponta, temos que essa descrença no casamento, se firme num
perda de valores da sociedade. As pessoas buscam o casamento. Afinal,
ainda somos criados numa sociedade majoritariamente religiosa, que
acredita na legitimidade do casamento. Há um anseio, um pulsar no ser
humano que invariavelmente acaba buscando no semelhante um aporte para
passar seus dias. Alguém que esteja ali, tal qual um amigo. Mas um
amigo que não te abandone, como uma mãe ao filho. É esse tipo de
contrato que fazemos quando nos casamos. Você diz: Olha, eu te escolhi.
Fique comigo até que a morte nos separe.

Não se trata necessariamente de amor. Embora seja amor. É difícil explicar. Envolve companherismo, amizade, empatia, é incrivel quando você pensa naquela música e ouve que seu parceiro a está assuviando. Paixão, é algo que queima. Isso pra mim não é amor. O amor não queima, ele aquece.

Um dia, meu avô pegou minha vó pela mão. Nunca esquecerei aquela cena. Eles não falaram nada, só ficaram de mãos dadas.

Peço, a você, caro leitor, que não se
case apressadamente. Medite. Não tenha pressa. Pode demorar até, mas
lhe asseguro: quanto maior a espera, melhores serão seus momentos
juntos. Fato.

 


 

bill, o que ele faz? Faz História na Universidade de Brasília, é além de historiador, professor marxista, entusiasta da vida, doutor em ciências ocultas, mestre em astrologia satânica, missionário de Nosso Senhor Nosso, frequentador do HPAP, flamenguista, cinéfilo, sagitariano, quase-gay (não fosse sua tão reconhecida virilidade masculina), otaku, amante fervoroso, adepto de todo tipo de filia, alcóolatra assumido e apaixonado pela arte do questionamento, um comunista. Tonto, divertido y dulce. Ξέρω ότι δεν ξέρω τίποτα, em outras palavras: boa noite bill!